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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Atividades ao ar livre durante as férias favorecem o desenvolvimento da visão na infânci

 

Imagem de gpointstudio no Magnific

Oftalmologista explica que a exposição à luz natural e o equilíbrio no uso de dispositivos eletrônicos ajudam a reduzir o risco de alterações oculares entre os pequenos


Durante as férias escolares, a rotina das crianças costuma mudar. Neste período, é comum que passem mais tempo em casa, o que frequentemente leva ao aumento do uso de telas, como tablets, celulares, computadores e televisões. Embora esses momentos de lazer façam parte do período de descanso, especialistas alertam que o excesso de telas pode trazer impactos para a saúde ocular. Em contrapartida, atividades ao ar livre representam uma forma simples e eficaz de estimular o desenvolvimento visual e reduzir o risco de alguns problemas oculares na infância. 

Segundo a Dra. Vania Ewert de Campos, oftalmologista do H.Olhos, esse período é uma excelente oportunidade para equilibrar os hábitos. "As férias permitem que a família incentive brincadeiras em parques, praças, quintais ou qualquer ambiente aberto. Esse contato com a luz natural, associado à redução do tempo diante das telas, favorece o desenvolvimento visual e contribui para a prevenção de alterações que podem surgir durante a infância", explica. 

Entre os principais problemas observados nessa faixa etária está a miopia, condição que dificulta a visão de longe e cuja incidência vem crescendo nos últimos anos. Entretanto, ela não é a única preocupação dos oftalmologistas. Fadiga ocular, ressecamento, irritação, desconforto visual e até a progressão de erros refrativos podem estar relacionados aos hábitos adotados pelas crianças no dia a dia. 

"O uso contínuo de aparelhos eletrônicos exige esforço constante para enxergar de perto. Além disso, durante essas atividades a criança costuma piscar menos, o que favorece o ressecamento da superfície ocular e provoca sintomas como ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos", afirma a médica. 

Outro benefício das brincadeiras em espaços externos está na variedade de estímulos visuais. Ao correr, jogar bola, andar de bicicleta, brincar de pega-pega ou explorar diferentes ambientes, os pequenos alternam constantemente o foco entre objetos próximos e distantes. 

"Quando a criança brinca ao ar livre, ela utiliza a visão de maneira muito mais dinâmica do que dentro de casa. Esse comportamento favorece o funcionamento natural do sistema visual e ainda diminui o período dedicado às atividades de perto", comenta a oftalmologista. 

A exposição à claridade também exerce um papel importante nesse processo. "A luminosidade do ambiente externo estimula mecanismos naturais que auxiliam no controle do crescimento ocular, fator associado ao desenvolvimento da miopia. Mesmo em dias nublados, a intensidade da luz fora de casa continua sendo muito superior à dos ambientes internos", esclarece a especialista. 

Para aproveitar esse benefício, não é necessário programar passeios longos. "Sempre que possível, o ideal é que a criança permaneça entre uma e duas horas por dia em locais abertos com luz natural. Esse tempo pode ser dividido ao longo do dia e já representa um ganho importante para a saúde dos olhos", orienta. 

Mesmo durante as férias, os responsáveis também devem estabelecer limites para o uso de dispositivos eletrônicos e incentivar pausas frequentes. "Criar uma rotina equilibrada faz toda a diferença. Vale alternar momentos com tecnologia e atividades recreativas, estimulando experiências variadas. Quando a família participa dessas brincadeiras, o resultado costuma ser ainda melhor", destaca a médica. 

Outra orientação importante é observar sinais que possam indicar alguma dificuldade visual. Aproximar-se demais da televisão, apertar os olhos para enxergar à distância, coçá-los com frequência, queixar-se de dores de cabeça recorrentes, apresentar queda no rendimento escolar ou tropeçar com facilidade merecem atenção. 

"Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução e oferecer o tratamento adequado. Muitas doenças oculares infantis não provocam sintomas evidentes nas fases iniciais, por isso o acompanhamento periódico é indispensável", ressalta a especialista. 

Além dos cuidados diários, a oftalmologista reforça que consultas regulares continuam sendo fundamentais, mesmo quando a criança aparentemente enxerga bem. "Os exames permitem acompanhar o desenvolvimento visual, detectar alterações precocemente e orientar a família sobre os hábitos mais adequados para cada fase da infância. Cuidar da visão desde cedo é investir na qualidade de vida e no aprendizado das crianças", finaliza a Dra. Vania Ewert de Campos, oftalmologista do H.Olhos.


Ultrassom ou mamografia? Os dois

Entenda a diferença entre os dois exames de imagem e saiba por que um não substitui o outro

 

"Já faço ultrassom, então não preciso de mamografia". A frase, comum em consultórios ginecológicos e clínicas de imagem, revela um dos mitos mais persistentes e potencialmente perigosos na saúde da mulher. Longe de serem exames concorrentes, o ultrassom mamário e a mamografia são complementares, cada um com sua função específica no cuidado com as mamas. 

A confusão é compreensível. Ambos avaliam a mesma região, usam tecnologias sofisticadas de imagem e são pedidos rotineiramente pelos médicos. Mas cada um vê o que o outro não consegue ver. E é justamente essa diferença que os torna igualmente importantes. 

"É comum que pacientes cheguem ao consultório perguntando qual dos dois é melhor. A resposta é que essa comparação não faz sentido: são exames com finalidades diferentes, que se somam para dar uma visão completa da saúde mamária", explica a Dra. Leynalze Urbano Ruiz, médica radiologista com mais de 30 anos de experiência, mestre em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 

O que cada exame vê 

A mamografia é o exame de referência no rastreamento do câncer de mama. Utiliza raios X em baixa dose e é o único capaz de identificar as microcalcificações, que são pequeníssimos depósitos de cálcio no tecido mamário, que podem ser um dos primeiros sinais de câncer, muitas vezes anos antes do surgimento de um nódulo palpável.

Já o ultrassom das mamas utiliza ondas sonoras, não emite radiação e é indolor. Ele se destaca na avaliação de nódulos e cistos, permitindo diferenciar formações sólidas de bolsas com líquido. É especialmente útil em mamas densas, comuns em mulheres mais jovens, situação em que a mamografia pode ter sua sensibilidade reduzida. 

"A mamografia enxerga o que o ultrassom não vê. E o ultrassom detalha o que a mamografia sinaliza. Um não substitui o outro. Eles se completam", afirma a especialista.

 

Quando cada um é indicado 

A partir dos 40 anos, todas as mulheres devem realizar mamografia anualmente. A recomendação foi atualizada em 2025 pelo Ministério da Saúde, alinhando-se ao que as principais sociedades médicas brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) já defendiam há anos. 

O ultrassom mamário, por sua vez, tem indicações mais amplas: pode ser solicitado em qualquer idade, dependendo da queixa clínica ou da estrutura das mamas. 

"O ultrassom é frequentemente indicado como complemento à mamografia, especialmente em mamas densas. Em mulheres abaixo dos 40 anos, muitas vezes, é o principal exame de imagem, porque nessa faixa etária ainda não há indicação de rastreamento com mamografia. Durante a gestação e a amamentação, quando a mamografia não é recomendada, o ultrassom também assume papel principal", detalha a Dra. Leynalze.

 

O papel do olhar treinado 

Apesar da sofisticação dos equipamentos, ambos os exames dependem fundamentalmente da interpretação do médico radiologista. No ultrassom, essa dependência é ainda mais evidente: a qualidade da imagem, a identificação de achados sutis e a análise da vascularização com o Doppler colorido exigem tempo, técnica e experiência. 

"Cada nódulo tem características muito sutis que precisam ser observadas com cuidado. Um exame apressado pode deixar passar informações valiosas. Na saúde da mulher, cada detalhe conta", pontua a médica.

 

O que toda mulher deveria saber sobre os dois exames

 

Mamografia

  • Rastreamento anual a partir dos 40 anos, ou antes, conforme orientação médica
  • Único exame capaz de detectar microcalcificações
  • Utiliza raios X em baixa dose
  • Padrão-ouro para rastreamento do câncer de mama

 

Ultrassom das mamas

  • Indicado em qualquer idade, conforme queixa clínica ou orientação médica
  • Diferencia cistos de nódulos sólidos
  • Não utiliza radiação
  • Indicado durante gestação e amamentação
  • Ideal como complemento em mamas densas
  • Guia procedimentos como punções e biópsias

 

Dra. Leynalze Urbano Ruiz - médica radiologista graduada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica no Hospital Heliópolis, título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e mestrado em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Com mais de 30 anos de atuação, dedica-se ao ultrassom geral, com ênfase em saúde da mulher, oncologia, biópsias e punções guiadas por imagem.


Por que ainda normalizamos viver com dor?

PixaBay
Vivemos em uma cultura que valoriza o "aguente firme". Resistir ao sofrimento é frequentemente visto como sinal de força, enquanto pedir ajuda pode ser interpretado como fragilidade. Esse modo de pensar atrasa a prevenção e o tratamento da dor crônica. Muitas pessoas convivem com a dor por anos até buscar ajuda, e, quando ignorada, ela pode deixar de ser apenas um sintoma para se tornar uma doença. Segundo pesquisa da Vital Strategies e Umane, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), 62% da população deixa de procurar atendimento médico quando precisa. A reflexão aqui é procurar entender por que isso acontece?

O ser humano, frequentemente busca soluções rápidas sem necessariamente refletir sobre por que chegou a adoecer e se por algum motivo, sabe a resposta, normaliza o contexto.  Diz a si mesmo: “Estou assim, porque trabalho muito, estou assado, porque fiquei muito em pé ou minha cadeira no trabalho é ruim”. O desconforto vem e as pessoas querem eliminar a dor o mais rápido possível para voltar a fazer exatamente o que as adoeceu.

A dor é um alerta do organismo de que algo precisa de atenção. No entanto, aprendemos desde cedo a atribuir significados diferentes a ela. Em alguns contextos, a dor representa coragem, superação ou mérito; em outros, é motivo de vergonha ou fraqueza. Nossa forma de sentir e reagir à dor é influenciada pelas experiências de vida, pelas crenças familiares, pela cultura e pela sociedade.

Hoje sabemos que a dor é um fenômeno biopsicossocial. Ela resulta da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Não é apenas uma resposta do corpo, mas também da maneira como interpretamos nossas experiências e do ambiente em que vivemos.

Quantas vezes você já sentiu dor nas costas e pensou: "É normal, fiquei muito tempo sentado" ou "Carreguei peso demais"? Em vez de refletirmos sobre o que precisa mudar, costumamos aceitar a dor como parte inevitável da rotina. Repetimos os mesmos hábitos e, com eles, o sofrimento.

O contexto também modifica nossa resposta à dor. Muitas pessoas escondem o desconforto no trabalho para não parecerem frágeis, mas em casa expressam livremente o que sentem. Outras fazem exatamente o contrário. Isso mostra que a dor não depende apenas do corpo, mas também dos significados que atribuímos a ela e das relações que construímos ao longo da vida.

Divulgação 
 VR Editora - Latitude
Isso não significa que toda dor deva ser evitada. Existem dores associadas ao crescimento, ao aprendizado e à superação. O problema é transformar o sofrimento persistente em algo "normal" e deixar de escutar os sinais do corpo.

Mudar essa relação exige consciência. Nosso cérebro tende a repetir comportamentos familiares, mesmo quando eles nos fazem mal. Mas ele também é capaz de aprender novos caminhos. Ao questionarmos crenças, modificarmos hábitos e buscarmos ajuda quando necessário, criamos novas conexões neurais e ampliamos nossa capacidade de cuidar de nós mesmos.Talvez a verdadeira força não esteja em suportar a dor em silêncio, mas em reconhecer quando ela deixou de ser um desafio passageiro e passou a ser um convite para a mudança.

 

Mariana Schamas - cinesiologista, especialista em dor crônica, Coordenadora do curso Dor e Movimento HCX USP, Professora e autora do Livro “ A Dor é um Convite para a Mudança” Editora Latitude


 

O brasileiro ainda espera adoecer para agir

 

O avanço da medicina permite identificar riscos antes do surgimento dos sintomas, mas especialista alerta que esse cuidado ainda não faz parte da rotina da maior parte da população


Hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares raramente surgem de um dia para o outro. Na maioria dos casos, essas condições se desenvolvem de forma silenciosa ao longo dos anos. Ainda assim, grande parte dos brasileiros continua procurando atendimento médico apenas quando o corpo começa a dar sinais de que algo não vai bem. Em um momento em que o Ministério da Saúde amplia o monitoramento dos fatores de risco por meio do Vigitel 2026, especialistas defendem que o maior desafio deixou de ser apenas tratar doenças e passou a ser incentivar mudanças de comportamento capazes de evitar o agravamento de problemas de saúde.

Lucas Rezende, médico, fundador da ARC Health Place, clínica especializada em medicina preventiva, saúde metabólica, longevidade e medicina do estilo de vida, afirma que a informação nunca esteve tão acessível, mas isso ainda não se refletiu em uma mudança consistente de hábitos. "Hoje conhecemos muito mais sobre os fatores que aumentam o risco de desenvolver doenças crônicas, mas ainda existe o hábito de procurar ajuda apenas quando surgem sintomas. Quanto mais cedo identificamos alterações no organismo, maiores são as chances de evitar complicações e preservar a qualidade de vida", destaca.


Os riscos podem ser silenciosos

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde iniciou a edição 2026 do Vigitel, principal levantamento nacional sobre fatores de risco para doenças crônicas. Pela primeira vez, a pesquisa foi ampliada para municípios do interior e regiões metropolitanas e acompanha indicadores relacionados à alimentação, atividade física, obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo e consumo de álcool. O objetivo é gerar informações que orientem políticas públicas voltadas à promoção da saúde e à redução das doenças crônicas.

Segundo Lucas Rezende, um dos maiores equívocos é acreditar que a ausência de sintomas significa ausência de problemas."Pressão alta, resistência à insulina, colesterol elevado e outras alterações metabólicas podem permanecer silenciosas durante anos. Quando essas condições são descobertas precocemente, existe uma oportunidade muito maior de impedir sua evolução e reduzir impactos na saúde ao longo da vida", explica.

O especialista ressalta que esse acompanhamento vai além da realização de exames periódicos. Histórico familiar, qualidade do sono, alimentação, atividade física, composição corporal e saúde metabólica também precisam ser considerados para compreender o risco individual de cada paciente.


A velhice começa décadas antes

O aumento da expectativa de vida trouxe um novo desafio para pacientes e profissionais da saúde. Mais do que viver por mais tempo, cresce a preocupação em chegar ao envelhecimento com autonomia, disposição e boa capacidade física e cognitiva.

Para Lucas Rezende, esse processo começa muito antes da terceira idade."Envelhecer bem não depende apenas da genética. As escolhas feitas aos 30, 40 ou 50 anos influenciam diretamente como cada pessoa chegará às décadas seguintes. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento médico regular produzem efeitos que se acumulam ao longo da vida", afirma.

O médico destaca que mudanças graduais costumam ser mais eficazes do que intervenções iniciadas apenas após o diagnóstico de uma doença.


Quando a longevidade ganha espaço

A discussão sobre envelhecimento saudável também começa a ganhar mais espaço fora dos consultórios. Em março de 2026, a apresentadora Ana Maria Braga revelou, durante o programa Mais Você, que mudou seus hábitos com o objetivo de "viver até os 110 anos". A declaração chamou atenção por associar longevidade à adoção de um estilo de vida mais saudável e ao acompanhamento contínuo da saúde, mostrando uma mudança de comportamento que especialistas consideram cada vez mais importante.

Para Lucas Rezende, exemplos como esse ajudam a ampliar a conscientização sobre a necessidade de cuidar da saúde antes que os primeiros problemas apareçam. "A medicina evoluiu muito na capacidade de tratar doenças. Agora precisamos evoluir na forma como utilizamos esse conhecimento. O maior benefício acontece quando conseguimos identificar riscos cedo, orientar mudanças de hábitos e evitar que essas doenças se desenvolvam. Cuidar da saúde precisa deixar de ser uma resposta ao diagnóstico e passar a fazer parte da rotina", conclui.

 



Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e longevidade. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
Para mais informações, acesse o Instagram ou Linkedln.


ARC Health Place
@arc.healthplace



Fontes de Pesquisa

Ministério da Saúde | Vigitel 2026
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/ministerio-da-saude-inicia-o-vigitel-2026-e-amplia-pesquisa-sobre-fatores-de-risco-para-doencas-cronicas

Gshow | Ana Maria Braga diz que mudou hábitos para viver até os 110 anos
https://gshow.globo.com/tv/mais-voce/noticia/ana-maria-braga-conta-que-mudou-habitos-para-viver-ate-os-110-anos-vao-ter-que-me-aguentar.ghtml


Julho Verde: aprenda a identificar sinais do câncer de cabeça e pescoço que tem previsão de 126 mil casos até 2028

 

Magnific

Dados acendem alerta para a importância do diagnóstico precoce; cerca de 78% dos pacientes no Brasil descobrem a doença já em estágio avançado.  

 

O Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, traz um alerta para a saúde pública brasileira. As novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o país deverá registrar cerca de 42.150 novos casos por ano de tumores que acometem a cavidade oral, a laringe e a tireoide no triênio 2026-2028. Ao longo dos três anos, a projeção é de aproximadamente 126.450 novos diagnósticos, consolidando esse grupo de doenças entre os principais desafios da oncologia nacional. 

 

O oncologista e professor da Afya Faculdade de Medicina de Itajubá, Dr Gerson Yoshinari, explica que o câncer de cabeça e pescoço não é uma doença única, mas um grupo de tumores que pode surgir em regiões como boca, língua, garganta, laringe, amígdalas, seios da face e glândulas salivares. A maioria se origina nas células que revestem as mucosas e é classificada como carcinoma de células escamosas. 

 

“Esses tumores se desenvolvem a partir de alterações celulares, favorecidas pela exposição a fatores de risco. Os principais são o tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas, especialmente quando associados. O consumo habitual de bebidas muito quentes também tem sido relacionado ao aumento do risco, possivelmente por causar irritação crônica das mucosas. Além disso, a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV ganhou importância, principalmente nos tumores da orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua”.

 

A prevenção envolve medidas práticas, segundo o oncologista, como não fumar, evitar o consumo de álcool e de bebidas muito quentes, manter uma boa saúde bucal, realizar consultas odontológicas regulares e manter a vacinação contra o HPV em dia. Além disso, segundo o INCA, 78,2% dos pacientes recebem o diagnóstico quando o câncer já está em estágios III ou IV, fases em que o tratamento costuma ser mais complexo, pode exigir abordagens mais agressivas e apresentam menores chances de cura.

 

De acordo com Dr Gerson Yoshinari, nos estágios iniciais, muitas vezes é possível tratar a doença com uma única modalidade, como cirurgia ou radioterapia. Isso costuma significar tratamentos menos extensos, menor impacto sobre fala, mastigação e deglutição, além de menor risco de sequelas. “Quando o diagnóstico ocorre em estágio avançado, geralmente é necessário combinar cirurgia, radioterapia e quimioterapia, conforme a localização e as características do tumor. Em alguns casos, a imunoterapia também pode fazer parte do tratamento. Nessa fase, o tratamento é mais complexo e há maior risco de efeitos adversos, dificuldades nutricionais, alterações na fala e na deglutição, além da necessidade de reabilitação prolongada”, complementa o docente.


 

Sinais de atenção do câncer de cabeça e pescoço 

 

Os primeiros sinais do câncer de cabeça e pescoço podem se confundir com problemas comuns do dia a dia. O otorrinolaringologista e professor da Afya Ipatinga, Dr Lauro Nunes de Oliveira Filho, informa que muitos sinais iniciais dos cânceres de cabeça e pescoço são pouco valorizados porque podem ser facilmente confundidos com aftas, infecções respiratórias, problemas dentários, refluxo ou simples irritações cotidianas na garganta. Ele destaca 10 sinais corporais para ficar atento:  

  1. Lesões na boca ou nos lábios que não cicatrizam após alguns dias.
  2. Alterações de cor na mucosa oral, como manchas brancas ou avermelhadas.
  3. Dificuldade ou dor na hora de engolir os alimentos, ou a sensação constante de ter "algo parado" na garganta.
  4. Dor de garganta persistente que não melhora com tratamentos comuns.
  5. Mudanças persistentes na voz ou rouquidão que dura semanas.
  6. Presença de caroço no pescoço. Mesmo que o nódulo seja indolor e não desapareça, ele não deve ser ignorado.
  7. Problemas para movimentar a língua adequadamente ou limitação ao tentar abrir a boca. Alterações progressivas no modo de falar.
  8. Perda de sangue sem motivo aparente pela boca ou pelo nariz. Nariz entupido de forma persistente, principalmente quando o problema ocorre em um único lado.
  9. Dores recorrentes no ouvido, mesmo quando os exames não mostram nenhuma infecção ou alteração no próprio órgão.
  10. Problemas ou mudanças persistentes na respiração. Redução inexplicada de peso em um curto período. 

Entre os tumores que compõem o grupo dos cânceres de cabeça e pescoço, o de cavidade oral continua sendo um dos mais frequentes no país, com estimativa de 17.200 novos casos anuais. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, ele ocupa a sétima posição entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil e é o quinto mais comum entre os homens. Já o câncer de tireoide deverá registrar cerca de 16.400 novos casos por ano, sendo que quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem em mulheres, totalizando aproximadamente 13.300 casos femininos anuais. O câncer de laringe, por sua vez, apresenta estimativa de 8.510 novos casos por ano, número que representa um aumento nominal de 9,2% em relação às estimativas anteriores.   

“Tabaco e álcool, principalmente quando associados, são importantes fatores de risco para câncer de boca e orofaringe. Alguns tumores também podem estar ligados ao HPV, além de fatores como exposição solar e ocupacional. Mesmo pessoas que nunca fumaram ou beberam podem desenvolver a doença, por isso sintomas persistentes devem ser avaliados. A prevenção inclui boa higiene bucal, acompanhamento odontológico, correção de feridas causadas por próteses, proteção solar dos lábios, uso de equipamentos de segurança e alimentação equilibrada. As principais medidas são evitar o tabaco, moderar o álcool e manter a vacinação contra o HPV em dia”, conclui o otorrinolaringologista da Afya.


Infarto antes dos 40: por que casos em adultos jovens estão crescendo e preocupando médicos

Mudança no estilo de vida, estresse crônico e hábitos como o uso de vapes acendem alerta para o perigo precoce; cardiologista Dr. Ricardo Ferreira da Silva explica como prevenir.


O infarto agudo do miocárdio, historicamente associado a pessoas de idade mais avançada ou com problemas crônicos de saúde de longa data, tem mudado de perfil. Cada vez mais, os hospitais e consultórios médicos registram a chegada de pacientes com menos de 40 anos sofrendo com crises cardíacas agudas. Esse crescimento na incidência entre adultos jovens tem acendido o sinal de alerta entre os especialistas da área cardiovascular.
 

De acordo com o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira da Silva, a ideia de que a juventude funciona como um "escudo protetor" contra problemas graves no coração ficou no passado. “Antigamente, atender um paciente na faixa dos 20 ou 30 anos com infarto era uma grande exceção. Hoje, infelizmente, essa realidade mudou muito devido à deterioração precoce dos hábitos de vida”, explica o médico. 

O especialista aponta que o aumento de casos nessa faixa etária está diretamente ligado à combinação de fatores de risco modernos. O estresse crônico, a rotina de trabalho exaustiva (que muitas vezes leva ao burnout), o sedentarismo, a má alimentação rica em ultraprocessados e a obesidade infantil e juvenil criam o cenário perfeito para o desenvolvimento precoce de placas de gordura nas artérias. 

Além disso, novos hábitos comportamentais têm acelerado esses danos. O uso de vapes, populares entre os mais jovens, é um forte agravante. “Muitos acreditam que o cigarro eletrônico é inofensivo, mas ele contém nicotina concentrada e outras substâncias químicas que causam inflamação e lesões diretas nas paredes das artérias, além de contrair os vasos sanguíneos e elevar a pressão arterial imediatamente”, adverte o Dr. Ricardo. 

Um dos maiores desafios no manejo do infarto em pacientes jovens é o atraso no diagnóstico provocado pela negligência dos sintomas. Por acreditarem que são novos demais para ter um problema cardíaco, muitos ignoram sinais clássicos como dor ou aperto no peito que irradia para os braços ou mandíbula, falta de ar inexplicável, suor frio e náuseas, confundindo-os com crises de ansiedade ou dores musculares provocadas pelos treinos. 

Para mudar esse cenário, a prevenção deve começar o quanto antes. O Dr. Ricardo Ferreira da Silva reforça que o histórico familiar de doenças cardíacas também exige uma atenção redobrada desde cedo. “A melhor estratégia é realizar avaliações médicas de rotina e exames de sangue preventivos para controlar o colesterol e a glicose. Cuidar do coração não é uma preocupação para o futuro, é uma atitude que deve ser tomada no presente, independentemente da idade”, conclui.

 

Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.


92% da população mundial será afetada pelo câncer até 2050

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Relatório da OMS aponta desigualdade no diagnóstico do câncer no mundo

 

Uma em cada cinco pessoa desenvolverá câncer ao longo da vida. E, segundo o novo Relatório Global sobre Câncer, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2026, o impacto da doença vai muito além de quem recebe o diagnóstico: 92% da população mundial será afetada, direta ou indiretamente, pelo câncer ao menos uma vez na vida, seja como paciente, cuidador ou familiar de alguém em tratamento até 2050. Em 2024, cerca de 20,6 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer no mundo. A projeção da OMS é de que esse número chegue a 35 milhões de novos casos por ano até 2050, representando um crescimento de 66,7% na incidência global, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e por fatores de risco ainda pouco enfrentados, como tabaco, álcool, obesidade e infecções.



Desigualdade que decide quem sobrevive

O relatório expõe um abismo global: a sobrevivência ao câncer chega a 85% em países de alta renda, mas cai para menos de 45% em países de baixa renda. Hoje, 47% da população mundial tem pouco ou nenhum acesso a serviços básicos de diagnóstico, e apenas 28% dos países incluem um pacote mínimo de tratamento oncológico em seus sistemas de cobertura universal de saúde.

A OMS também chama atenção para o peso financeiro da doença, metade das famílias em países de baixa e média renda enfrenta despesas catastróficas ou abandona o tratamento por causa dos custos. Globalmente, os cuidados com câncer custaram US$ 209 bilhões em 2020 e continuam crescendo. Já o acesso a cuidados paliativos segue extremamente limitados, apenas 14% das necessidades são atendidas no mundo.



O retrato do câncer no Brasil

No Brasil, os números também exigem atenção. Segundo a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro, o país deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano, um crescimento de 10,9% em relação ao triênio anterior (2023–2025, quando a projeção era de 704 mil casos/ano). Excluindo os tumores de pele não melanoma, de alta incidência mas baixa letalidade, a estimativa é de 518 mil casos anuais.

Entre os homens, os tipos mais incidentes são próstata, colorretal, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, mama, colorretal, colo do útero, pulmão e tireoide lideram o ranking. O câncer de mama, especificamente, foi responsável por mais de 248 mil óbitos no Brasil entre 2010 e 2024. Já o câncer de colo do útero, doença amplamente evitável por vacinação e rastreamento, causou 92.182 mortes no mesmo período, mais de 7,2 mil vidas perdidas por ano, e deve somar 19,3 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, alta de 13%.

O acesso ao rastreamento ainda é desigual e a cobertura estimada para o exame de colo do útero no Brasil é de apenas 35,6%. Do lado positivo, o Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia pelo SUS, passando a oferecer o exame para mulheres de 40 a 74 anos (antes, de 50 a 69), o sistema público realizou cerca de 3 milhões de mamografias de rastreamento em 2025.



Prevenção: a ferramenta mais poderosa que temos

Apesar do cenário desafiador, o relatório da OMS reforça uma mensagem de esperança. Quase 40% dos novos casos de câncer podem ser evitados, reduzindo a exposição a fatores de risco já conhecidos como, tabaco, álcool, obesidade, infecções (como HPV e hepatites) e exposições ambientais e ocupacionais.
O tabaco, sozinho, ainda responde por 15% dos casos de câncer no mundo, embora sua prevalência global tenha caído para 19,5% em 2024.

Investir em prevenção também compensa financeiramente e cada dólar investido em prevenção ao câncer gera um retorno social estimado em US$ 9,50, segundo a OMS, ao reduzir custos de tratamento e perdas de produtividade.



O que o Instituto Lado a Lado pela Vida está fazendo

É diante desse cenário que o Instituto Lado a Lado pela Vida atua, mobilizando a sociedade civil e gestores de saúde para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer em todas as fases da vida. Por meio de campanhas como Mulher por Inteiro, Novembro Azul, Respire Agosto, o Instituto leva informação a todos, e trabalha para que o direito à saúde digna chegue também às regiões e populações historicamente mais distantes do cuidado.

Os dados da OMS e do INCA não são apenas estatísticas, são um retrato de milhões de brasileiros que, direta ou indiretamente, terão o câncer em suas vidas. E reforçam por que prevenção, informação e acesso à saúde precisam continuar no centro da conversa.



Como você pode ajudar

Este conteúdo faz parte de uma série que o Instituto Lado a Lado pela Vida preparou sobre o Relatório Global de Câncer da OMS:

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Instituto Lado a Lado pela Vida

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatório Global sobre Câncer 2026: who.int/publications/i/item/9789240123977 - Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil

 

Inchaço, fadiga e intestino preso. A culpa é mesmo da disbiose?

Influenciadores associam sintomas como inchaço, fadiga e dificuldade para perder peso ao desequilíbrio da microbiota intestinal, mas especialistas afirmam que o autodiagnóstico pode atrasar o tratamento correto

 

Barriga estufada, gases, fadiga constante, acne, dificuldade para perder peso, alterações de humor e até compulsão alimentar. Nos últimos meses, a palavra "disbiose" passou a aparecer diariamente nas redes sociais como uma possível explicação para uma série de sintomas. O aumento do interesse pela saúde intestinal acompanha o avanço das pesquisas sobre a microbiota humana, mas também preocupa especialistas, que observam uma onda crescente de autodiagnósticos baseados em vídeos curtos e recomendações sem respaldo científico.

Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, explica que a microbiota realmente exerce papel importante em diversas funções do organismo, mas alerta que o conceito de disbiose vem sendo simplificado de maneira equivocada nas redes sociais.

A WeFit é uma healthtech especializada em saúde personalizada que integra avaliação nutricional, testes genéticos, análise da microbiota intestinal e inteligência artificial para desenvolver protocolos individualizados. O acompanhamento é realizado de forma remota pela equipe de nutrição, que interpreta os resultados de forma integrada para construir estratégias personalizadas de acordo com as características biológicas e os hábitos de cada paciente.

"Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo que descobriram que têm disbiose porque sentiram inchaço ou porque viram um vídeo que descrevia exatamente os mesmos sintomas. O problema é que alterações intestinais podem ter inúmeras causas. Nem todo desconforto está relacionado à microbiota e nem toda microbiota diferente representa uma doença."

O intestino abriga trilhões de microrganismos, entre bactérias, fungos e vírus, que participam da digestão, da produção de metabólitos importantes, do funcionamento do sistema imunológico e da comunicação entre intestino e cérebro. Alterações nesse ecossistema podem ocorrer ao longo da vida por influência da alimentação, do uso de medicamentos, do estresse, da qualidade do sono e de diversos outros fatores. Entretanto, pesquisadores reforçam que ainda não existe uma composição considerada ideal para todas as pessoas e que a avaliação deve ser individualizada.

Estudos publicados nos últimos anos mostram que a microbiota está relacionada à saúde metabólica, digestiva e imunológica, mas também reforçam que o conceito de disbiose não deve ser utilizado como diagnóstico isolado para explicar sintomas inespecíficos, especialmente sem avaliação clínica.

Segundo Bruna, o maior risco do excesso de informações disponíveis na internet é levar pessoas a iniciar dietas extremamente restritivas, consumir probióticos indiscriminadamente ou eliminar grupos alimentares inteiros sem necessidade. "Não existe um suplemento capaz de resolver sozinho alterações da microbiota. Em muitos casos, o problema nem está nela. Quando alguém inicia um tratamento baseado apenas em conteúdos das redes sociais, pode acabar mascarando outras condições que precisam ser investigadas."


Quando vale a pena procurar ajuda?

Embora desconfortos digestivos ocasionais sejam comuns, alguns sinais merecem avaliação profissional quando persistem por semanas ou passam a comprometer a qualidade de vida. Nem toda alteração intestinal exige exames complexos, tampouco o uso indiscriminado de probióticos.

Segundo Bruna Makluf, alguns sinais merecem investigação quando permanecem por semanas, principalmente se vier acompanhados de perda de peso involuntária, dor abdominal frequente, alterações importantes do funcionamento intestinal ou histórico familiar de doenças gastrointestinais. "Outro ponto importante é observar quando esses sintomas começam a interferir na rotina. Se a pessoa passa a evitar alimentos por medo, convive diariamente com desconforto ou faz sucessivas tentativas de tratamento sem melhora, é hora de investigar. O intestino pode estar sinalizando diversas condições diferentes, e não apenas alterações da microbiota."


Entre os principais sinais de alerta estão:

  • distensão abdominal frequente;
  • alterações persistentes do funcionamento intestinal;
  • dor abdominal recorrente;
  • perda de peso sem explicação;
  • presença de sangue nas fezes;
  • sintomas que permanecem mesmo após mudanças na alimentação.

"A investigação não acontece apenas porque existe um exame disponível. Ela deve fazer sentido dentro da história clínica daquela pessoa. O exame é uma ferramenta para complementar a avaliação, nunca para substituir o acompanhamento profissional."


O que realmente ajuda a cuidar da microbiota

Apesar da popularização dos probióticos nas redes sociais, os especialistas afirmam que os hábitos cotidianos continuam sendo os principais fatores associados à saúde intestinal.

Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fibras, associada à prática regular de atividade física, sono adequado e menor consumo de alimentos ultraprocessados, permanece entre as estratégias mais recomendadas para favorecer a diversidade da microbiota.

"A expectativa de encontrar um único alimento ou um suplemento capaz de 'curar a microbiota' não corresponde ao que a ciência mostra hoje. O intestino responde ao conjunto dos hábitos, não a soluções isoladas."

Essa individualidade é justamente um dos fatores que impulsionam o crescimento da medicina personalizada. Pessoas com sintomas semelhantes podem apresentar causas completamente diferentes para seus desconfortos, o que exige avaliações mais abrangentes do histórico clínico, dos hábitos e das características biológicas de cada organismo.

Para ampliar essa compreensão, exames específicos podem ser utilizados quando existe indicação clínica. A análise da microbiota permite identificar a composição e a diversidade dos microrganismos presentes no intestino, enquanto testes genéticos ajudam a compreender predisposições relacionadas ao metabolismo, resposta aos alimentos e outros fatores que influenciam a saúde. A interpretação integrada dessas informações permite que o acompanhamento nutricional seja construído de forma individualizada, em vez de seguir protocolos generalistas.

Para Bruna, o interesse crescente pela microbiota representa uma oportunidade importante de ampliar a educação em saúde, desde que a informação seja baseada em evidências e não em tendências das redes sociais.

"É positivo que as pessoas estejam mais curiosas sobre o funcionamento do próprio organismo. O desafio é entender que saúde intestinal não pode ser resumida a um vídeo de um minuto. Quanto mais a ciência avança, mais percebemos que cada organismo responde de maneira diferente e que protocolos padronizados tendem a perder espaço para abordagens realmente individualizadas."


Cinco cuidados antes de concluir que você tem disbiose

  • Evite fazer autodiagnóstico com base apenas em conteúdos das redes sociais.
  • Não utilize probióticos ou suplementos sem orientação profissional.
  • Observe se os sintomas são persistentes ou apenas ocasionais.
  • Procure avaliação quando houver dor intensa, perda de peso involuntária, sangue nas fezes ou alterações intestinais recorrentes.
  • Lembre-se de que alimentação, sono, estresse, medicamentos, genética e estilo de vida influenciam a microbiota e precisam ser analisados em conjunto.



Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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