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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ANS amplia a cobertura de mamografia digital sem restrição de idade nos planos de saúde

tonodiaz
Resultado de discussões que envolveram a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e outras entidades médicas importantes, a exclusão da Diretriz de Utilização nº 52 do rol da ANS, permite a realização do exame antes restrito a mulheres de 40 a 69 anos

 

A partir de 1º de outubro, beneficiárias de planos de saúde, independentemente da idade, terão acesso à mamografia digital sempre que houver indicação médica. Após a finalização de uma Consulta Pública e discussões com a participação das mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a mudança foi aprovada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), responsável pela regulação dos planos de saúde no Brasil, que determinou a exclusão de uma diretriz de utilização restrita a mulheres entre 40 e 69 anos de idade.

A Diretriz de Utilização nº 52 (DUT 52), com a determinação de cobertura obrigatória da mamografia digital exclusivamente a mulheres na faixa de 40 a 69 anos de idade, foi incorporada ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS pela Resolução Normativa nº 387/2015, que entrou em vigor no início de 2016.

Uma década depois, a Agência Nacional de Saúde Suplementar realizou a Consulta Pública nº 173 entre junho e julho deste ano para que a população pudesse opinar e enviar contribuições sobre a DUT 52, com o objetivo de ampliar a cobertura obrigatória da mamografia digital nos planos de saúde. A proposta de revisão das regras partiu da própria ANS após debates realizados na Cosaúde (Comissão de Atualização o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar).

No dia 25 de agosto, em reunião realizada com as principais entidades médicas do Brasil, a ANS decidiu pela exclusão da DUT 52. A SBM foi representada pela mastologista Thais Paiva Moraes, coordenadora da Comissão de Imagenologia Mamária da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro da Comissão Nacional de Mamografia.

“A proposta da SBM foi pela exclusão da DUT 52 do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. A retirada desta diretriz de utilização vem para alinhar a prática clínica atual com a obrigatoriedade de cobertura de um exame tão importante e minimizar as negativas de atendimento para pacientes fora da faixa de 40 a 69 anos e também com alguma necessidade clínica específica”, afirma Thais Paiva Moraes.

Com a mudança que passa a valer para os planos de saúde em 1º de outubro, o benefício alcança pacientes com menos de 40 anos consideradas de alto risco por histórico familiar de câncer, ou que precisem realizar o exame por questões específicas. “São casos, por exemplo, em que um achado no exame clínico precisa ser confirmado pela mamografia”, diz a representante da SBM. “É importante destacar que nessas circunstâncias a realização da mamografia digital precisa ter indicação médica.”

A mastologista destaca que a restrição da cobertura de mamografia digital pelos planos de saúde a pacientes com mais de 70 anos é um indicativo de problema de saúde no País. De acordo com levantamento do DATASUS, entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil. Do total, 93.852 resultaram em morte. “Da mesma forma, com a mudança aprovada pela ANS, o exame deve ser feito a partir do pedido de um especialista”, ressalta.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 99,75% dos mamógrafos avaliados no Brasil são digitais, contra apenas 0,25% analógicos. “Por falta de cobertura do convênio, as pacientes acabavam pagando para fazer o exame. Em alguns casos, o serviço e os médicos realizavam a mamografia digital, assumindo o ônus”, ressalta a especialista.

Na visão de Thais Paiva Moraes, a possibilidade de realização da mamografia digital sem a restrição de idade prevista na DUT 52 pelos planos de saúde é uma contribuição importante para a detecção precoce do câncer de mama. “A exclusão desta diretriz de utilização minimiza os ruídos que antes existiam e as negativas de realização do exame que poderiam gerar um atraso em diagnóstico”, conclui.


El Niño e doenças respiratórias, otorrino ensina a como se proteger

Calor acima da média, períodos de baixa umidade, fumaça e mudanças bruscas no tempo podem aumentar o desconforto de quem sofre com rinite, sinusite e outros problemas respiratórios


Calor intenso em um dia, chuva forte no outro, períodos de baixa umidade, fumaça de queimadas e ar-condicionado funcionando por horas. Com a influência do El Niño sobre a primavera e o verão deste ano, as mudanças no clima também levantam uma questão de saúde. Segundo Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, as condições ambientais associadas ao El Niño podem repercutir sobre nariz, garganta e sistema respiratório.

“O vírus da gripe não aparece porque o tempo mudou e uma pessoa não desenvolve rinite simplesmente porque chegou o El Niño. O que temos são alterações de temperatura, umidade, qualidade do ar e comportamento que podem favorecer irritações, agravar doenças preexistentes ou aumentar a exposição a determinados agentes”, explica.


O nariz pode ser um dos primeiros a sentir o El Niño

O nariz funciona como uma espécie de filtro e condicionador do ar que respiramos. Ele ajuda a aquecer, umidificar e filtrar o ar antes que ele siga para as vias respiratórias inferiores.

Quando o ambiente fica muito seco, essa mucosa pode sofrer. “Podem aparecer sensação de nariz seco, ardência, formação de crostas e até sangramentos. Quem já apresenta rinite também pode perceber piora da obstrução e maior desconforto”, afirma Bruno.

No calor, existe ainda outro fator: o aumento do uso de ventiladores e ar-condicionado. Sair repetidamente de um ambiente muito quente para outro muito frio e permanecer longos períodos sob ar refrigerado pode favorecer ressecamento e irritação em algumas pessoas. Além disso, aparelhos sem manutenção adequada podem acumular poeira e outros agentes capazes de piorar sintomas alérgicos.


El Niño pode piorar a rinite?

Pode contribuir para piora dos sintomas em algumas pessoas, mas a relação não é tão simples quanto “El Niño causa rinite”.

Mudanças de umidade e temperatura, maior quantidade de poeira suspensa, pólen, poluição e outros fatores ambientais podem funcionar como gatilhos para indivíduos predispostos.

“É muito comum o paciente dizer: ‘Toda vez que o tempo muda, minha rinite ataca’. Existe fundamento nessa percepção, mas precisamos entender qual é o gatilho daquela pessoa. Para alguns é poeira, para outros mudança de temperatura, baixa umidade, pólen ou poluentes”, explica o otorrino.

E rinite não significa necessariamente infecção. Espirros repetidos, coceira no nariz e nos olhos, coriza transparente e obstrução nasal podem apontar mais para um quadro alérgico do que para uma gripe.


E a sinusite?

Outra confusão frequente é atribuir qualquer dor facial ou nariz entupido à sinusite.

Alterações climáticas podem piorar sintomas nasais, mas isso não significa automaticamente que exista uma infecção dos seios da face.

“Rinite e sinusite são condições diferentes. Um nariz muito obstruído pode causar bastante desconforto, pressão e alteração do sono sem necessariamente significar uma sinusite bacteriana”, ressalta.

Por isso, sintomas persistentes, dor intensa, febre ou piora importante devem ser avaliados individualmente.


El Niño - Calor e seca trazem outro problema: a fumaça

Dependendo da região, períodos de calor e baixa umidade também podem coincidir com maior risco de queimadas. E a fumaça acrescenta um novo componente à saúde respiratória.

Material particulado e outros poluentes podem irritar olhos, nariz e garganta, provocar tosse e agravar sintomas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.

“O nariz e a garganta estão diretamente expostos ao ar que respiramos. Se esse ar está carregado de fumaça e partículas, é comum aparecer ardência, irritação, pigarro e desconforto”, explica Bruno.


Como proteger nariz e garganta no El Niño?

Alguns cuidados simples podem ajudar. Manter boa hidratação é importante para o organismo e para as mucosas. Em períodos de baixa umidade, a lavagem nasal com solução salina pode ser útil para higiene e hidratação nasal, especialmente para quem sofre com ressecamento ou rinite, quando adequadamente orientada.

Também é importante evitar fumaça, manter ambientes ventilados quando a qualidade do ar permitir, realizar a limpeza e manutenção de aparelhos de ar-condicionado e evitar mudanças térmicas exageradas sempre que possível.

Para quem tem rinite, asma ou outra doença respiratória diagnosticada, a orientação é manter o tratamento prescrito em vez de esperar a crise aparecer.

“Um erro comum é o paciente abandonar o tratamento quando está bem e recorrer apenas a descongestionantes quando o nariz fecha. Alguns descongestionantes nasais, principalmente os vasoconstritores, não devem ser utilizados indiscriminadamente porque podem causar efeito rebote e manter um ciclo de obstrução”, alerta o médico.

O médico alerta que sinais como sangramento nasal recorrente, falta de ar, chiado, febre persistente, dor facial importante, secreção com sintomas prolongados, perda persistente do olfato ou obstrução nasal que não melhora merecem avaliação.

Ele conta que respirar pela boca constantemente também não deve ser normalizado. “Se uma pessoa passa semanas dormindo de boca aberta porque o nariz está sempre obstruído, não devemos simplesmente culpar o clima. O El Niño pode trazer condições que agravam sintomas, mas uma obstrução persistente precisa ter sua causa investigada”, explica.

O clima interfere no ambiente em que respiramos e pode modificar nossos sintomas, mas não explica tudo. “Se o nariz vive entupido, a garganta está sempre irritada ou as crises se tornaram frequentes, é importante investigar. O objetivo não é apenas atravessar o El Niño melhor, mas entender por que aquela pessoa está sofrendo tanto com cada mudança do tempo”, conclui.

Dia da Pessoa Idosa: tecnologia pode ajudar brasileiros a envelhecer com mais autonomia e segurança

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Com população idosa em crescimento, organização e compartilhamento de informações de saúde ganham importância para pacientes, familiares e cuidadores

 

Há uma situação comum em muitas famílias brasileiras: um exame está guardado em uma gaveta, a receita mais recente está no celular de outra pessoa e ninguém se lembra exatamente quando um medicamento foi alterado. Quando filhos vivem em outras cidades, profissionais se revezam no cuidado ou diferentes médicos acompanham o mesmo paciente, reconstruir o histórico de saúde de uma pessoa idosa pode se tornar ainda mais difícil. O cenário do envelhecimento no Brasil começa exatamente aí, na dificuldade de organizar o cuidado. Nesse ponto, novas tecnologias, como a MYME, fundada em 2025, podem ajudar.
 

No Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o avanço da longevidade no Brasil reforça a necessidade de discutir não apenas quem cuidará de uma população cada vez mais velha, mas também quais ferramentas podem ajudar as próprias pessoas idosas a manter mais autonomia sobre suas informações e facilitar a comunicação com sua rede de apoio.

Só entre 2016 e 2019, o número de familiares dedicados ao cuidado de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo 2022 identificou um crescimento de 57,4% no número de pessoas idosas ao longo de 12 anos, e as projeções indicam que essa transformação demográfica está apenas começando. O país tem aproximadamente 214 milhões de habitantes em 2026, com expectativa média de vida de 77 anos. Já em 2070, a população deve cair para cerca de 199 milhões de pessoas, mesmo com a taxa de mortalidade infantil caindo de 11,8% para 5,8%, enquanto a expectativa média de vida saltará para 83,9 anos. Traduzindo esses números: haverá menos jovens, menos pessoas economicamente ativas e muito mais idosos vivendo por mais tempo.
 

Isso mostra como a lógica social está mudando. As famílias estão menores, há mais pessoas sem filhos e o mercado de trabalho permite (às vezes, exige) mobilidade. Profissionais trocam de cidade, estado e até país com mais frequência do que suas gerações anteriores. Pais envelhecem enquanto filhos vivem a milhares de quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE, as principais atividades requeridas pelos idosos são monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%), auxiliar nos cuidados pessoais (74,1%) e acompanhar consultas médicas, exames e atividades sociais, culturais e religiosas (61,1%). Ou seja, tudo que demanda presença e tempo. 

Essa tendência já chamou a atenção do mercado de saúde e do cuidado. É o caso da MYME, plataforma gratuita que centraliza o histórico médico de usuários e seus dependentes, e qualquer informação do histórico pode ser enviada a terceiros, via link, quando necessário. “O cuidado com o idoso não acontece só na emergência. Acontece todos os dias, na rotina. Quando o histórico médico está organizado e atualizado, o acompanhamento fica mais fácil e mais seguro”, diz Lucas Santiago, cofundador da MYME, que é estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), combinando modelo de negócio com propósito social. 

A plataforma da MYME permite registrar sintomas, exames, consultas, prescrições médicas, medicação, vacinação, além de prontuários de hospitais, clínicas e outras unidades de saúde, do usuário ou de seu dependente, seja criança, doente ou idoso. “Às vezes, o filho está em outra cidade, enquanto o cuidador acompanha a rotina do idoso presencialmente. A plataforma cria uma ponte para a troca de informações sem que elas fiquem dispersas e fragmentadas. O mesmo vale para equipes de cuidadores que se revezam em uma mesma casa. É uma forma de cuidar melhor e dar mais tranquilidade para todos os envolvidos”, afirma Gabriel Barros, cofundador da MYME.

 

Como a MYME funciona

Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link. 

“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago. Por isso, a MYME permite que o usuário crie perfis de dependentes e divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso, por exemplo).
 

Segurança de dados

A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O desenvolvedor da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 15 anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.”

 

Complementar ao Meu SUS Digital

A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.
 


MYME
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Superdotação: entre potencialidades, desafios e o risco de interpretações equivocadas

Psiquiatra explica por que altas habilidades não devem ser tratadas como transtorno e destaca a importância de compreender as características de cada pessoa

 

Altas habilidades/ superdotação não possuem código próprio na Classificação Internacional de Doenças (CID) e também não significam, necessariamente, desempenho excepcional em todas as áreas da vida. Ainda assim, essas características são frequentemente interpretadas de forma equivocada, o que reforça a importância de compreender o que, de fato, significa ter altas habilidades.  

Para a psiquiatra Fabrícia Signorelli, especialista em Superdotação/Altas Habilidades e parceira do Supera, empresa especializada em estimulação cognitiva, compreender essa diferença é fundamental. Isso porque determinadas características comportamentais e emocionais podem ser interpretadas de forma inadequada quando não são analisadas dentro do contexto individual. 

“Ter altas habilidades, ter superdotação, não é um diagnóstico médico. Altas habilidades e superdotação são diferentes dos transtornos descritos no DSM”, explica.

 

Nem todo comportamento associado à superdotação deve ser interpretado como sintoma 

Pessoas com altas habilidades podem apresentar características como forte intensidade emocional, elevado senso de cobrança, busca constante por desafios, perfeccionismo e desenvolvimento em ritmos diferentes entre determinadas áreas. Isoladamente, porém, esses aspectos não permitem chegar a uma conclusão sobre a condição da pessoa. 

Segundo Fabrícia, a falta de conhecimento sobre as particularidades desse perfil pode favorecer interpretações equivocadas, principalmente quando comportamentos são analisados fora do contexto. 

A preocupação aumenta quando uma característica própria das altas habilidades passa a ser encarada como sintoma de uma doença. “Mais grave do que o diagnóstico errado é a medicalização de uma condição que não é médica. Se eu entendo que uma característica do superdotado é um sintoma, eu vou partir para um lugar conhecido por nós, que é medicar sintomas”, alerta. 

Por isso, uma avaliação cuidadosa deve considerar mais do que um comportamento específico. História de vida, relações sociais, ambiente familiar e escolar, funcionamento emocional e diferentes formas de aprendizagem ajudam a construir uma visão mais completa de cada indivíduo.

 

Ter altas habilidades não garante uma trajetória de sucesso 

Outro equívoco comum é imaginar que uma pessoa superdotada terá, necessariamente, facilidade na escola, destaque profissional ou uma trajetória de sucesso. A presença de habilidades acima da média não elimina desafios e tampouco garante que essas potencialidades serão desenvolvidas. 

“A gente tem um estereótipo muito errado de que ter altas habilidades e superdotação é igual a ter sucesso ao longo da vida. A falta de desafios, a dificuldade de identificação e a pressão social podem levar ao insucesso ao longo da vida.” 

O ambiente em que a pessoa vive tem papel importante nesse processo. Estímulos adequados, oportunidades de aprendizagem e compreensão das características individuais podem favorecer a expressão dos talentos. 

“O cérebro superdotado precisa ser nutrido. Ele precisa de uma interação dinâmica entre questões internas do indivíduo e o ambiente para que seja possível o desenvolvimento dessas habilidades e realizações ao longo da vida.” 

Quando isso não acontece, as próprias condições do ambiente podem contribuir para dificuldades emocionais. “O ambiente pode adoecer indivíduos com altas habilidades e superdotação se as suas necessidades não forem atendidas. O perfeccionismo, o desenvolvimento assíncrono e a superexcitabilidade podem ser fatores de risco para problemas socioemocionais.”

 

Perceber as altas habilidades cedo pode fazer diferença 

Identificar as altas habilidades na infância não significa colocar a criança em uma categoria ou determinar antecipadamente seu futuro. O objetivo é compreender melhor seu modo de aprender, suas características e os estímulos que podem favorecer seu desenvolvimento. 

A ausência dessa percepção pode fazer com que dificuldades e comportamentos sejam compreendidos de maneira inadequada ao longo da trajetória escolar, familiar e profissional. 

“Tanto o diagnóstico errado quanto os diagnósticos perdidos trazem consequências significativas na vida da criança, do adolescente e do adulto.” 

Para a especialista, o acompanhamento deve envolver diferentes pessoas e áreas, de acordo com as necessidades de cada indivíduo. 

“Os indivíduos com altas habilidades e superdotação devem ser apoiados por profissionais da educação, da saúde e por suas famílias, para que desenvolvam seus talentos ao longo da vida.” 

Mais do que associar a superdotação a desempenho excepcional ou a dificuldades específicas, o caminho é entender que se trata de um perfil diverso, que pode se manifestar de diferentes maneiras. Uma leitura cuidadosa permite reconhecer potencialidades, compreender desafios e criar condições para que essas habilidades sejam desenvolvidas sem transformar características individuais em problemas que elas não necessariamente representam.


Câncer de colo de útero desponta como principal tumor ginecológico no País. Adesão à vacinação contra o HPV esbarra na desinformação e preconceito de pais e adolescentes.

 

Até o final do ano, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima o surgimento de 19.310 casos no território nacional, a maioria em mulheres dos 30 aos 50 anos.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer eliminar o câncer de colo de útero — ou câncer cervical — como um problema de saúde pública até 20301. Para atingir este objetivo, estabeleceu várias metas, entre elas a vacinação de 90% das meninas de até 15 anos contra o HPV, o Papilomavírus Humano, responsável pela quase totalidade da doença. Mesmo disponível na rede pública para meninos e meninas de 9 a 14 anos, a vacinação não alcança essa meta no País, em parte pela desinformação e preconceito de pais e adolescentes. 

“No Brasil, ainda é assustador o número de casos do câncer de colo do útero, uma doença que já não deveria existir, porque tem como um causa um vírus que pode ser prevenido por vacina”, afirma a oncologista clínica Candice Lima, da Oncologia D’Or. 

Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o câncer cervical é o terceiro tumor mais incidente nas brasileiras. No Norte e Nordeste, é o segundo mais frequente na população feminina. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que até o final do ano deverão ser diagnosticados 19.310 casos2 no território nacional, a maioria em mulheres dos 30 aos 50 anos.  Em 2023, a doença representou 5,94% do total de óbitos por câncer nas mulheres do País.

A Campanha Setembro em Flor é um momento oportuno para a disseminação de informações sobre os cânceres ginecológicos, dos quais o de colo do útero ocupa lugar de destaque devido à alta incidência. Outras neoplasias que afetam o aparelho reprodutor feminino são os cânceres do endométrio (o tecido que recobre o interior do útero), de ovário, de vulva e de vagina.

 

Notícias falsas e desinformação

O Brasil ainda enfrenta desafios para atingir a meta da OMS, embora venha apresentando uma boa evolução nas taxas de imunização. Por exemplo, em 2025, a cobertura vacinal contra o HPV alcançou 86,22% das meninas e 74,55% dos meninos, de 9 a 14 anos3. Um estudo4 realizado em escolas públicas e privadas na região Nordeste revelou que 45,54% dos alunos pesquisados desconheciam a vacina, principalmente aqueles que já haviam começado a atividade sexual. O trabalho envolveu 17.805 estudantes de 13 a 17 anos. 

Para a médica Candice Lima, a falta de adesão à imunização reflete ainda os danos causados por notícias falsas que circulam em torno da vacina, como supostos efeitos colaterais. Além disso, como o HPV é uma infecção sexualmente transmissível, muitos pais temem que a imunização seria um meio de incentivar a sexualidade precoce de seus filhos. 

O problema não se restringe ao Brasil. Na França, a cobertura vacinal em 2023 atingiu 54,6% das meninas e 15,8% dos meninos. Um estudo da Universidade de Lorraine5 apontou a desinformação dos pais como um entrave à imunização. Dos pais entrevistados, 1/3 nunca havia ouvido falar do HPV. Alguns viam o contágio pelo vírus como algo distante dada a pouca idade dos filhos e consideravam o câncer de colo do útero uma ameaça remota. Outros receavam que a vacinação poderia estimular seus filhos a iniciar a vida sexual mais cedo. Já os adolescentes diziam ter medo de efeitos colaterais, não gostar de falar sobre sexo e não querer tomar injeção. 

Com o objetivo de ampliar o conhecimento e a conscientização da população sobre a importância da imunização contra o HPV, países como a Austrália, o México e o Peru6 criaram campanhas educativas, que resultaram numa taxa de cobertura superior a 80%. Ambientes online e campanhas nas mídias sociais se mostraram muito úteis para aumentar o engajamento à vacinação, principalmente entre os jovens, que são o principal público dessas plataformas6.

 

O impacto do câncer ginecológico

De acordo com o Observatório Global de Câncer (Globocan), os cânceres ginecológicos representaram 15,25% de todos os casos de câncer na população feminina no mundo em 2022, tendo sido diagnosticados em 1.473.427 mulheres7. Os cânceres de colo do útero, de endométrio e de ovário corresponderam a mais de 1/3 dos casos diagnosticados.  

Os principais tratamentos incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo usados em geral associados para aumentar a sobrevida das pacientes. Porém, os efeitos colaterais físicos e psicológicos têm reflexos profundos nas mulheres com câncer ginecológico. Ao atingir os órgãos reprodutivos, essas doenças afetam a identidade sexual, os relacionamentos íntimos e a imagem corporal da mulher, resultando em maior sofrimento psicológico8. 

Um estudo9 dinamarquês mostrou que mulheres tratadas para câncer ginecológico são mais propensas a usar antidepressivos do que aquelas sem essa condição. Ao acompanhar 16.833 pacientes por 19 anos, os pesquisadores constataram que, um ano após o diagnóstico, o risco foi quatro vezes maior em mulheres com câncer de ovário e três vezes maior para as pacientes com câncer cervical em relação às mulheres saudáveis. O risco para pacientes com câncer de endométrio pouco mais que dobrou.

 

Outros tipos de câncer

Além de atingir o colo do útero, o câncer pode acometer o endométrio, o tecido que recobre a parte interna desse órgão e descama a cada ciclo menstrual, causando o sangramento cíclico nas mulheres em fase reprodutiva. Sexto tumor mais incidente na população feminina mundial, é associado à obesidade, diabete e hipertensão arterial. Em 2020, foram 417.000 novos casos10. 

O câncer de ovário é uma doença silenciosa, que só dá sinais em estágios avançados, quando pode provocar uma pressão, dor ou aumento de volume no abdômen, alterações urinárias e intestinais. Sua causa exata é desconhecida, mas suspeita-se que esteja associada a fatores genéticos, envelhecimento, obesidade e o fato de não ter tido filhos.   A doença ocupou a oitava posição entre os tumores mais frequentes em mulheres, com 324.398 novos casos em 202211. 

Os cânceres de vagina e vulva são raros, correspondendo a 1% da incidência mundial de cânceres na população feminina12. A maioria dos tumores de vagina e uma menor proporção dos cânceres de vulva também estão associados ao HPV.

 

Rastreamento

Durante anos, o rastreamento do câncer cervical baseou-se no exame citopatológico — conhecido como Papanicolau. Em 2024, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o teste de DNA-HPV oncogênico. Em 2025, as diretrizes passaram a recomendá-lo como método primário, com implementação progressiva13. A coleta é semelhante à do Papanicolau, mas o teste procura diretamente o material genético do vírus HPV. Na transição, a citologia segue em uso. 

A coleta não substitui o exame ginecológico, que é realizado para verificar a existência de lesões no colo do útero, na vagina e na vulva. Em caso positivo, uma biópsia pode ser realizada para ajudar a identificar a origem do problema. 

Os números mostram que, no Brasil, a vacinação contra o HPV e o rastreamento estão surtindo efeito. Dados coletados de 382.932 mulheres com câncer ginecológico por pesquisadores do Inca14 apontaram que, entre 2000 e 2015, a incidência dos cânceres cervical, de ovário e de vulva está em queda, enquanto a taxa dos tumores de endométrio e vagina está estável. 

“Precisamos continuar a divulgar a vacinação contra o HPV e desfazer as fake news sobre a vacina. A população deve entender que a vacina não previne só o câncer de útero, mas outros tumores, como aqueles que surgem na região da orofaringe, do canal anal e do pênis”, conclui a oncologista Candice Lima.

 

Oncologia D'Or

 

Referências

1.    World Health Organization. Global strategy to accelerate the elimination of cervical cancer as a public health problem. Geneva: 2020. Disponível em https://www.who.int/publications/i/item/9789240014107.

2.    Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil/Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: Inca, 2026.

3.    Ministério da Saúde. Vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até dezembro. Disponível em https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/defeso-eleitoral/vacinacao-contra-o-hpv-para-jovens-de-15-a-19-anos-e-prorrogada-ate-dezembro.

4.    Silva, T. M. R. et al. (2024). Lack of knowledge about the human papillomavirus vaccine among Brazilian adolescents: A cross-sectional study. Public Health Nursing, 41, 1453–1465.

5.    Houtin, L. et al. Perceptions of HPV vaccination: a qualitative study with adolescents, parents, school staff, and pharmacists. BMC Med 24, 291 (2026).

6.    Bonalumi dos Santos et al. Advancements and Future Perspectives of Human Papillomavirus (HPV) Vaccination in Latin America: Insights from Recent Decades. Healthcare 2025, 13, 2502.

7.    Zhu B et al. Global burden of gynaecological cancers in 2022 and projections to 2050. J Glob Health. PMCID: PMC11327849.

8.    Ma, X. et al. Women's Experience and Management of Cancer-Related Fatigue and Psychological Distress During Treatment for Gynaecological Cancer: A Qualitative Study. J Adv Nurs, 81: 3213-3225

9.    Gorsboel TA et al. Increased risk for depression persists for years among women treated for gynecological cancers - a register-based cohort study with up to 19 years of follow-up. Gynecol Oncol. 2019 ;153(3):625-632. 2019 Apr 8. PMID: 30975472.

10. Crosbie EJ etl al. Endometrial cancer. Lancet. 2022 Apr 9;399(10333):1412-1428.  PMID: 35397864.

11. Caruso G et. al. Ovarian Cancer: A Review. JAMA. 2025;334(14):1278–1291. doi:10.1001/jama.2025.9495

12. Bray F et al. Geographic and temporal variations in the incidence of vulvar and vaginal cancers. Int J Cancer. 2020 Nov 15;147(10):2764-2771.  PMID: 32410226.

13. Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2025. Disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view.

14. Paulino E. et al.  Panorama of Gynecologic Cancer in Brazil. JCO Glob Oncol. 2020 Oct; 6:1617-1630.  PMID: 33108231; PMCID: PMC7605369.

 

Doença de Huntington: metade dos pacientes brasileiros gasta até R$ 1.500 por mês com tratamento

Mapeamento nacional da ABH mostra impacto financeiro da doença, dependência da rede privada e falta de informação sobre direitos e benefícios

 

A convivência com a Doença de Huntington (DH), uma condição rara, neurodegenerativa e hereditária, traz um grande impacto financeiro diretamente a renda e o bem-estar de famílias e pacientes no Brasil. O primeiro Mapeamento Nacional da Doença de Huntington, conduzido pela Associação Brasil Huntington (ABH), com o apoio da Teva Brasil, com 1.437 participantes, aponta que metade dos diagnosticados desembolsa até R$ 1.500 por mês do próprio bolso para custear o tratamento. 

O mapeamento também revela desafios no acesso aos serviços de saúde. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) seja a principal porta de entrada para internações hospitalares (58%), sessões de fisioterapia (39%) e atendimento por neurologista (32%), parte significativa dos pacientes recorre à rede privada para garantir atendimento e terapias essenciais. Entre eles, 58% procuram serviços médicos e de neurologia, 46% buscam atendimento psiquiátrico e 46% arcam com os custos por exames de imagem. 

"A Doença de Huntington é uma condição complexa e progressiva que exige um olhar humano e integrado desde os primeiros sinais. Não se trata apenas de tratar o sintoma físico, mas de oferecer acompanhamento médico neurológico, psicológico e fonoaudiológico contínuo. Quanto mais cedo a sociedade e os profissionais de saúde reconhecerem a doença, mais rápido é possível garantir uma rede de suporte que preserve a qualidade de vida e a dignidade do paciente ao longo de todas as fases da vida", destaca Fábio Carvalho, Diretor Médico da Teva no Brasil. 

A barreira financeira é amplificada pela desinformação. O estudo revelou que dois terços dos pacientes (65%) desconhecem os direitos previdenciários e assistenciais aos quais têm direito por lei. Entre os que acessam benefícios públicos, 44% recebem o auxílio-doença, 22% o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) e 16% aposentadoria por invalidez. 

“O acompanhamento adequado não pode ser um privilégio de quem consegue pagar, precisa ser uma garantia acessível e estruturada na rede pública de saúde. Precisamos desmistificar a doença, desburocratizar o acesso aos benefícios assistenciais e garantir que o SUS ofereça o suporte multidisciplinar que essas pessoas precisam", afirma Gladys Miranda, Presidente da Associação Brasil Huntington.

 

Conhecer para cuidar

A Doença de Huntington é uma condição hereditária rara, que afeta o sistema nervoso central e apresenta como características alterações motoras, comportamentais e cognitivas. É causada por uma mutação no gene que codifica a proteína huntingtina (Htt), que resulta em uma forma anormal da proteína. Essa mutação leva à morte de células nervosas em áreas específicas do cérebro e causa comprometimento em diversas funcionalidades do corpo. 

A transmissão da doença segue um padrão de herança autossômica dominante: basta que um dos pais tenha o gene alterado para que cada filho tenha 50% de chance de herdar a mutação e desenvolver a doença. Homens e mulheres são igualmente afetados e, se a mutação não é herdada, a condição não é transmitida para as próximas gerações1. 

A DH inicia, em geral, em pessoas entre os 30 e 50 anos, com sintomas comportamentais e/ou cognitivos e pode ser confundida com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos. Porém, muitas vezes o diagnóstico só é fechado quando a coreia (movimentos involuntários rápidos e descoordenados) se inicia. O diagnóstico da DH é um processo multifacetado, normalmente feito por um médico neurologista, que envolve avaliação clínica, testes genéticos e, em alguns casos, exames neurológicos adicionais. 

A agilidade na procura por acompanhamento médico auxilia o paciente e seus familiares a planejarem melhor sua assistência, prolongar a autonomia e a manter a qualidade de vida do paciente.

A DH é uma doença rara que afeta cerca de 1 em cada 10 mil pessoas na maioria dos países europeus. A incidência varia em diferentes regiões do mundo. Não existem estatísticas oficiais de casos de DH no Brasil, porém estima-se que existam entre 14.700 e 21 mil pessoas portadoras do gene da doença2. Há locais de alta prevalência como Feira Grande (AL), Ervália (MG) e o distrito de Salão (CE), que, provavelmente, decorrem do isolamento geográfico e casamentos entre parentes.

  

Teva Pharmaceutical Industries Ltd.
www.tevapharm.com.


Teva Brasil
www.tevabrasil.com.br


 Referências  

1 ABH - Associação Brasil Huntington. Herança genética na Doença de Huntington: entenda o risco e a transmissão. Disponível em: Link

2 BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. 27/9 – Dia Nacional da Doença de Huntington. Brasília: Ministério da Saúde, [2023?]. Disponível em: Link


Dia Mundial do Vegetarianismo: 5 cuidados para quem decide tirar a carne da dieta

 

Veja os deslizes que podem comprometer a nutrição de quem decide se tornar vegetariano


Adotar uma alimentação vegetariana pode trazer benefícios à saúde. Estudos associam esse padrão alimentar a um melhor perfil de colesterol e controle da glicemia, menor peso corporal e menor risco de doença isquêmica do coração. Mas simplesmente retirar a carne do prato não torna automaticamente uma alimentação saudável. 

“Sem planejamento e orientação adequada de um médico ou nutricionista, algumas escolhas podem resultar em baixa ingestão de proteínas, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes importantes para o organismo”, coloca a nutricionista Clara Lucía Valderrama, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.
 

A seguir, veja os erros mais comuns:
 

1. Tirar a carne sem orientação

A decisão de eliminar a carne das refeições pode deixar lacunas importantes no cardápio, principalmente em relação à proteína e alguns micronutrientes. Por isso, a orientação de um nutricionista é importante para reorganizar o cardápio de acordo com o tipo de vegetarianismo, a idade, a rotina e as necessidades individuais.

“Não se trata apenas de retirar a carne, mas de entender quais nutrientes ela fornecia e em quais alimentos encontrá-los. Feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja e seus derivados são importantes fontes de proteína vegetal. Quem mantém ovos e laticínios na alimentação também conta com essas opções”, orienta a nutricionista.
 

2. Achar que qualquer proteína vegetal é suficiente

Além de importante para quem quer ganhar e manter os músculos, a proteína participa da manutenção dos tecidos, da produção de enzimas e hormônios e de diversas outras funções do organismo. 

As proteínas são formadas por aminoácidos, sendo nove deles considerados essenciais porque o corpo não consegue produzi-los e, portanto, precisam ser obtidos pela alimentação. Diferentes vegetais apresentam perfis distintos desses aminoácidos. Por isso, variar as fontes proteicas ao longo do dia ajuda a garantir uma ingestão adequada. 

“A combinação arroz e feijão é perfeita para obter os aminoácidos necessários para o corpo. No entanto, o vegetariano não deve se limitar a esses dois alimentos e deve consumir diferentes fontes de proteína ao longo do dia. A soja, por exemplo, se destaca entre os vegetais por fornecer todos os aminoácidos essenciais em boas proporções”, explica a nutricionista.
 

3. Esquecer das vitaminas e dos minerais

A proteína costuma ser a primeira preocupação de quem deixa de comer carne, mas não deve ser o único nutriente a ser avaliado. Vitamina B12, ferro, cálcio, vitamina D, zinco, iodo e ômega-3 também são importantes e podem exigir um planejamento mais cuidadoso, dependendo dos alimentos excluídos e do padrão alimentar adotado. 

A vitamina B12 merece atenção especial, pois é encontrada naturalmente em quantidades relevantes principalmente em alimentos de origem animal. Nesses casos, alimentos fortificados e/ou suplementação podem ser necessários. 

“É importante avaliar cada pessoa individualmente. Não significa que todo vegetariano terá deficiência desses nutrientes, por isso a importância de uma avaliação profissional”, diz a nutricionista.
 

4. Achar que todo alimento plant-based é saudável

Hambúrguer, nuggets, salsicha e outros produtos à base de vegetais podem facilitar a rotina, mas o termo plant-based não é sinônimo de alimento nutricionalmente equilibrado. 

Dependendo da composição, esses produtos podem apresentar quantidades elevadas de sódio e gordura saturada, e baixos teores de proteína e fibras. Por isso, vale comparar a tabela nutricional e a lista de ingredientes. 

“O ideal é que a base da alimentação continue sendo composta principalmente por alimentos in natura e saudáveis, como frutas, legumes, verduras, feijão, lentilha, grão-de-bico, tofu, verduras e cereais integrais”, orienta Valderrama.
 

5. Cair na monotonia alimentar

Quanto maior a variedade do cardápio, maior também tende a ser a diversidade de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos consumidos, tornando a alimentação vegetariana nutricionalmente mais completa. 

“Uma dica simples é observar as cores e os grupos alimentares presentes no prato. Ao longo da semana, vale alternar tipos de feijão e outras leguminosas, cereais, verduras, frutas, sementes e oleaginosas”, recomenda a nutricionista. 


Herbalife
www.Herbalife.com


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