Totalmente
sinalizada, rota de longo curso "Caminhos da Ibiapaba" cruza
Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, possibilitando imersão em sítios
arqueológicos e fortalecendo a geração de renda por meio do turismo de base
comunitária
Cruzar
a pé ou de bicicleta paisagens que misturam a resiliência da Caatinga, a
exuberância da Mata Atlântica e a diversidade do Cerrado: essa é a proposta da
recém-lançada trilha Caminhos da Ibiapaba, um percurso de 180 quilômetros que
conecta o Piauí ao Ceará. Muito mais do que uma rota de ecoturismo e aventura,
a iniciativa desponta como um novo motor de desenvolvimento sustentável para a
região.
Dividida
em 13 trechos, que integram os municípios cearenses de Tianguá, Ubajara e
Ibiapina, além das cidades piauienses de São João da Fronteira, Brasileira e
Piracuruca, a rota liga três importantes unidades de conservação: o Parque
Nacional de Sete Cidades (PI), o Parque Nacional de Ubajara (CE) e a Área de
Proteção Ambiental (APA) Serra da Ibiapaba (CE e PI).
A
trilha Caminhos da Ibiapaba é uma das 22 rotas homologadas pela Rede Nacional
de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), política pública
coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria
com o Ministério do Turismo. É a primeira do gênero a cruzar a Caatinga.
O
ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou a importância da trilha. “O
lançamento da Caminhos da Ibiapaba reforça o compromisso do governo federal com
um modelo de turismo que alia experiência, conservação e inclusão produtiva. A
trilha consolida o Nordeste como referência em turismo sustentável, gerando
oportunidades, estimulando o empreendedorismo local e promovendo o
desenvolvimento regional de forma planejada e responsável”, disse.
CONHEÇA A TRILHA - Ao
longo do caminho, 100% sinalizado com o padrão nacional — caracterizado pelas
famosas pegadas amarelas e pretas —, os visitantes mergulham em mirantes,
cachoeiras e sítios arqueológicos, enquanto as comunidades locais ganham novas
oportunidades de trabalho e renda com a oferta de serviços, alimentação e
hospedagem.
Com
a garantia de uma navegação segura tanto para quem prefere a aventura autônoma
quanto para os que optam pelo enriquecedor acompanhamento de guias locais, a
trilha já se consolida como um produto turístico estruturado, com operadores,
condutores de visitantes e ampla rede de hospedagem cadastrada como parceira.
Meios
de hospedagem e empreendimentos gastronômicos foram mapeados e convidados a
integrar a iniciativa, recebendo placas oficiais de identificação e adesão ao projeto.
A novidade amplia o portfólio de experiências responsáveis no país, como
explica Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências
Turísticas do Ministério do Turismo. “Trilhas de longo curso como a Caminhos da
Ibiapaba fortalecem as cadeias produtivas locais, estimulam o turismo de base
comunitária, valorizam o patrimônio e ampliam a visibilidade de destinos
alinhados às boas práticas de conservação”, ressalta a técnica.
O
coordenador técnico do projeto de implementação da trilha, Thiago Beraldo,
destaca a potencialidade do novo atrativo turístico para a região. “Para além
da importância ambiental, é essencial que iniciativas como essas gerem também
valor social e econômico para os proprietários das áreas privadas localizadas
no roteiro e para as comunidades encontradas no percurso”, afirmou.
O projeto de implementação do primeiro percurso de longo curso a cruzar a
Caatinga foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal
(IBAM) junto aos governos locais, com apoio do programa GEF Terrestre, uma
iniciativa do MMA financiada pelo Global Environment Facility (GEF), tendo o
Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como parceiro executor e o
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.
ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE - A construção do roteiro, que já é um produto estruturado, resgata a
cultura dos antigos tropeiros e caixeiros-viajantes e envolveu o engajamento
direto de moradores e proprietários rurais.
Com
o apoio de gestores ambientais, trechos antigos foram redesenhados para
privilegiar áreas sombreadas e mirantes naturais. “É uma travessia completa,
com elementos naturais, culturais e possibilidades diversas de uso, resgatando
a cultura dos tropeiros e caixeiros-viajantes que ajudaram a construir a
história do Nordeste”, aponta Pedro da Cunha e Menezes, diretor de Áreas
Protegidas do Ministério do Meio Ambiente.
Um
dos grandes destaques são os quase 40 quilômetros reconfigurados dentro do
Parque Nacional de Ubajara, substituindo rotas que antes cruzavam rodovias por
caminhos imersos na natureza. Em São João da Fronteira (PI), a mobilização
comunitária foi tão forte que gerou um roteiro extra: a Trilha de São João da
Fronteira, um trajeto curto entre carnaúbas e pinturas rupestres que amplia as
opções para visitantes de todas as idades.
“Com
a iniciativa, o ICMBio avança na sua missão de conservar a natureza com as
pessoas, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecerem e se
apaixonarem pelas paisagens, monumentos geológicos, fauna e flora conservadas
da Serra da Ibiapaba, além de conhecerem a cultura e hospitalidade das
comunidades locais, que oferecem diversos pontos de apoio ao longo da
travessia”, comenta Carla Guaitanele, coordenadora-geral de Uso Público e
Serviços Ambientais do ICMBio.
Na
avaliação do FUNBIO, as ações de fomento à trilha fortalecem a consolidação das
unidades de conservação como espaços estratégicos de integração entre as
agendas ambiental e social. “A Caminhos da Ibiapaba é uma aposta na conservação
ambiental como motor de uma economia que inclui as comunidades locais como
protagonistas da transformação social”, observa o gerente responsável pelo
programa GEF Terrestre, Rodolfo Marçal. “A proposta é que o programa apoie a
implementação de outras rotas igualmente estratégicas nos outros dois
biomas-alvo do programa, o Pampa e o Pantanal”, completa Marçal.
Bárbara Magalhães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
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