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sábado, 25 de julho de 2026

O descompasso entre a perda de peso rápida e a autoimagem

 Psiquiatra explica por que emagrecer rapidamente nem sempre significa desenvolver uma relação saudável com o próprio corpo

 

A rápida perda de peso proporcionada pelas chamadas "canetas emagrecedoras" tem transformado o tratamento da obesidade e do sobrepeso. No entanto, a mudança no corpo nem sempre é acompanhada pela forma como o paciente se percebe. Especialistas alertam que a adaptação da autoimagem pode levar tempo e que, sem acompanhamento em saúde mental, a busca pelo emagrecimento pode dar lugar à insatisfação persistente e até favorecer o desenvolvimento de transtornos psicológicos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, enquanto o Atlas Mundial da Obesidade estima que mais de 30% da população brasileira poderá conviver com a doença até 2030. Nesse cenário, cresce também a discussão sobre a necessidade de integrar saúde física e emocional durante o tratamento.

Segundo Gabriela Ladeira, diretora e psiquiatra da unidade Vila Verde, em Juiz de Fora (MG), da ViV Saúde Mental e Emocional, a ideia de que apenas o medicamento será suficiente para manter o peso pode gerar frustração. "As canetas representam um importante recurso terapêutico para pacientes com indicação médica, mas elas não modificam, sozinhas, a relação da pessoa com a comida, com o próprio corpo e com as emoções. Quando não há acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mudanças no estilo de vida e orientação nutricional, existe um risco maior de recuperação do peso após a interrupção do tratamento", afirma.

Outro ponto que merece atenção é o aumento da distorção da imagem corporal, impulsionada pela busca por padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis, especialmente nas redes sociais. "Temos observado pessoas que atingem um peso saudável, mas continuam se enxergando acima do peso ou acreditam que nunca estão suficientemente magras. Essa insatisfação constante pode estar relacionada à distorção da imagem corporal e até evoluir para transtornos alimentares ou quadros de ansiedade e depressão. Por isso, é fundamental tratar também a saúde mental durante esse processo", explica a especialista.

Gabriela reforça ainda que a obesidade é uma doença crônica e, assim como acontece com hipertensão ou diabetes, alguns pacientes podem, sim, precisar manter o tratamento por períodos prolongados ou de forma contínua, sempre sob avaliação médica individualizada. "Não existe uma regra que sirva para todos. O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas construir uma relação mais saudável com a alimentação, com o corpo e com a própria autoestima. Quando isso acontece, as chances de manter os resultados a longo prazo aumentam significativamente", destaca.

Na avaliação da especialista, discutir o uso das canetas emagrecedoras apenas sob a ótica da estética reduz um tema complexo que envolve fatores biológicos, emocionais e sociais. "O medicamento pode ser um aliado importante, mas ele não substitui o cuidado integral. A saúde mental tem papel decisivo para que o paciente desenvolva hábitos sustentáveis, enfrente a compulsão alimentar quando ela existe e consiga manter os resultados com qualidade de vida. Tratar apenas o peso, sem olhar para as emoções, é cuidar apenas de parte do problema", conclui.

 

ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.

 

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