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Com mais de 11% de mulheres afetadas no Brasil, especialista em saúde vascular explica o lipedema e indica hábitos que ajudam no controle dos sintomas
Estudos da Sociedade Brasileira de Angiologia e de
Cirurgia Vascular de São Paulo (SBACV-SP) apontam que aproximadamente 11% das
mulheres são acometidas pelo lipedema, mesmo sem saber. Dentre este número,
encontram-se as celebridades Rafa Brites (influenciadora), que viralizou nas
redes recentemente ao compartilhar sobre o assunto e Yasmin Brunet (ex-BBB), que
sofreu com comentários causados pela condição durante o programa. O lipedema,
comumente confundido com celulite e obesidade, é, na verdade, uma doença
crônica que causa aumento desproporcional de gordura nas pernas e, em alguns
casos, nos braços, provocando desconforto e dor na região afetada, além de
inchaço e aparência de furinhos na pele.
Com prevalência de 90% dos casos em mulheres, o
lipedema é uma condição associada a fatores genéticos e hereditários e pode ser
agravada por alterações em hormônios femininos, como o estrogênio e a
progesterona. Também chamada de síndrome da gordura dolorosa, a condição é
provocada por alterações hormonais que fazem com que a gordura se deposite em
regiões específicas.
“Como uma síndrome inflamatória gordurosa, a doença
envolve sinais e sintomas que corroboram para o seu diagnóstico. Os pacientes
geralmente têm tendência a acumular gordura inflamada, formando nodulações
dolorosas em partes específicas do corpo, mais comuns em membros inferiores, na
região de culote e quadril. Em alguns casos, também podem surgir sinais no
abdômen e nos membros superiores”, explica a médica vascular e especialista em
medicina do estilo de vida, Dra. Anna Paula Weinhardt.
Segundo a médica, esse aumento desproporcional de
gordura não tem relação com a obesidade ou o excesso de peso, sendo
caracterizado por um fator genético que afeta o sistema linfático e a
microvasculatura, apresentando sinais claros.
“Os principais sintomas observados em pessoas que
sofrem de lipedema são: dor ao toque, peso nos membros inferiores, má
circulação e sensação de inchaço nas pernas ao final do dia, além da
fragilidade nos vasos sanguíneos, que gera equimoses (manchas roxas) pelo corpo
sem que a pessoa tenha batido ou a região afetada sofrido qualquer trauma”, reforça.
Dra. Anna Paula explica que muitas pessoas ignoram
esses sinais e acabam postergando o diagnóstico e as mudanças necessárias no
estilo de vida. Ela esclarece que, mesmo que o lipedema não tenha cura, é
possível aliviar os sintomas e viver com muito mais qualidade de vida por meio
de um tratamento multidisciplinar adequado e da adoção de hábitos mais
saudáveis. A médica vascular destaca alguns deles:
- Alimentação equilibrada e anti-inflamatória: uma dieta com alimentos
ricos em fibras e proteínas, com ação anti-inflamatória — como frutas e
vegetais frescos — e que priorize a redução de laticínios, carboidratos de
alto índice glicêmico, açúcares e industrializados, ajuda a manter um peso
adequado e, consequentemente, a aliviar os sintomas do lipedema.
- Prática regular de exercícios físicos de baixo
impacto:
apesar da dificuldade de mobilidade que alguns pacientes podem apresentar,
a rotina de exercícios físicos é fundamental para o tratamento do
lipedema. A indicação da especialista é manter uma rotina de exercícios
aeróbicos e de baixo impacto, como os realizados na água,associados à
musculação customizada para cada caso.. Essa prática melhora a circulação
e favorece menor acúmulo de gordura nas regiões afetadas.
- Procedimentos personalizados e individualizados: além da alimentação e da
prática de atividade física, outros elementos podem colaborar para a
melhora dos sintomas do lipedema, principalmente a drenagem linfática. A terapia
específica reduz as dores, o inchaço, melhora a circulação linfática e sanguínea
e, a longo prazo, impacta a progressão da doença e o conforto geral do
paciente.

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