Pesquisa mostra que muitos brasileiros convivem com familiares e
amigos, mas ainda enfrentam sensação de isolamento; psicólogo explica por que
qualidade das relações pesa mais do que quantidade de contatos
Nunca foi tão fácil conversar com pessoas de
qualquer lugar do mundo. Redes sociais, aplicativos de mensagens e chamadas de
vídeo aproximaram distâncias e transformaram a forma como as pessoas se
comunicam. Ainda assim, a sensação de solidão permanece presente para muitos
brasileiros.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa
Aerah House com 2 mil pessoas em todo o país revela esse paradoxo: embora a
maioria dos entrevistados afirme ter alguém com quem contar, o sentimento de
solidão continua elevado. Entre o grupo considerado mais vulnerável pelo
estudo, 43,7% dizem sentir-se sozinhos mesmo estando cercados de outras
pessoas. Além disso, 22,4% afirmam sentir que não têm controle sobre a própria
vida, índice mais que o dobro da média da população (10,4%).
Para o psicólogo e coordenador do curso de
Psicologia do Centro Universitário ESAMC Santos, Rogério Martins, esses dados
mostram que a solidão vai muito além da ausência de companhia.
"Ter pessoas por perto não significa,
necessariamente, sentir-se acolhido. Muitas pessoas convivem diariamente com
familiares, colegas de trabalho e amigos, mas não encontram espaço para falar
sobre o que realmente sentem ou para serem aceitas sem precisar esconder quem
são. A conexão acontece quando existe escuta, compreensão e segurança
emocional", explica.
Segundo o especialista, um dos principais
equívocos é acreditar que o número de relações determina o bem-estar emocional.
Na prática, o fator decisivo é a qualidade dos vínculos.
"Não é a quantidade de contatos que impede
a solidão, mas a profundidade das relações. Quando os vínculos são superficiais
ou não oferecem segurança emocional, a sensação de isolamento pode surgir mesmo
em ambientes cheios de pessoas", afirma.
Conectados
o tempo todo, mas nem sempre emocionalmente
O avanço da tecnologia trouxe praticidade
para a comunicação, mas também alterou a forma como as relações são construídas
e mantidas. Para Rogério Martins, a facilidade de interação virtual nem sempre
se traduz em conexões significativas.
"Nunca foi tão fácil falar com tantas
pessoas e, ao mesmo tempo, nunca foi tão comum sentir falta de relações
verdadeiras. As redes sociais facilitam o contato, mas muitas vezes substituem
conversas profundas por interações rápidas e superficiais."
O psicólogo observa que situações cada vez
mais comuns ilustram esse comportamento: famílias, casais e grupos de amigos
dividindo o mesmo espaço físico enquanto cada pessoa permanece concentrada na
própria tela do celular.
Além disso, ele destaca que a exposição
constante às redes sociais favorece comparações e pode reforçar sentimentos de
inadequação.
"As pessoas acabam vendo apenas os
melhores momentos da vida dos outros. Isso pode gerar a impressão de que todos
são mais felizes, possuem relacionamentos melhores ou estão vivendo
experiências mais interessantes, aumentando a sensação de isolamento."
Quando
a solidão afeta a saúde mental
A pesquisa também mostra que as pessoas que
mais relatam solidão são justamente aquelas que apresentam maior sensação de
falta de controle sobre a própria vida. Para o psicólogo, essa relação não acontece
por acaso.
"Quando alguém permanece sozinho
emocionalmente por muito tempo, é comum perder a confiança em si mesmo. Isso
afeta a autoestima, reduz a iniciativa para buscar novas relações e cria um
ciclo em que uma situação alimenta a outra. A pessoa se isola ainda mais, perde
o interesse por novas experiências e sua saúde mental acaba sendo
prejudicada."
Segundo Rogério Martins, esse processo pode
se manifestar por meio de sinais que muitas vezes passam despercebidos.
"Quando a solidão deixa de ser algo
ocasional e passa a fazer parte da rotina, a pessoa começa a evitar situações
sociais, perde o interesse por atividades que antes lhe davam prazer, apresenta
tristeza frequente, desânimo e até dificuldades para dormir. Se isso começa a
interferir no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na qualidade de
vida, é hora de procurar ajuda."
O especialista ressalta que ainda existe
preconceito em torno do atendimento psicológico, mas reforça que buscar
acompanhamento profissional não deve ser visto como sinal de fraqueza.
"Procurar um psicólogo significa cuidar
da saúde emocional antes que o sofrimento se torne mais intenso. Quanto mais
cedo isso acontece, maiores são as possibilidades de recuperação e de
fortalecimento dos vínculos consigo mesmo e com as outras pessoas."
Profissionais
preparados para os desafios
O crescimento de questões relacionadas à
saúde emocional, aos vínculos interpessoais e ao bem-estar psicológico reforça
a necessidade de profissionais preparados para compreender as transformações do
comportamento humano.
No Centro Universitário ESAMC Santos, o curso
de Psicologia forma bacharéis para atuar em diferentes áreas, como Psicologia
Clínica, Organizacional, Escolar, Hospitalar, Neuropsicologia e Psicologia
Social e Comunitária. A graduação alia aulas práticas, professores com
experiência acadêmica e profissional e atividades voltadas à realidade do
mercado de trabalho, preparando os estudantes para lidar com desafios cada vez
mais presentes na sociedade contemporânea. Atualmente, o curso registra índice
de empregabilidade de 90% entre seus egressos.
Rua Dr. Egydio Martins, 181 – Ponta da Praia

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