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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O fim da "água barata": por que o reuso é a única saída para a sobrevivência industrial

 

Durante décadas, a indústria brasileira operou sob um dogma que parecia imutável, a água era um recurso infinito e, acima de tudo, barato. Captar de rios ou poços e descartar efluentes na rede pública eram vistos apenas como tarefas burocráticas e custos operacionais marginais. Mas esse cenário mudou drasticamente. A era da "água barata" chegou ao fim, e quem não entender que o reuso é a única saída estratégica para a sobrevivência no mercado corre o risco de ver sua operação secar — financeira e fisicamente. 

O Brasil é, reconhecidamente, uma potência hídrica. No entanto, a abundância no mapa não se traduz em disponibilidade na torneira industrial. O estresse hídrico em polos produtivos, somado à instabilidade climática que alterna secas severas e inundações, criou uma nova variável para o gestor, a insegurança operacional. Hoje, a pergunta não é mais quanto custa a água, mas sim quanto custa para a sua empresa ficar um dia com a linha de produção parada por falta dela. 

Muitas vezes, nas conversas com diretores e gerentes de planta, percebo uma resistência focada no CAPEX (investimento inicial) de sistemas de tratamento e reuso. É um erro de visão. Tratar a água e o efluente não deve ser visto como um "mal necessário" para cumprir legislações ambientais, mas como uma estratégia de mitigação de risco e eficiência de OPEX (custo operacional). 

Quando implementamos tecnologias de dosagem de precisão e sistemas avançados de tratamento, estamos, na verdade, criando uma "seguradora hídrica" dentro da fábrica. O efluente que antes era descartado, muitas vezes acompanhado de multas ou taxas elevadas, torna-se um ativo precioso que retorna ao processo em torres de resfriamento, caldeiras ou limpezas de pátio. Isso reduz drasticamente a dependência de fontes externas e protege o fluxo de caixa contra aumentos tarifários abusivos. 

Para que o reuso funcione, a palavra-chave é confiabilidade. Não há espaço para amadorismo quando a água de reuso entra em contato com máquinas de alto valor ou processos sensíveis. É aqui que a engenharia de ponta se faz necessária. A digitalização e o controle rigoroso da dosagem de produtos químicos garantem que a água recuperada tenha a qualidade exata para sua nova função, sem riscos de corrosão ou contaminação. 

O reuso é a aplicação máxima da economia circular, ou seja, nada se perde, tudo se transforma em valor. As empresas que já adotaram essa mentalidade não estão apenas sendo "verdes", elas estão se tornando mais competitivas. Possuem custos de produção mais previsíveis e uma imagem institucional blindada perante investidores e consumidores que exigem práticas reais de ESG. 

O futuro da indústria não permite mais o desperdício. O gestor que ainda espera a crise hídrica bater à porta para pensar em tratamento de efluentes está, na verdade, administrando o declínio de sua própria empresa. 

O reuso não é mais uma opção para o futuro, é a condição para o presente. Investir em autonomia hídrica é garantir que a sua produção continue fluindo, independentemente das incertezas do clima ou das tarifas. Afinal, em um mercado cada vez mais apertado, a água mais cara é aquela que você não tem.

  

Engº Francisco Carlos Oliver - diretor técnico industrial da Fluid Feeder Indústria e Comércio Ltda., especializada em tratamento de água e de efluentes por meio de soluções personalizadas. www.fluidfeeder.com.br

 

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