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sábado, 19 de setembro de 2026

Quando a seringa encontra o limite

 Bioestimulador, preenchimento ou cirurgia? Dr. Aldo Grisi explica por que a escolha depende do que acontece com a pele, o volume e as estruturas de cada região

 

Dá para resolver sem cirurgia?” A pergunta costuma chegar ao consultório antes mesmo de o paciente compreender a origem do que vê no espelho. O desejo de evitar uma operação é legítimo, mas não deve definir sozinho o caminho. Uma queixa resumida como flacidez, por exemplo, pode envolver perda de colágeno, redução de volume, deslocamento dos tecidos ou excesso de pele. Cada situação pede uma resposta.

Para o Dr. Aldo Grisi, médico com atuação em harmonização corporal, com 14 anos de experiência e integrante do Grupo CULT, o ponto de partida está menos no nome da técnica e mais na leitura da anatomia, do histórico e da expectativa de quem procura atendimento. 

Há pacientes que chegam com o procedimento escolhido porque viram um resultado nas redes sociais ou receberam uma indicação. Na consulta, eu volto alguns passos. Preciso entender o que incomoda, qual estrutura está produzindo aquela alteração e até onde podemos chegar sem criar uma promessa que o recurso não consegue cumprir. A técnica vem depois dessa conversa”, explica.


O bioestimulador acompanha o tempo do corpo

O bioestimulador atua sobre a produção de colágeno e pode entrar no planejamento quando o objetivo envolve firmeza, sustentação e qualidade da pele. A mudança acontece de forma progressiva, conforme a resposta do organismo. Seu papel, porém, não é retirar tecido excedente nem reproduzir o reposicionamento alcançado por uma operação.

O bioestimulador não redesenha uma região de uma hora para outra. Ele trabalha com o processo biológico do paciente. Pode ajudar quando existe perda de qualidade da pele, mas encontra um limite diante de uma flacidez mais acentuada. Reconhecer esse teto evita frustração e impede que a pessoa seja submetida a aplicações sucessivas em busca de um efeito que depende de outra abordagem”, afirma Grisi.

Essa distinção também ajuda a afastar a ideia de que todo sinal de envelhecimento ou mudança corporal será resolvido com estímulo de colágeno. Estado da pele, variações de peso, idade, estrutura muscular e tratamentos anteriores interferem no plano.


Volume tem função e também tem limite

O preenchimento ocupa outro lugar. Ele pode repor volume, suavizar depressões, corrigir assimetrias e trabalhar pontos do contorno facial ou corporal. O problema aparece quando se tenta usar mais produto para compensar uma sobra de pele ou um deslocamento de tecidos.

Preencher faz sentido quando a falta de volume participa da queixa. Se a questão principal estiver na queda ou no excesso de tecido, acrescentar produto pode pesar naquela área sem resolver a origem do incômodo. Em estética, quantidade não substitui indicação. Às vezes, o melhor resultado surge justamente da decisão de colocar menos”, comenta o médico.

O planejamento precisa considerar ainda o que já foi aplicado naquela região. Procedimentos anteriores, materiais de longa permanência e alterações provocadas pelo tempo podem mudar a conduta. Por isso, omitir informações durante a consulta compromete a avaliação e amplia riscos.


A cirurgia começa onde os injetáveis já não alcançam

A indicação cirúrgica pode surgir quando é necessário retirar pele, reposicionar tecidos ou corrigir uma alteração estrutural. Ela envolve anestesia, cicatriz e recuperação, fatores que precisam ser discutidos com o profissional responsável. Ainda assim, adiar essa possibilidade a qualquer custo nem sempre representa uma escolha mais conservadora.

Existe uma resistência compreensível à cirurgia, como se recorrer a ela significasse que os outros tratamentos falharam. Não vejo dessa forma. Cada recurso tem um campo de atuação. Quando a anatomia pede reposicionamento ou retirada de tecido, insistir em injetáveis pode apenas prolongar o caminho e acumular intervenções que não responderão à queixa”, observa Aldo Grisi.

As possibilidades também não precisam disputar espaço. Dependendo do caso, um procedimento pode preparar a pele, outro recuperar um ponto de volume e a cirurgia tratar o componente estrutural. Em outras situações, uma única intervenção será suficiente. Há ainda momentos em que a orientação pode ser não realizar nada.

Personalizar não é montar uma lista maior de procedimentos. É retirar do plano tudo o que não serve para aquela pessoa. Em algumas consultas, combino caminhos. Em outras, indico somente um. E, quando a expectativa está distante do que a medicina pode entregar, dizer ‘não’ também faz parte do cuidado”, acrescenta.


Minimamente invasivo ainda exige responsabilidade

A ausência de cortes não transforma um injetável em prática sem risco. A escolha deve incluir produto registrado na Anvisa, respeito às regiões previstas nas indicações de uso, conhecimento de anatomia e acompanhamento. O paciente também precisa receber informações sobre possíveis complicações e saber qual substância foi utilizada.

Minimamente invasivo descreve a forma de acesso ao tecido, não o tamanho da responsabilidade. Origem do produto, indicação, técnica e seguimento importam do início ao fim. O paciente precisa entender o que será aplicado, por qual motivo, o resultado possível e como a equipe agirá se o organismo responder de maneira diferente”, ressalta Grisi.


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