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sábado, 25 de julho de 2026

Relações de confiança entre colegas aumentam pertencimento, reduzem desgaste emocional e ajudam a reter talentos, afirmam especialistas

Empresas descobriram que amizade também melhora desempenho profissional

 

Durante muitos anos, amizade e ambiente corporativo pareciam conceitos incompatíveis. A ideia predominante era de que relações próximas poderiam comprometer a produtividade ou dificultar decisões profissionais.

Hoje, esse entendimento começa a mudar, à medida que empresas enfrentam desafios ligados ao burnout, à retenção de talentos e ao engajamento das equipes, cresce a percepção de que relações de confiança entre colegas podem representar uma vantagem competitiva.

Mais do que tornar o ambiente agradável, elas influenciam diretamente indicadores como colaboração, criatividade, permanência e saúde mental. Para Ticiana Paiva, psicóloga clínica, PhD em Psicologia e Head de Psicologia da Starbem, o pertencimento tornou-se um dos principais ativos emocionais dentro das organizações.

"As pessoas não permanecem apenas por causa do salário. Elas permanecem onde sentem que pertencem. Quando existe uma relação genuína entre colegas, o ambiente deixa de ser apenas um espaço de cobrança e passa a oferecer suporte emocional diante das pressões do trabalho”, conta a especialista.

Segundo Ticiana, vínculos saudáveis funcionam como uma espécie de amortecedor emocional diante dos desafios cotidianos. "Compartilhar dificuldades, celebrar conquistas e saber que existe alguém disposto a ouvir reduz a sensação de isolamento que muitas vezes acompanha ambientes de alta pressão”, reflete. 

Esse efeito se torna ainda mais relevante em um contexto marcado por mudanças nas relações de trabalho, crescimento do modelo híbrido e aumento dos casos de esgotamento emocional.

"A produtividade não depende apenas de metas e processos. Ela também depende da qualidade das relações. Equipes que confiam umas nas outras colaboram mais, resolvem conflitos com maior facilidade e enfrentam momentos difíceis de forma mais saudável”, explica a psicóloga sobre como as pessoas entendem essas relações.

Para Ticiana, existe ainda um impacto pouco percebido pelas empresas: "O trabalho consome grande parte do nosso tempo. Quando as relações nesse ambiente são superficiais ou marcadas apenas pela cobrança, aumenta a sensação de desgaste. Já quando existe confiança entre colegas, o trabalho também passa a oferecer apoio emocional.".

Segundo ela, esse cenário ajuda a explicar por que empresas têm investido cada vez mais em iniciativas voltadas ao fortalecimento das conexões humanas dentro das equipes, afinal o pertencimento deixou de ser um tema apenas de cultura organizacional. Hoje ele faz parte da estratégia de saúde mental e influencia diretamente indicadores como engajamento, retenção e produtividade.

A psicóloga ressalta que amizade no ambiente corporativo não significa ausência de profissionalismo: “Existe um mito de que relações próximas diminuem o desempenho. O que observamos é justamente o contrário. Ambientes emocionalmente seguros favorecem a troca de ideias, estimulam inovação e tornam as equipes mais resilientes diante das dificuldades.".

Em um mercado em que talentos buscam cada vez mais propósito, equilíbrio e qualidade de vida, construir relações de confiança pode ser um diferencial tão importante quanto qualquer benefício corporativo.

 

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