Com
o avanço da doença no mundo, Brasil pode registrar até 1,8 milhão de casos em
2026
Reprodução internet
De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro, foram
registrados mais de 4.640 casos de dengue e um óbito. Somente em 2025, foram
confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos no território paulista, o que reforça
o alerta para o avanço da doença na região.
O cenário local acompanha uma tendência nacional. Um estudo divulgado pelo
projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), em
parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getúlio
Vargas), estima que o país possa registrar 1,8 milhão de casos de dengue em
2026. Desse total, 54% das incidências devem se dar no Estado de São Paulo e
10% em Minas Gerais. A projeção indica uma leve alta em relação a 2025, quando
houve 1,7 milhão de casos prováveis da doença, segundo o Ministério da Saúde.
No
panorama global, a dengue também preocupa. Segundo a Organização Mundial da
Saúde (OMS), entre 100 e 400 milhões de pessoas podem ser infectadas todos os
anos. A dengue é uma das doenças transmitidas por mosquitos mais comuns no
mundo e nos últimos anos tem avançado para novas regiões fora das áreas
tropicais, incluindo partes da Europa e do Mediterrâneo Oriental.
Diante
desse cenário, para Juliana Damieli, pesquisadora de desenvolvimento de produto
e mercado Latam da BASF Soluções para a Agricultura, a expansão da doença está
relacionada a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, aumento das
temperaturas, chuvas intensas e fragilidade dos sistemas de saúde. “A maior
parte dos criadouros do Aedes aegypti está no ambiente domiciliar. Por
isso, inspeções frequentes e a eliminação de água acumulada são medidas
decisivas”, afirma.
A
especialista detalha que o mosquito passa por quatro fases de desenvolvimento:
ovo, larva, pupa e adulto. “Ovo, larva e pupa ocorrem exclusivamente em água.
Já o adulto é o responsável por transmitir vírus como dengue, zika e
chikungunya. Apenas as fêmeas se alimentam do sangue, pois precisam dele para
desenvolver os ovos e depois depositá-los”. Por isso, o controle mais eficaz
acontece antes da fase adulta.“Eliminar recipientes com água parada é a
principal forma de interromper o ciclo e reduzir a transmissão”, reforça.
Juliana
destaca que a transmissão também depende das condições ambientais. Temperaturas
mais altas aceleram o desenvolvimento do mosquito; alta umidade favorece a
sobrevivência das fêmeas; e períodos chuvosos aumentam a oferta de criadouros.
“Além disso, os ovos do Aedes aegypti são resistentes à dessecação e
podem permanecer viáveis por meses em ambiente seco, eclodindo quando voltam a
ter contato com água. Isso ajuda a explicar a persistência do vetor mesmo fora
dos períodos mais chuvosos”.
A
proximidade do mosquito com o ambiente humano (domicílio e peridomicílio)
também dificulta o controle baseado apenas em ações externas, já que há abrigo,
acesso a hospedeiros e muitos criadouros artificiais. “Urbanização desordenada
e manejo inadequado de resíduos aumentam o risco ao criar microambientes
favoráveis ao mosquito”, acrescenta.
Entre
os pontos que costumam passar despercebidos dentro de casa, a especialista chama
atenção para ralos pouco utilizados, comuns em banheiros externos, lavanderias
e áreas de serviço. “A água retida na caixa sifonada pode favorecer o
desenvolvimento de larvas. Como medida prática, a aplicação semanal de sal
nesses ralos ajuda a reduzir a sobrevivência das larvas e interromper o ciclo
do inseto”, orienta.
Ela
também ressalta que plantas como bromélias e bambus podem acumular água, mas
tendem a ter menor relevância epidemiológica do que criadouros artificiais. Já
plantas aromáticas, como citronela, manjericão e lavanda, podem contribuir como
repelentes naturais em ambientes internos e pouco ventilados, mas não eliminam
o mosquito nem substituem as medidas de controle.
Cuidados práticos em casa
Juliana
esclarece que pequenas atitudes no dia a dia fazem diferença na prevenção da
dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Entre as
principais recomendações estão:
- Eliminar qualquer acúmulo de água em recipientes, mesmo pequenos;
- Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios totalmente vedados;
- Lavar com água e sabão bebedouros de animais, bandejas de
refrigeradores e ralos pouco utilizados;
- Aplicar semanalmente sal nos ralos pouco utilizados;
- Manter calhas limpas e desobstruídas;
- Armazenar garrafas vazias com a abertura voltada para baixo;
- Descartar corretamente materiais que possam acumular água;
- Manter áreas externas livres de resíduos e objetos sem função;
- Preencher pratos de plantas com areia até a borda;
E
faz o alerta para o risco de resistência do mosquito aos inseticidas,
especialmente quando há uso repetido dos mesmos produtos. Segundo ela, o
mosquito pode desenvolver resistência rapidamente aos métodos tradicionais de
controle quando exposto continuamente aos mesmos princípios ativos.
“O
combate à dengue precisa combinar manejo ambiental, educação da população,
vigilância entomológica e melhorias estruturais. A soma dessas ações reduz de
forma mais sustentável a densidade do vetor e ajuda a prevenir surtos”,
finaliza a pesquisadora da BASF Soluções para a Agricultura.
Vacinação contra a dengue
Como
estratégia complementar de prevenção, a vacinação também surge como uma
ferramenta importante para reduzir o impacto da doença. Desenvolvida pelo
Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e que
induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue.
O
imunizante, a Butantan-DV, foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59
anos. Os estudos apontaram eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença,
mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações.
A imunização abrangerá nesse primeiro momento as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados.
BASF na Agricultura. Juntos pelo seu Legado.
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