Doença articular crônica e progressiva pode evoluir
silenciosamente e, em estágios avançados, exigir cirurgia, alerta especialista
em quadril
A osteoartrite é uma das doenças articulares mais comuns no mundo e representa uma das principais causas de dor e limitação de movimento, especialmente entre adultos e idosos. Caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem, que é o tecido responsável por amortecer o impacto entre os ossos, a condição pode comprometer significativamente a qualidade de vida quando não diagnosticada e acompanhada adequadamente.
Segundo o médico ortopedista Dr. Fábio
Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ),
especialista em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT e oncologista ortopédico
pela ABOO, o processo é lento, mas contínuo.
“Com o passar do tempo, a cartilagem perde
elasticidade, fica mais fina e pode até desaparecer em algumas áreas. Isso faz
com que os ossos passem a se chocar diretamente, gerando dor, rigidez e
limitação dos movimentos”, explica.
Por ser uma doença crônica e progressiva,
a osteoartrite não tem cura definitiva e tende a evoluir ao longo dos anos.
“Sem acompanhamento adequado, o desgaste articular pode levar a deformidades,
perda funcional importante e, em muitos casos, à necessidade de intervenção
cirúrgica”, destaca o especialista.
Embora o envelhecimento seja um fator
importante, ele não é o único responsável pelo desenvolvimento da doença.
Sobrepeso, histórico de lesões articulares, atividades de impacto sem preparo
adequado, esforço repetitivo, alterações do eixo dos membros e predisposição
genética também aceleram o desgaste da cartilagem.
As articulações mais afetadas costumam ser
joelhos, quadris, coluna, mãos e ombros, por serem regiões comumente submetidas
a maior carga ou a movimentos repetitivos ao longo da vida. Os sintomas mais
comuns incluem dor, que piora com o uso da articulação, rigidez ao acordar ou
após períodos de repouso, inchaço e perda de mobilidade. Com a progressão da
doença, a dor pode se tornar constante e a limitação funcional mais evidente.
O Dr. Fábio Elói ressalta que nem toda dor
articular é osteoartrite. “A dor da osteoartrite costuma estar relacionada ao
movimento e melhora com o repouso. Já inflamações agudas causam dor contínua,
calor local e inchaço. Lesões traumáticas, por sua vez, têm início súbito.
Dores persistentes, noturnas ou fora desse padrão precisam ser investigadas com
atenção para afastar outras causas, inclusive tumores ósseos ou metástases”, alerta.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito a partir da
avaliação clínica e confirmado por exames de imagem. A radiografia é o exame
mais utilizado, pois evidencia a redução do espaço articular e alterações
ósseas. Em casos selecionados, a ressonância magnética pode ser indicada para
avaliar melhor a cartilagem e estruturas associadas, além de descartar outras
doenças.
O tratamento da osteoartrite é sempre
individualizado e pode incluir controle do peso, fisioterapia, fortalecimento
muscular, uso de medicamentos para alívio da dor, infiltrações articulares e,
nos casos mais avançados, cirurgia. “A indicação cirúrgica acontece quando o
tratamento conservador já não consegue controlar os sintomas ou preservar a
função da articulação. Hoje, contamos tanto com procedimentos de preservação
articular quanto com próteses, que devolvem mobilidade e qualidade de vida ao
paciente”, conclui.
Analgésicos e anti-inflamatórios: cautela
Os analgésicos e anti-inflamatórios têm
papel importante no controle da dor e do desconforto da osteoartrite, ajudando
o paciente a manter a mobilidade. No entanto, eles não tratam a causa da
doença, apenas os sintomas. O uso contínuo ou sem orientação médica pode trazer
riscos, como problemas gástricos, renais e cardiovasculares, além de mascarar
doenças mais graves que também cursam com dor articular.
O papel do colágeno
O colágeno é um dos principais componentes
da cartilagem e contribui para sua resistência e elasticidade. Em alguns
pacientes, a suplementação pode auxiliar como estratégia complementar,
especialmente nos estágios iniciais da osteoartrite. No entanto, ela não
substitui outras formas de tratamento, como fisioterapia, controle do peso,
medicamentos ou cirurgia, quando indicada, e deve sempre ser utilizada com
orientação médica.
Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela
Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em Ortopedia e
Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e
oncologista ortopédico pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica
(ABOO)
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