Planejamento das refeições, organização das
compras e congelamento são estratégias apontadas por Mari Escobar para
facilitar escolhas mais equilibradas no cotidiano
A
presença dos alimentos ultraprocessados é cada vez mais frequente na dieta
diária da população, o avanço da indústria alimentícia, a globalização
comercial de produtos e principalmente a gestão de tempo, são fatores determinantes
para o consumo desses alimentos.
Diante
desse cenário, os ultraprocessados representam, em média, 20,2% das calorias
consumidas pela população brasileira, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde
Pública da Universidade de São Paulo (USP), publicada em 2025. O levantamento
estimou a participação desses produtos na alimentação dos moradores dos 5.570
municípios do país e apontou médias mais altas nas áreas urbanas e nas capitais.
O
dado reforça a importância de manter um cardápio equilibrado e variado no dia a
dia, especialmente diante de uma rotina que muitas vezes favorece escolhas
rápidas e práticas. Mais do que restringir determinados produtos, a
nutricionista Mari Escobar defende que dietas precisam ser viáveis e
compatíveis com a realidade de cada pessoa.
“Alimentação
saudável não pode ser tratada como algo distante da vida real. Se a estratégia
exige tempo, dinheiro ou uma rotina que a pessoa não tem, ela não será
sustentável. O caminho é encontrar soluções práticas e equilibradas que possam
ser incorporadas ao dia a dia”, explica.
Planejamento reduz decisões
de última hora
Uma
das estratégias apontadas pela nutricionista é antecipar parte das decisões
sobre as refeições. Em vez de escolher o que comer apenas quando a fome
aparece, a recomendação é reservar um momento da semana para organizar alguns
dos pratos para os dias seguintes.
O
planejamento não precisa resultar em um cardápio rígido ou exigir que todas as
receitas sejam preparadas com antecedência. A ideia é criar uma estrutura que
reduza os improvisos, principalmente nos dias mais corridos.
“Quando a
pessoa já sabe quais opções tem disponíveis, fica mais fácil montar uma
refeição equilibrada. Planejar não significa controlar tudo, mas diminuir o
número de decisões que precisam ser tomadas na última hora”, afirma
a nutricionista.
Segundo
Mari, o primeiro passo é identificar os dias de maior correria e definir
previamente algumas das principais refeições desses períodos. Com isso, também
fica mais fácil organizar as compras e elaborar a lista de supermercado de
acordo com o que será preparado e consumido.
Congelamento pode facilitar
a rotina
O
congelamento é uma ferramenta de organização que permite preparar refeições com
antecedência e consumi-las em outros momentos. A estratégia pode ser útil
especialmente para quem passa boa parte do dia fora de casa ou tem horários
pouco previsíveis.
Para
a nutricionista, porém, a praticidade deve vir acompanhada de atenção à
composição dos pratos e às necessidades individuais.
“Praticidade
não precisa ser sinônimo de abrir mão da qualidade. Um congelado pode fazer
parte de uma alimentação equilibrada quando há atenção à sua composição e
quando aquela opção atende às necessidades da pessoa”, destaca.
A
proposta de combinar praticidade e organização também está presente na Casa
L’amary, empreendimento fundado por Mari em Ribeirão Preto, que oferece
refeições congeladas como alternativa para facilitar a rotina alimentar.
Alimentação possível é mais
sustentável
Para
Mari, uma rotina alimentar sustentável não depende de fazer tudo perfeitamente,
mas de encontrar soluções que possam ser mantidas ao longo do tempo.
“Quando
pensamos em alimentação, precisamos olhar para a vida real. Existem semanas
mais tranquilas e outras mais intensas. Ter uma estrutura mínima, com refeições
organizadas e opções práticas à disposição, ajuda a manter esse cuidado mesmo
quando a rotina muda”, resume.
A
organização pode começar com poucos passos: escolher algumas refeições da
semana, planejar as compras, antecipar parte do preparo e manter opções
congeladas para os dias mais movimentados.
Segundo
a especialista, a proposta é fazer com que a alimentação deixe de ser uma
decisão tomada sempre de última hora e passe a ocupar um espaço mais previsível
na rotina, com escolhas compatíveis com a realidade de cada pessoa.

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