Especialista
explica quais setores atendem aos critérios da imigração americana e detalha a
faixa de investimento exigida para cada modelo de empresa
O visto E-2 tem se consolidado como uma das
principais alternativas para empreendedores estrangeiros que desejam morar e
administrar um negócio nos Estados Unidos. Destinado a cidadãos de países que
mantêm tratado de comércio e navegação com o governo americano, a modalidade
permite residência legal enquanto a empresa estiver ativa, operacional e em
conformidade com as exigências migratórias.
Dados do Departamento de Estado dos EUA indicam que
dezenas de milhares de vistos E-2 são emitidos anualmente em todo o mundo.
Brasileiros não são elegíveis diretamente, mas podem solicitar a categoria caso
possuam dupla cidadania de país signatário do tratado, como Portugal, Itália ou
Espanha.
O advogado Daniel Toledo, especialista
em Direito Internacional e sócio da Toledo
e Associados, explica que o governo americano não estabelece um valor
mínimo fixo em lei, mas exige que o investimento seja considerado substancial e
proporcional ao tipo de negócio. “O ponto central do E-2 não é apenas o valor
investido, mas a consistência da operação. O negócio precisa ser real, gerar
empregos e demonstrar capacidade de crescimento. Se for considerado marginal, o
visto pode ser negado”, afirma.
A seguir, os principais modelos de negócios
compatíveis com o visto E-2 e suas faixas médias de investimento praticadas no
mercado americano:
1.Quiosque em shopping center
Investimento médio: US$ 80 mil a US$ 150 mil
Apesar de muitos investidores imaginarem valores
entre US$10 mil e US$20 mil, essa faixa dificilmente atende aos critérios do
E-2. Para ser viável, o projeto precisa incluir taxa de franquia ou
licenciamento, estoque inicial, aluguel antecipado, capital de giro e
contratação de pelo menos dois ou três funcionários. Um quiosque operado apenas
pelo investidor e familiares tende a ser considerado marginal.
2.Franquia de pequeno ou médio porte
Investimento médio: US$ 120 mil a US$ 300 mil
Franquias de alimentação, limpeza residencial e
comercial, academias boutique, serviços automotivos e cafeterias estão entre as
mais utilizadas para aplicação do E-2. O modelo costuma ser bem recebido porque
já apresenta plano de negócios estruturado e histórico de viabilidade
financeira.
3.Empresa de reforma e reparos
Investimento médio: US$ 70 mil a US$ 150 mil
Negócios de construção leve, pintura, drywall,
manutenção predial e remodelação residencial são frequentes em processos de
E-2. O investimento envolve compra de equipamentos, veículos utilitários,
licenças estaduais, seguros obrigatórios e capital de giro para contratação de
equipe técnica.
4.Empresa de aluguel de veículos
Investimento médio: US$ 150 mil a US$ 300 mil
A estrutura exige aquisição de frota inicial,
seguros, ponto comercial, sistema de gestão e equipe administrativa. Valores
muito baixos, como US$30 mil ou US$40 mil, não costumam ser suficientes para
caracterizar investimento substancial nesse setor.
5.Restaurante ou doceria
Investimento médio: US$ 150 mil a US$ 400 mil
Inclui locação de ponto comercial, reforma,
equipamentos industriais, licenças sanitárias, estoque inicial e contratação de
equipe. Restaurantes são tradicionais em pedidos de E-2, especialmente quando o
investidor já possui experiência no ramo em seu país de origem.
6.Posto de gasolina
Investimento médio: US$ 300 mil a mais de US$ 1 milhão
Dependendo do modelo, pode envolver aquisição do
ponto, contrato com bandeira distribuidora, estoque de combustível e equipe
operacional. Trata-se de investimento de maior porte, incompatível com aportes
reduzidos.
7.Loja de armas e acessórios
Investimento médio: US$ 150 mil a US$ 500 mil
O setor é altamente regulado nos Estados Unidos e
exige licença federal específica emitida pelo Bureau of Alcohol, Tobacco,
Firearms and Explosives. Além do estoque, o investidor deve considerar sistemas
de segurança reforçados, seguros, cumprimento rigoroso das normas estaduais e
contratação de funcionários qualificados. Pela complexidade regulatória, o
planejamento jurídico e operacional é determinante.
8.Clínica estética ou salão de beleza estruturado
Investimento médio: US$ 100 mil a US$ 250 mil
Envolve locação comercial, equipamentos,
mobiliário, contratação de profissionais licenciados e capital de giro. A
aprovação depende da demonstração de geração de empregos e projeção de receita
acima do sustento exclusivo do investidor.
Segundo Toledo, investimentos muito baixos
raramente atendem aos critérios do E-2 tradicional. “Quando falamos em aportes
entre US$10 mil e US$40 mil, na maioria dos casos isso não é suficiente para
demonstrar risco financeiro relevante nem impacto econômico. A imigração
analisa proporcionalidade, geração de empregos e viabilidade real”, afirma.
O visto E-2 não concede green card automaticamente,
mas pode ser renovado indefinidamente enquanto a empresa permanecer ativa e
regular. Para empreendedores que pretendem expandir operações para o mercado
americano, o planejamento financeiro, a escolha estratégica do setor e a
estruturação adequada do plano de negócios são fatores determinantes para a
aprovação.
Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com 900 mil seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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