Bioestimulador, preenchimento ou cirurgia? Dr. Aldo Grisi explica por que a escolha depende do que acontece com a pele, o volume e as estruturas de cada região
“Dá para resolver sem cirurgia?” A pergunta
costuma chegar ao consultório antes mesmo de o paciente compreender a origem do
que vê no espelho. O desejo de evitar uma operação é legítimo, mas não deve
definir sozinho o caminho. Uma queixa resumida como flacidez, por exemplo, pode
envolver perda de colágeno, redução de volume, deslocamento dos tecidos ou
excesso de pele. Cada situação pede uma resposta.
Para o Dr. Aldo Grisi, médico com atuação em
harmonização corporal, com 14 anos de experiência e integrante do Grupo CULT, o
ponto de partida está menos no nome da técnica e mais na leitura da anatomia,
do histórico e da expectativa de quem procura atendimento.
“Há pacientes que chegam com o procedimento
escolhido porque viram um resultado nas redes sociais ou receberam uma
indicação. Na consulta, eu volto alguns passos. Preciso entender o que
incomoda, qual estrutura está produzindo aquela alteração e até onde podemos
chegar sem criar uma promessa que o recurso não consegue cumprir. A técnica vem
depois dessa conversa”, explica.
O bioestimulador acompanha o
tempo do corpo
O bioestimulador atua sobre a produção de colágeno
e pode entrar no planejamento quando o objetivo envolve firmeza, sustentação e
qualidade da pele. A mudança acontece de forma progressiva, conforme a resposta
do organismo. Seu papel, porém, não é retirar tecido excedente nem reproduzir o
reposicionamento alcançado por uma operação.
“O bioestimulador não redesenha uma região de uma
hora para outra. Ele trabalha com o processo biológico do paciente. Pode ajudar
quando existe perda de qualidade da pele, mas encontra um limite diante de uma
flacidez mais acentuada. Reconhecer esse teto evita frustração e impede que a
pessoa seja submetida a aplicações sucessivas em busca de um efeito que depende
de outra abordagem”, afirma Grisi.
Essa distinção também ajuda a afastar a ideia de
que todo sinal de envelhecimento ou mudança corporal será resolvido com
estímulo de colágeno. Estado da pele, variações de peso, idade, estrutura
muscular e tratamentos anteriores interferem no plano.
Volume tem função e também tem
limite
O preenchimento ocupa outro lugar. Ele pode repor
volume, suavizar depressões, corrigir assimetrias e trabalhar pontos do
contorno facial ou corporal. O problema aparece quando se tenta usar mais
produto para compensar uma sobra de pele ou um deslocamento de tecidos.
“Preencher faz sentido quando a falta de volume
participa da queixa. Se a questão principal estiver na queda ou no excesso de
tecido, acrescentar produto pode pesar naquela área sem resolver a origem do
incômodo. Em estética, quantidade não substitui indicação. Às vezes, o melhor
resultado surge justamente da decisão de colocar menos”, comenta o
médico.
O planejamento precisa considerar ainda o que já
foi aplicado naquela região. Procedimentos anteriores, materiais de longa
permanência e alterações provocadas pelo tempo podem mudar a conduta. Por isso,
omitir informações durante a consulta compromete a avaliação e amplia riscos.
A cirurgia começa onde os
injetáveis já não alcançam
A indicação cirúrgica pode surgir quando é
necessário retirar pele, reposicionar tecidos ou corrigir uma alteração
estrutural. Ela envolve anestesia, cicatriz e recuperação, fatores que precisam
ser discutidos com o profissional responsável. Ainda assim, adiar essa
possibilidade a qualquer custo nem sempre representa uma escolha mais
conservadora.
“Existe uma resistência compreensível à cirurgia,
como se recorrer a ela significasse que os outros tratamentos falharam. Não
vejo dessa forma. Cada recurso tem um campo de atuação. Quando a anatomia pede
reposicionamento ou retirada de tecido, insistir em injetáveis pode apenas
prolongar o caminho e acumular intervenções que não responderão à queixa”,
observa Aldo Grisi.
As possibilidades também não precisam disputar
espaço. Dependendo do caso, um procedimento pode preparar a pele, outro
recuperar um ponto de volume e a cirurgia tratar o componente estrutural. Em
outras situações, uma única intervenção será suficiente. Há ainda momentos em
que a orientação pode ser não realizar nada.
“Personalizar não é montar uma lista maior de
procedimentos. É retirar do plano tudo o que não serve para aquela pessoa. Em
algumas consultas, combino caminhos. Em outras, indico somente um. E, quando a
expectativa está distante do que a medicina pode entregar, dizer ‘não’ também
faz parte do cuidado”, acrescenta.
Minimamente invasivo ainda
exige responsabilidade
A ausência de cortes não transforma um injetável em
prática sem risco. A escolha deve incluir produto registrado na Anvisa,
respeito às regiões previstas nas indicações de uso, conhecimento de anatomia e
acompanhamento. O paciente também precisa receber informações sobre possíveis
complicações e saber qual substância foi utilizada.
“Minimamente invasivo descreve a forma de acesso ao
tecido, não o tamanho da responsabilidade. Origem do produto, indicação,
técnica e seguimento importam do início ao fim. O paciente precisa entender o
que será aplicado, por qual motivo, o resultado possível e como a equipe agirá
se o organismo responder de maneira diferente”, ressalta Grisi.
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