A psicóloga Aline de Carvalho explica quais comportamentos merecem
atenção dos pais e quando é hora de buscar ajuda profissional
Magnifc
A saúde mental de crianças e adolescentes têm
ocupado cada vez mais espaço nos debates entre famílias, escolas e profissionais
da área. Dados divulgados pelo IBGE por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do
Escolar (PeNSE) mostram que cerca de três em cada dez adolescentes brasileiros
afirmaram já ter sentido vontade de se machucar, enquanto os casos de bullying
também registraram aumento nos últimos anos.
Outro levantamento recente aponta um cenário
ainda mais preocupante entre meninas adolescentes. Segundo informações
divulgadas pelo Senado Federal com base em pesquisas nacionais, uma em cada
quatro meninas brasileiras afirma que, em algum momento, sentiu que a vida não
valia a pena ser vivida.
Para a psicóloga Aline de Carvalho,
especializada em atendimento a adolescentes, é fundamental que pais e
responsáveis estejam atentos às mudanças que persistem por semanas e interferem
na rotina dos filhos.
"É comum que a adolescência seja marcada
por oscilações de humor e conflitos próprios do desenvolvimento. No entanto,
quando essas mudanças passam a comprometer o desempenho escolar, os
relacionamentos e a qualidade de vida, é importante buscar uma avaliação
profissional. Quanto mais cedo esse sofrimento é identificado, maiores são as
possibilidades de cuidado e recuperação", afirma.
Segundo a especialista, cinco sinais merecem atenção especial:
• Isolamento social: o adolescente deixa de
conviver com amigos e familiares e passa a evitar atividades que antes lhe
davam prazer.
• Mudanças bruscas de humor: irritabilidade
intensa, tristeza persistente ou explosões emocionais frequentes sem motivo
aparente.
• Queda no rendimento escolar: perda de
interesse pelos estudos, dificuldades de concentração e redução significativa
no desempenho.
• Alterações no sono e no apetite: dormir
muito ou muito pouco, além de mudanças importantes na alimentação.
• Desânimo constante e perda de interesse:
falta de motivação para atividades que antes eram motivo de alegria,
acompanhada de sensação frequente de vazio ou desesperança.
Aline destaca que os pais não devem
interpretar esses sinais apenas como "coisa da idade".
"Os adolescentes nem sempre conseguem
colocar em palavras o que estão sentindo. Muitas vezes, o sofrimento aparece
por meio do comportamento. Escutar sem julgamentos, acolher e manter um diálogo
aberto faz toda a diferença. Procurar ajuda psicológica não significa que
exista um problema grave, mas sim que a família está oferecendo o suporte
necessário para que esse jovem atravesse essa fase com mais segurança",
ressalta.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
reforça que metade dos transtornos mentais começa antes dos 14 anos de idade,
embora muitos casos permaneçam sem diagnóstico ou tratamento. A entidade também
destaca que a identificação precoce dos sinais é um dos principais fatores para
prevenir o agravamento do sofrimento emocional.
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