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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Osteoartrite: desgaste das articulações afeta mobilidade e qualidade de vida

Doença articular crônica e progressiva pode evoluir silenciosamente e, em estágios avançados, exigir cirurgia, alerta especialista em quadril

 

 

A osteoartrite é uma das doenças articulares mais comuns no mundo e representa uma das principais causas de dor e limitação de movimento, especialmente entre adultos e idosos. Caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem, que é o tecido responsável por amortecer o impacto entre os ossos, a condição pode comprometer significativamente a qualidade de vida quando não diagnosticada e acompanhada adequadamente.

 

Segundo o médico ortopedista Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT e oncologista ortopédico pela ABOO, o processo é lento, mas contínuo.

“Com o passar do tempo, a cartilagem perde elasticidade, fica mais fina e pode até desaparecer em algumas áreas. Isso faz com que os ossos passem a se chocar diretamente, gerando dor, rigidez e limitação dos movimentos”, explica.

 

Por ser uma doença crônica e progressiva, a osteoartrite não tem cura definitiva e tende a evoluir ao longo dos anos. “Sem acompanhamento adequado, o desgaste articular pode levar a deformidades, perda funcional importante e, em muitos casos, à necessidade de intervenção cirúrgica”, destaca o especialista.

 

Embora o envelhecimento seja um fator importante, ele não é o único responsável pelo desenvolvimento da doença. Sobrepeso, histórico de lesões articulares, atividades de impacto sem preparo adequado, esforço repetitivo, alterações do eixo dos membros e predisposição genética também aceleram o desgaste da cartilagem.

 

As articulações mais afetadas costumam ser joelhos, quadris, coluna, mãos e ombros, por serem regiões comumente submetidas a maior carga ou a movimentos repetitivos ao longo da vida. Os sintomas mais comuns incluem dor, que piora com o uso da articulação, rigidez ao acordar ou após períodos de repouso, inchaço e perda de mobilidade. Com a progressão da doença, a dor pode se tornar constante e a limitação funcional mais evidente.

 

O Dr. Fábio Elói ressalta que nem toda dor articular é osteoartrite. “A dor da osteoartrite costuma estar relacionada ao movimento e melhora com o repouso. Já inflamações agudas causam dor contínua, calor local e inchaço. Lesões traumáticas, por sua vez, têm início súbito. Dores persistentes, noturnas ou fora desse padrão precisam ser investigadas com atenção para afastar outras causas, inclusive tumores ósseos ou metástases”, alerta.

 

Diagnóstico e tratamento

 

O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica e confirmado por exames de imagem. A radiografia é o exame mais utilizado, pois evidencia a redução do espaço articular e alterações ósseas. Em casos selecionados, a ressonância magnética pode ser indicada para avaliar melhor a cartilagem e estruturas associadas, além de descartar outras doenças.

 

O tratamento da osteoartrite é sempre individualizado e pode incluir controle do peso, fisioterapia, fortalecimento muscular, uso de medicamentos para alívio da dor, infiltrações articulares e, nos casos mais avançados, cirurgia. “A indicação cirúrgica acontece quando o tratamento conservador já não consegue controlar os sintomas ou preservar a função da articulação. Hoje, contamos tanto com procedimentos de preservação articular quanto com próteses, que devolvem mobilidade e qualidade de vida ao paciente”, conclui.

 

Analgésicos e anti-inflamatórios: cautela

 

Os analgésicos e anti-inflamatórios têm papel importante no controle da dor e do desconforto da osteoartrite, ajudando o paciente a manter a mobilidade. No entanto, eles não tratam a causa da doença, apenas os sintomas. O uso contínuo ou sem orientação médica pode trazer riscos, como problemas gástricos, renais e cardiovasculares, além de mascarar doenças mais graves que também cursam com dor articular.

 

O papel do colágeno

 

O colágeno é um dos principais componentes da cartilagem e contribui para sua resistência e elasticidade. Em alguns pacientes, a suplementação pode auxiliar como estratégia complementar, especialmente nos estágios iniciais da osteoartrite. No entanto, ela não substitui outras formas de tratamento, como fisioterapia, controle do peso, medicamentos ou cirurgia, quando indicada, e deve sempre ser utilizada com orientação médica.

 

 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopédico pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO)



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