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sábado, 25 de julho de 2026

O amor que ninguém nos ensinou

Magnific

O que a Ciência das Emoções descobriu sobre os relacionamentos pode transformar a maneira como entendemos e construímos os vínculos ao longo da vida


O amor é o elo que une as relações humanas. Ele inspira poesias, roteiros e canções. Está presente em todas as culturas e tradições, desde o nascimento até o último suspiro. E, ainda assim, não é compreendido em sua totalidade.  

No livro Amor 2.0 – A ciência a favor dos relacionamentos, a cientista e psicóloga Bárbara Fredrickson, que coordena há várias décadas o Laboratório de Emoções Positivas e Psicofisiologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (UNC-Chapel Hill), apresenta, a partir de suas pesquisas, uma visão inovadora do amor enquanto emoção positiva. 

Nessa perspectiva, o amor não é exclusivo, duradouro nem incondicional. Para alguns, essa visão pode incomodar. Para outros, libertar. A autora nos convida a uma abertura para compreender o amor sob uma nova ótica. Vamos? 

O amor não é exclusivo: sentimos amor por nossos filhos, parceiros, pais, avós, netos, amigos, animais, plantas, por Deus ou mesmo por todo o universo. Portanto, a exclusividade não se aplica à biologia do amor. Nosso corpo foi feito para amar em larga escala. Cada vez que o amor está presente, a sensação de bem-estar é imediata. Porém, não dura. 

O amor não é duradouro: costumamos acreditar que o amor é constante. Se olharmos as relações duradouras no sentido mais amplo, vamos perceber que o amor é, sem dúvida, a cola que mantém as pessoas unidas ao longo das décadas. Porém, o amor, enquanto emoção, dura minutos ou segundos. A percepção do amor duradouro nasce da convivência com pessoas próximas. A frequência desses micromomentos fortalece a intimidade e os vínculos.  No entanto, como aponta Bárbara, as emoções não foram feitas para durar. A boa notícia é que o amor é renovável: uma experiência momentânea que pode ser vivida muitas vezes ao longo do dia. Com conhecimento, autoconsciência, prática e condições favoráveis, é possível cultivá-lo com frequência. 

O amor não é incondicional: já que o amor surge a partir de condições propícias, ele não pode ser incondicional. Uma das bases essenciais ao surgimento dessa emoção é a segurança. Mesmo quando existe um vínculo profundo, a experiência emocional do amor depende de certas condições. Em ambientes tensos ou hostis, o amor não faz morada. Dificilmente sentimos amor quando estamos com medo, raiva, em conflito ou quando nos sentimos incompreendidos. E esses momentos acontecem também com quem experimentamos grande afeto. Nesse sentido, é fácil compreender que sentir amor é algo influenciado pelo ambiente, pela qualidade das relações, pela nossa bioquímica e fisiologia.  

Qual a vantagem de saber tudo isso? Não nos ensinaram a compreender o amor dessa forma. Mas nunca é tarde para aprender. Em cada amanhecer existe a oportunidade de criar micromomentos de amor. E quanto mais os cultivamos, mais o amor deixa de ser uma rara exceção para se tornar uma prática cotidiana.  

Se compreendermos que o amor é uma emoção extremamente benéfica e transformadora, que pode ser cultivada diariamente em micromomentos de conexão com pessoas queridas ou desconhecidas, a vida pode mudar significativamente.  

Eu experimentei e me surpreendi com os resultados. E convido você a experimentar!  

 

Deborah Dubner - psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência, Psicologia Positiva e Ciência da Felicidade, é professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência e conduz cursos e grupos de prática sobre amor e gratidão no cotidiano.


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