Nos
próximos anos, a indústria automotiva irá vivenciar ainda mais intensamente que
nos últimos tempos transformações tecnológicas muito significativas, que serão
impulsionadas por três grandes correntes. Uma delas é a segurança, à medida que
o desenvolvimento de novos dispositivos e a otimização de dispositivos
existentes possibilitarão tornar a circulação de veículos mais segura sem
impactar o custo dos mesmos de forma proibitiva. O desejo de aumentar a
segurança do condutor, dos passageiros e também do ambiente onde está inserido
o veículo, incluindo pedestres e bens materiais, impulsionará a utilização cada
vez maior de dispositivos de segurança, seja pelo desejo do consumidor ou mesmo
por força de legislação.
No Brasil, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estuda atualmente
um conjunto com dezenas de medidas que visam incrementar a segurança no
trânsito. Um dos passos mais importantes nessa jornada em nosso País será a
obrigatoriedade do ESC, um dispositivo que utiliza artifícios de frenagem para
auxiliar o condutor em situações de perda iminente do controle do veículo. A
exemplo do que ocorreu com os dispositivos de ABS e airbag em 2014, também o
ESC passará a ser obrigatório a partir de 2020 para novos modelos e se
consolidará em 2024 para toda gama de veículos.
Outra grande corrente de inovação, que vem impulsionando a transformação
da indústria automotiva e o fará de forma cada vez mais contundente nos
próximos anos, é a eletrificação da tração veicular. A demanda pela eliminação
de agentes poluidores oriundos de motores à combustão, principalmente em
ambientes urbanos, tem alavancado fortemente o desenvolvimento de modelos
elétricos cada vez mais competitivos. A longo prazo, entende-se que a
eletrificação será uma solução mais sustentável do que a combustão interna, sob
os aspectos de interesse que abrangem a construção, a utilização e a disposição
de veículos automotores.
Na perspectiva do sistema de freio, uma vez que a eletrificação
possibilita a regeneração de uma grande fração da energia dissipada no controle
de velocidade do veículo, espera-se uma alteração significativa no regime de
serviço. Estudos comparativos com veículos de passageiros indicam que em
situações comuns de trafegabilidade um veículo com motor elétrico e capacidade
de regeneração de energia de frenagem pode reduzir em mais de 80% o número de
atuações do freio de fricção e em mais de 90% a energia dissipada pelo mesmo,
quando comparado a um veículo de combustão interna, sem regeneração de energia.
Frente a estes dados, é pertinente admitir que há grandes oportunidades para
otimizar ou mesmo redesenhar os sistemas de freio de fricção, além de se
utilizar materiais mais leves e tecnológicos em benefício da redução de massa e
em nome da eficiência energética, buscando compensar o impacto das baterias na
massa total do veículo.
Uma terceira corrente que deverá impactar não apenas a construção dos
veículos automotores, mas também o próprio relacionamento que temos com eles é
a ascensão da direção autônoma. Com um forte apelo de segurança, ao passo em
que eliminará o fator humano da condução dos veículos, e também de
produtividade, visto que nosso tempo em deslocamento poderá ser mais bem
aproveitado, a direção autônoma tem se mostrado promissora para virar realidade
num horizonte dos próximos 10 a 20 anos.
Essas e outras tecnologias serão discutidas no 14º Colloquium
Internacional SAE BRASIL de Freios & Mostra de Engenharia – Controle de
Movimentos, que irá receber especialistas de renome no mercado para discussões
técnicas e trocas de experiência nos dias 8 e 9 de maio, na Casa Perlage, em
Farroupilha, RS, com o objetivo de contribuir para a competitividade da
indústria brasileira neste cenário de desafios.
Alexandre Casaril - chefe de Engenharia e
Inovação da Fras-le e chairperson do 14º Colloquium Internacional SAE BRASIL de
Freios & Mostra de Engenharia – Controle de Movimentos
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