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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Impacto da popularização de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, no volume de alimentos consumidos ainda é baixo, mas exige atenção

Vendas oficiais das “canetas emagrecedoras” ainda não são estatisticamente responsáveis por uma redução no consumo de alimentos no Brasil, mas país observa aumento na busca por alimentos com proteína, o que pode estar relacionado ao medicamento, entre outros fatores

 

Apesar da crescente visibilidade dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, os dados mais recentes do varejo nacional não indicam, até o momento, mudanças relevantes nos volumes de compra de alimentos em supermercados e atacarejos diretamente relacionadas ao uso oficial dos medicamentos. Um levantamento feito pela Scanntech, empresa referência em inteligência de mercado através de tecnologia, aponta que o impacto da chegada destes medicamentos no Brasil sobre a venda total no canal alimentar permanece irrisório e restrito a poucas categorias, diferente do observado em mercados em que a penetração do medicamento já está consolidada, como nos Estados Unidos. 

Uma pesquisa conduzida pela Cornell University, da SC Johnson College of Business, mostrou que consumidores que passaram a utilizar medicamentos a base de GLP-1 reduziram, em média, 5,3% do consumo de alimentos após seis meses de uso, com queda progressiva ao longo do período. No entanto, a análise feita pela Scanntech revelou que, no Brasil, o crescimento no número oficial de vendas deste medicamento tem impacto próximo de zero em vendas na maioria dos setores alimentares, com estabilidade em mercearia básica e perecíveis. 

“O nosso levantamento considera a quantidade de alimentos vendidos em supermercados e atacarejos em relação ao crescimento de vendas oficiais desse tipo de medicamento no Brasil. Mas sabemos, por meio de reportagens, que há um mercado paralelo e que a utilização tende a ser maior que a divulgada oficialmente. Isso valida ainda mais o resultado da nossa análise de que, no país, não há impacto relevante de baixa nas vendas de alimentos provocada pelas canetas emagrecedoras”, diz Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech e responsável pelos estudos de mercado da empresa. “O que nós vemos, na verdade, é que o crescimento do uso destes medicamentos está inserido em uma mudança comportamental ainda mais ampla na busca por saudabilidade, bem-estar e performance”, afirma. 

A análise da Scanntech mostra que, apesar de não haver, até o momento, retração em vendas estatisticamente relacionadas ao crescimento do uso dos medicamentos, o ano de 2025 foi marcado por retração em categorias mais açucaradas e calóricas, ao mesmo tempo em que houve crescimento em categorias ligadas a proteínas e performance em atividades físicas. O volume de whey protein cresceu 117,1%, seguido por creatina, com alta de 84,1%. Cereais proteicos avançaram 18,4% e iogurtes proteicos cresceram 22,5%, assim como produtos pré e pós-treino. Os leites saborizados com maior teor de proteína tiveram alta de 15,8%.

Fontes: Cornell University (à esquerda) e Scanntech (à direita)
 

“A redução de calorias e o aumento de proteínas são notórias no consumo, mas são decorrentes tanto do uso das canetas quanto de um movimento mais amplo de busca por um corpo mais fitness. Enquanto pacientes de GLP-1 recebem indicação de aumentar o aporte de fibras e proteínas, pessoas buscando uma vida mais saudável já vinham realizando esta troca. Estes suplementos observam crescimento expressivo em um canal de consumo massivo como o alimentar, comprovando que a tendência saiu da bolha de atletas para ampliar o consumo na população geral. O contexto de saudabilidade e fitness se sobrepõe ao crescimento dos medicamentos - por exemplo, a busca pelo termo ‘academia’ no Google é 2,5 vezes maior do que pelo termo Mounjaro”, detalha Priscila. 

A Scanntech avalia que a potencial queda da patente e o consequente aumento do acesso aos medicamentos podem tornar seus efeitos no consumo mais visíveis, com relação direta e mensurável. “Por isso, seguimos acompanhando o tema de forma contínua, observando categorias, missões de compra e transformações no comportamento do shopper”, conclui Priscila.



Scanntech
scanntech@loures.com.br


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