Alterações
internas após a queda na balança ajudam a entender por que preservar o
resultado exige uma estratégia própria
Um estudo publicado em agosto de 2026 no European
Journal of Clinical Nutrition acompanhou 294 adultos com sobrepeso ou obesidade
atendidos em um programa de controle de peso na China e mostrou que 52%
recuperaram pelo menos 25% dos quilos perdidos ao longo de cerca de três anos.
Os participantes haviam seguido uma dieta com restrição de carboidratos, e os
pesquisadores analisaram dados clínicos e informações sobre hábitos de vida
para identificar o que favorecia o reganho. Histórico familiar de obesidade
elevou esse risco, enquanto dormir entre seis e oito horas por noite apareceu
como fator de proteção, reforçando que sustentar o emagrecimento envolve aspectos
que vão além da alimentação e da disciplina.
Bruna Makluf, nutricionista e especialista em saúde metabólica,
é diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde
personalizada e nutrição de precisão. Para ela, atribuir o retorno dos quilos
apenas ao comportamento ignora respostas do próprio corpo. “O efeito sanfona
envolve mecanismos que não dependem somente de força de vontade. Depois da
perda de peso, podem ocorrer aumento da fome, mudanças na saciedade e redução
do gasto energético. Por isso, chegar ao objetivo e permanecer nele exigem
estratégias diferentes”, afirma a nutricionista.
Parte dessa dificuldade está nas adaptações
fisiológicas provocadas pela redução corporal. Uma meta análise publicada no
International Journal of Obesity, que reuniu 127 estudos, identificou aumento
da grelina total, hormônio relacionado à fome, após a perda de peso. Parte dos
trabalhos também encontrou redução de sinais associados à saciedade, como PYY e
GLP 1 ativo.
Na prática, essas respostas ajudam a explicar por
que repetir por meses a mesma estratégia utilizada durante a fase de perda nem
sempre funciona para manter os resultados. Composição corporal, massa muscular,
atividade física, qualidade do sono, alimentação e comportamento passam a ter
peso nessa etapa.
A genética também começa a ampliar a compreensão
sobre as diferenças individuais. Um estudo publicado em 2026 na revista Obesity
analisou dados de mulheres após a menopausa e encontrou associação entre maior
predisposição genética à obesidade e recuperação mais rápida dos quilos eliminados
em parte das participantes. Os pesquisadores ressaltam que esse tipo de
informação não permite prever, isoladamente, quem voltará a engordar.
“Genética não determina o resultado, mas pode
revelar características que merecem atenção. Quando essa informação é analisada
junto com sono, fome, metabolismo e hábitos, conseguimos compreender melhor
porque duas pessoas podem responder de maneiras diferentes ao mesmo método”,
explica a especialista em saúde metabólica.
Manter o peso exige outra
estratégia
Para Bruna, existe uma importância de não tratar a
manutenção como uma etapa secundária. Mudanças no sono, aumento da fome,
redução de massa muscular, alterações na rotina e dificuldade para conservar
hábitos podem indicar que a conduta precisa ser revista antes que o ganho se
consolide.
Na WeFit, o acompanhamento nutricional combina
informações sobre genética, microbiota intestinal, exames e hábitos de vida
para orientar protocolos individualizados. A healthtech também utiliza recursos
digitais para acompanhar a evolução dos pacientes e permitir ajustes ao longo
da jornada.
“Para reduzir o risco de efeito sanfona, a
manutenção precisa ser pensada desde o início. Não basta descobrir como aquela
pessoa perde peso. É preciso entender o que ela consegue sustentar na própria
rotina e quais fatores podem interferir nesse processo ao longo do tempo”,
ressalta Bruna, ao defender que o período posterior à redução na balança faça
parte do planejamento nutricional.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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Fontes de Pesquisa
Nature / European Journal of Clinical Nutrition
https://www.nature.com/articles/s41430-026-01815-1
Nature / International Journal of Obesity
https://www.nature.com/articles/s41366-025-01726-4
PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41792585/
PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41938838/
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