SBMFC reforça a importância da vacina
contra a dengue como uma estratégia essencial para reduzir casos graves da
doença e internações, além de destacar a necessidade de manutenção das medidas
de prevenção pela população
A dengue permanece como um dos principais desafios da
saúde pública no Brasil. Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a
doença é a arbovirose mais frequente no país e pode evoluir para quadros graves
e até óbito. A partir de 9 de fevereiro, a vacina contra a dengue começa a ser
disponibilizada para profissionais de saúde, fazendo do Brasil o primeiro país
do mundo a ofertar essa imunização por meio do sistema público. A Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) reforça a importância da
vacina e alerta sobre a prevenção.
Segundo a médica de família e comunidade Jéssica Arantes, diretora
da Associação Mineira de Medicina de Família e Comunidade e membra da SBMFC, o
aumento expressivo de casos nos últimos anos evidencia a necessidade de novas
estratégias de controle. “A vacina contra a dengue é uma ferramenta segura e
eficaz. Será aplicada em dose única e oferece proteção contra os quatro
sorotipos do vírus. Seu uso tem potencial para reduzir de forma significativa
as formas graves da doença e o número de hospitalizações”, afirma.
O Ministério da Saúde já anunciou que, a médio prazo, pretende
ampliar a vacinação para toda a população entre 15 e 59 anos, além dos
adolescentes que já têm acesso à imunização pelo SUS. Neste primeiro momento,
enquanto a vacina ainda não está disponível em larga escala, a estratégia
prioriza os profissionais de saúde da Atenção Primária, com início da vacinação
em fevereiro de 2026.
De acordo com Jéssica, a priorização desse grupo se deve à atuação
direta no atendimento à população e à maior exposição ao vírus. “Esses
profissionais estão na linha de frente, realizam visitas domiciliares e atuam
em territórios com alta circulação do mosquito. A vacinação contribui para a
proteção individual, reduz o risco de afastamentos e ajuda a garantir o
funcionamento das Unidades Básicas de Saúde nos períodos de maior transmissão
da dengue. Além disso, fortalece a confiança da população nas vacinas como
ferramenta central no enfrentamento da doença”, destaca.
A SBMFC reforça que, enquanto a vacinação não alcança toda a
população, é fundamental manter os cuidados preventivos e estar atento aos
sintomas da dengue. Mesmo pessoas vacinadas devem continuar adotando medidas de
prevenção, já que não há tratamento específico para a doença e a transmissão
segue ocorrendo.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores no corpo e nas articulações, dor de cabeça e atrás dos olhos, náuseas e manchas vermelhas na pele. As principais formas de prevenção incluem a eliminação de focos de água parada, o uso de repelentes em períodos de maior transmissão, a instalação de telas em portas e janelas e a limpeza regular de calhas, lajes e ralos. E sempre que precisar de apoio médico, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima.
Sobre a Medicina de Família e Comunidade
A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica,
assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de
família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e
da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas
ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença,
integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse
profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma
doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções
excessivas ou desnecessárias.
O MFC é um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza
abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas
de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um
coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde
dos seus pacientes e da comunidade.
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
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