Peça dirigida por Fernando Vilela traz em cena Pedro Granato e
Letícia Calvosa refletindo as estruturas sociais sob diferentes
perspectivas.
Dirigido por Fernando
Vilela, o espetáculo Escola Modelo propõe uma
reflexão direta sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da
educação brasileira. A montagem, protagonizada por Pedro
Granato e Letícia Calvosa, reestreia
no dia 28 de fevereiro, no Teatro VIVO, em São Paulo.
A dramaturgia de Bruno
Lourenço se constrói a partir do embate entre o privado e
o público, o sonho e o trabalho, articulando referências de pensadores como
Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz.
O espetáculo parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para atravessar o que é íntimo e o que é estrutural, o que é memória individual e política pública. Em cena, uma mulher negra que viveu os dilemas das cotas no acesso à universidade e um homem branco que atuou como gestor público de formação, refletem sobre como o racismo moldou suas trajetórias educacionais.
“Como estudante negra, sei que a formação
escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento
delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas
potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse
processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos
pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me
visse representada”, conta a atriz.
Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços. "Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais", reflete.
A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas)”, explica.
A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.
“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela.
A cenografia, inspirada no filme Dogville de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.
Ficha técnica:
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa. Direção: Fernando
Vilela. Dramaturgia: Bruno Lourenço. Desenho
de luz: Ariel Rodrigues. Direção de arte: Fernando
Vilela. Figurino: Thais Sakuma. Preparação
Vocal: Malú Lomando. Técnico de Palco e Técnico de
Som: Diego Leo. Técnico de Luz: Ariel
Rodrigues. Produção Executiva: Julia
Terron. Assistência de Produção: Diego
Leo. Fotos Divulgação: José de Holanda. Assessoria
de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção
e Realização:Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato. Direção
de Produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.
Ficha Técnica do Teatro Vivo:
Curadoria
e gestão: ANDRÉ ACIOLI
Coordenação
operacional: ELIS BRAGA e TÂNIA PAES
Coordenação
técnica: CLEBER ELI
Técnicos
auxiliares: BRUNO MAGIRO e MATHEUS XAVIER
Serviço:
TEATRO VIVO
Av.
Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi - São Paulo/SP - 04583-110
Capacidade do Espaço Convivência: 46 lugares
Temporada: De 28 de fevereiro a 29 de
março de 2026. Sábados às 20h e domingos às 18h.
Ingressos: R$ 80 (inteira)/ R$ 40
(meia)
https://bileto.sympla.com.br/event/114183/d/354203/s/2388949
Duração: 75 minutos.
Classificação: 14 anos.
Bilheteria: (11) 3430-1524 - Horário
de funcionamento da bilheteria: 2h antes da apresentação.
Estacionamento no local
Entrada
pela Av. Roque Petroni Jr, 1464
Valor R$30
Funcionamento 2h antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão

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