Especialistas
explicam como os educadores podem identificar comportamentos violentos e
ensinar valores sociais desde cedo
A repercussão nacional do caso do cão Orelha gerou
indignação coletiva e reacendeu um debate urgente sobre como educar crianças e
adolescentes para respeitar e proteger os animais. O assunto se torna ainda
mais relevante diante do crescimento dos registros de maus-tratos no país.
Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o Brasil registrou 4.919
processos por maus-tratos a animais em 2025, média de cerca de 13 casos por
dia, número que evidencia a escalada desse tipo de violência e a necessidade de
ações preventivas em diferentes frentes da sociedade.
Ao mesmo tempo, reportagens e pesquisas dos últimos
anos — como a das pesquisadoras Beatriz Lemos, Letícia Oliveira e Tatiana
Azevedo — apontam para o aumento de comunidades de jovens
em redes sociais, especialmente Discord e Twitter, focadas em compartilhar e
incentivar atos de violência e outros comportamentos criminosos.
Para Andréa Piloto, diretora da Escola Vereda, tanto
familiares quanto educadores podem formar uma rede de proteção de crianças e
adolescentes em relação a esse tipo de conteúdo, além de facilitarem a
identificação e correção desses comportamentos quando necessário. “A escola
pode observar mudanças de comportamento, falta de empatia, relatos de agressões
ou brincadeiras violentas recorrentes. O objetivo não é punir, mas compreender
e agir antes que situações mais graves aconteçam”, explica. Segundo ela,
educadores também podem atuar em parceria com psicólogos e equipes pedagógicas
para identificar possíveis sinais de sofrimento emocional ou comportamentos de
risco.
Outro processo sugerido pela especialista é
utilizar o espaço escolar para desenvolver valores humanos essenciais. “Quando
ensinamos o cuidado com os animais, estamos ensinando responsabilidade, empatia
e limites. A educação precisa ir além do conteúdo acadêmico e trabalhar a
formação emocional e ética das crianças desde pequenas”. Segundo ela, a comoção
social em torno de casos de violência pode ser transformada em aprendizado
coletivo quando a escola promove projetos permanentes de convivência e
respeito.
Entre as estratégias pedagógicas recomendadas estão
projetos de educação ambiental e cidadania, rodas de conversa sobre empatia,
atividades práticas de cuidado com animais e campanhas solidárias com abrigos.
Essas ações ajudam a desenvolver habilidades socioemocionais, responsabilidade
e consciência sobre o impacto de suas atitudes.
“É preciso ressaltar que o comportamento agressivo em crianças e adolescentes pode ter diferentes origens, desde fatores ambientais, como negligência e exposição à violência, até questões emocionais ou psicológicas que exigem acompanhamento. Em alguns casos, a criança pode apresentar dificuldades comportamentais desde bem cedo, o que reforça a necessidade de observação atenta por parte da escola e da família, sempre com acolhimento e apoio profissional, e nunca com rotulações ou punições isoladas”, conclui Andréa.
Escola Vereda
https://escolavereda.com.br/
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