Psiquiatra explica por que emagrecer rapidamente nem sempre significa desenvolver uma relação saudável com o próprio corpo
A rápida perda de peso proporcionada pelas chamadas
"canetas emagrecedoras" tem transformado o tratamento da obesidade e do
sobrepeso. No entanto, a mudança no corpo nem sempre é acompanhada pela forma
como o paciente se percebe. Especialistas alertam que a adaptação da autoimagem
pode levar tempo e que, sem acompanhamento em saúde mental, a busca pelo
emagrecimento pode dar lugar à insatisfação persistente e até favorecer o
desenvolvimento de transtornos psicológicos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam
que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, enquanto o Atlas
Mundial da Obesidade estima que mais de 30% da população brasileira poderá
conviver com a doença até 2030. Nesse cenário, cresce também a discussão sobre
a necessidade de integrar saúde física e emocional durante o tratamento.
Segundo Gabriela Ladeira, diretora e psiquiatra da
unidade Vila Verde, em Juiz de Fora (MG), da ViV Saúde Mental e Emocional, a
ideia de que apenas o medicamento será suficiente para manter o peso pode gerar
frustração. "As canetas representam um importante recurso terapêutico para
pacientes com indicação médica, mas elas não modificam, sozinhas, a relação da
pessoa com a comida, com o próprio corpo e com as emoções. Quando não há
acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mudanças no estilo de vida e
orientação nutricional, existe um risco maior de recuperação do peso após a
interrupção do tratamento", afirma.
Outro ponto que merece atenção é o aumento da
distorção da imagem corporal, impulsionada pela busca por padrões estéticos
muitas vezes inalcançáveis, especialmente nas redes sociais. "Temos
observado pessoas que atingem um peso saudável, mas continuam se enxergando
acima do peso ou acreditam que nunca estão suficientemente magras. Essa
insatisfação constante pode estar relacionada à distorção da imagem corporal e
até evoluir para transtornos alimentares ou quadros de ansiedade e depressão.
Por isso, é fundamental tratar também a saúde mental durante esse
processo", explica a especialista.
Gabriela reforça ainda que a obesidade é uma doença
crônica e, assim como acontece com hipertensão ou diabetes, alguns pacientes
podem, sim, precisar manter o tratamento por períodos prolongados ou de forma
contínua, sempre sob avaliação médica individualizada. "Não existe uma
regra que sirva para todos. O objetivo não deve ser apenas perder peso
rapidamente, mas construir uma relação mais saudável com a alimentação, com o
corpo e com a própria autoestima. Quando isso acontece, as chances de manter os
resultados a longo prazo aumentam significativamente", destaca.
Na avaliação da especialista, discutir o uso das
canetas emagrecedoras apenas sob a ótica da estética reduz um tema complexo que
envolve fatores biológicos, emocionais e sociais. "O medicamento pode ser
um aliado importante, mas ele não substitui o cuidado integral. A saúde mental
tem papel decisivo para que o paciente desenvolva hábitos sustentáveis,
enfrente a compulsão alimentar quando ela existe e consiga manter os resultados
com qualidade de vida. Tratar apenas o peso, sem olhar para as emoções, é
cuidar apenas de parte do problema", conclui.
ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.
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