Você
já ficou sem voz depois de uma gripe forte? Ou precisou fazer esforço enorme
para falar durante horas em reunião, aula ou local barulhento? Essas situações
são comuns e passageiras. Mas quando a rouquidão persiste – ou você sente
desconforto para falar/cantar mesmo sem rouquidão óbvia, é sinal de alerta. A
disfonia afeta 1/3 da população em algum momento da vida e pode revelar desde
inflamações até câncer de laringe.
A
rouquidão leve, que surge após uma infecção respiratória ou após um uso
exagerado da voz, geralmente melhora espontaneamente com repouso vocal e boa
hidratação em poucos dias. No entanto, quando essa alteração vocal persiste por
duas semanas ou mais, é fundamental procurar avaliação médica especializada.
O
exame de videolaringoscopia, que pode ser realizado no próprio consultório
médico, permite visualizar a laringe, que é o órgão onde estão as cordas
vocais, e identificar a causa do problema. Vale lembrar que a rouquidão é
apenas um sintoma – o que realmente importa é descobrir e tratar a doença que a
causa. Entre as principais causas de disfonia, encontramos lesões benignas como
nódulos vocais (os famosos "calos vocais") e pólipos; infecções por
vírus, bactérias ou fungos; refluxo laringofaríngeo ou outras doenças que
causam irritação da laringe como um todo; doenças neurológicas ou paralisia de
corda vocal; e até doenças malignas, como o câncer de laringe.
Se
houver sintomas associados graves, não é necessário esperar as duas semanas:
dor ao engolir, dificuldade para engolir alimentos, falta de ar, caroço no
pescoço ou história de tabagismo exigem avaliação imediata, especialmente em
pessoas acima de 40 anos ou profissionais que dependem da voz
profissionalmente.
O que a voz revela sobre a saúde
O
som da voz é produzido quando o ar proveniente dos pulmões passa pelas cordas
vocais, localizadas na laringe. As pregas vocais se aproximam, criando
resistência ao fluxo aéreo que provoca sua vibração e transforma energia
mecânica em som. Esse som primitivo é então refinado pela faringe, boca, língua
e cavidades nasais para formar as palavras que pronunciamos.
Diversas
condições conseguem interferir nesse mecanismo tão preciso: lesões que impedem
o adequado fechamento das cordas vocais, fatores que prejudicam sua vibração ou
situações que comprometem o controle neuromuscular das estruturas envolvidas na
fonação. O câncer de laringe, com aproximadamente 7.790 novos casos anuais no
Brasil (INCA 2023-25), frequentemente se apresenta de forma insidiosa apenas
com rouquidão aparentemente simples. Diagnosticado precocemente, oferece taxa
de cura superior a 90% sem sequelas graves; identificado tardiamente, reduz
drasticamente as chances de cura e deixa sequelas significativas. O ideal,
portanto, é identificar e tratar lesões antes que evoluam para malignidade.
Prevenção e cuidado vocal: orientações simples para preservar a voz e
evitar o agravamento de problemas que podem se tornar crônicos:
- Não
use medicamentos sem indicação médica. Mesmo produtos considerados
"naturais" podem, além de prejudicar a voz, atrasar diagnóstico
e tratamento corretos.
- Não
use a voz excessivamente sem cuidados necessários. Não grite quando
estiver com sintomas de gripe ou já estiver rouco, isso pode piorar a
inflamação das cordas vocais.
- Não
fume e não inale nenhuma substância que não seja medicamento prescrito
pelo seu médico. Qualquer produto inalado sempre irá passar pelas cordas
vocais e prejudicá-las, além de ter potencial risco de intoxicação.
- Tome
muita água, ao menos 2L/dia.
- Tenha uma alimentação e hábitos saudáveis.
É sempre
importante prestar atenção aos sinais e saber ouvir o corpo. Em caso de dúvida,
consulte sempre o seu médico Otorrinolaringologista.
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