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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Volta às aulas reacende alerta para bullying e impactos emocionais em crianças e adolescentes

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que o número de vítimas de violência interpessoal em escolas brasileiras mais que triplicou nos últimos dez anos

 

O início do ano letivo traz à tona um problema persistente no ambiente escolar: o bullying e seus impactos emocionais. A experiência cotidiana de intimidação entre estudantes não está restrita a contextos isolados, sendo apontada por organismos internacionais e por dados oficiais como um desafio estrutural que atravessa diferentes realidades educacionais. 

Segundo a Unesco, o bullying, definido como prática repetitiva de agressão física, verbal ou psicológica, é um problema que permeia os sistemas educacionais como um todo, exigindo atenção contínua de escolas, famílias e formuladores de políticas públicas. 

No Brasil, dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam que a violência interpessoal no contexto escolar tem crescido de forma expressiva: enquanto em 2013 foram registradas 3,7 mil vítimas, o número saltou para 13,1 mil em 2023, um aumento de mais de três vezes no período de dez anos. Essas ocorrências contemplam estudantes, professores e outros membros das comunidades escolares, incluindo casos de intimidação, hostilidades e discriminação repetitiva entre pares. 

O bullying pode se manifestar de maneiras diversas, desde agressões físicas e verbais até exclusão social e ameaças constantes, e costuma estar associado a consequências sérias para a saúde emocional de crianças e adolescentes, como ansiedade, depressão, queda do rendimento escolar e evasão. Esses riscos tendem a se intensificar no período de adaptação ao retorno às aulas, quando as relações sociais estão em reorganização. 

Para a psicóloga e pesquisadora Karen Scavacini, fundadora do Instituto Vita Alere, reconhecer o bullying como um fator de sofrimento emocional é essencial para uma resposta eficaz. “Tratar o bullying como algo passageiro ou uma fase pode atrasar intervenções necessárias. Uma escuta qualificada, validação do sofrimento e encaminhamentos coordenados entre escolas e famílias podem transformar trajetórias e reduzir riscos de sofrimento mais profundo”, afirma. 

O Programa Escola que Protege, do Ministério da Educação, reforça que a resposta ao bullying precisa ser estruturada e contínua, com registro formal das ocorrências, comunicação com responsáveis, preservação de evidências — especialmente em casos de violência digital — e acompanhamento sistemático da vítima, do agressor e da turma. Em situações graves ou reincidentes, a orientação é acionar instâncias como Conselho Tutelar, Ministério Público ou delegacias especializadas, a fim de garantir proteção e responsabilização adequadas.

 

Instituto Vita Alere

 

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