No Dia dos Avós (26/07), celebramos muito mais do que um laço de parentesco. Celebramos a sabedoria que o tempo oferece, o carinho que atravessa gerações e a oportunidade de compartilhar a vida com aqueles que representam, ao mesmo tempo, nossa história e o nosso futuro.
Quando somos jovens, acreditamos que a vida se mede
pelos anos que ainda temos pela frente. Com o tempo, descobrimos que ela passa
a ser medida pelas lembranças que construímos e pelas pessoas que permanecem ao
nosso lado. É nesse momento que os netos deixam de ser apenas uma continuação
da família para se tornarem um presente que a própria vida nos oferece.
Há quem pense que envelhecer é perder. Perdem-se
algumas forças, a agilidade já não é a mesma, os dias parecem correr mais
depressa e o espelho insiste em nos lembrar da passagem do tempo. Mas a velhice
também concede um privilégio raro: ela nos ensina a enxergar o essencial. E
poucas coisas são mais essenciais do que ver um neto crescer.
Os netos têm a curiosa capacidade de devolver cor
ao cotidiano. Um simples abraço deles parece diminuir o peso dos anos. Talvez
isso aconteça porque os avós já não carregam a urgência que acompanha a
juventude. Os pais vivem cercados por responsabilidades, horários e
preocupações. Aos avós, muitas vezes, cabe o privilégio de viver o encontro.
Basta estar presentes.
A longevidade não deveria ser celebrada apenas pelo
número de anos alcançados. Viver muito só faz sentido quando ainda somos
capazes de cultivar afeto, curiosidade e encantamento. Não é a idade que nos
torna verdadeiramente velhos, mas a incapacidade de continuar aprendendo com a
vida. E, curiosamente, poucas pessoas nos ensinam tanto quanto uma criança.
A vida é feita de muitos caminhos, encontros e
despedidas. Há sonhos realizados e outros que ficaram pelo caminho. Há alegrias
que permaneceram e dores que o tempo tratou de suavizar. Mas, se pudesse
resumir aquilo que realmente permanece, diria que são os vínculos. No fim
das contas, não levamos conosco os bens que acumulamos, mas o amor que
conseguimos semear.
Os netos representam essa continuidade silenciosa.
São a prova de que a vida segue seu curso, renovando esperanças mesmo quando já
imaginávamos conhecer todas as respostas. Neles existe um pouco de nós, mas
também muito do futuro que jamais veremos por inteiro. E isso basta para nos
confortar.
Walmir Luiz Becker - poeta e autor dos livros
“Fragmentos de Poesias - Desvivências” e “Entrelinhas”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário