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sábado, 4 de julho de 2026

A VOLTA AO PARAÍSO

Interditado parece igual a proibido. Seja um lugar, um conhecimento, uma pessoa, o que se deseja está ali, ao alcance. Com o acesso negado, contudo. Religiosa e psicanaliticamente, porém, o interdito é um proibido com significados marcantes. Não é um proibido qualquer. Exemplos: um interdito católico é um preceito eclesiástico que nega o acesso a lugares sagrados; o incesto é um interdito social relevante para a psicanálise.

Há, pois, uma diferença relevante entre proibido e interditado: no proibido eu obedeço, ou não, à ordem proibitiva externa; o interdito eu internalizo, logo, obedeço, aparentemente, a mim mesmo, ou ao que, provavelmente, em mim, produziu a interdição.

Convido a um raciocínio que nunca li, mas que, talvez, outros já tenham desenvolvido melhor antes de mim: o feminino, na tradição ocidental, é um interdito. Explico-me: na nossa cultura, a mulher sempre foi o “objeto” que mais se controlou. Foi submetido a controle não apenas o seu corpo, mas a sua movimentação, a sua fala, a sua vontade, a sua postura, os seus sonhos, o seu órgão sexual.

Embora todos os avanços pós-1960, creio que a “coisa” mais controlada do mundo ainda seja o órgão sexual feminino. Sobre a anatomia há uma geografia, e, nela, delimita-se acesso a determinadas “regiões”. Assuntei para a questão porque pensava no Dia da Mulher e via nos jornais aqueles corpos cobertos de preto que se movem nas praças, ou revoltosas, ou sob paz forçada, do Oriente Médio. Sim, roupa não é a apenas roupa; expressa uma cultura.

Já, lá na terra dela, namorei uma moça mulçumana que, pelos costumes do seu lugar, cobria o corpo, incluindo o rosto. Tenho foto com ela, e creio saber o que digo: a foto conta perto de nada, não se conhece quem está dentro da roupa. É interessante: os jogos de aproximação são pelo olhar, pelos sons de algum sorriso, por gestos, pela precisão das palavras, mas, no fundo, você se relaciona sem saber exatamente com quem.

Por aqui é diferente, sim, claro. Mas as sobras da tradição semita nos habitam. O nosso mito “oficial” de fundação, o Velho Testamento, conta que a mulher comeu do fruto da árvore interditada do conhecimento, e, dele, deu de comer ao homem. Pronto: souberam-se nus, tiveram vergonha (será?) e, ainda por cima, inauguraram o pecado original.

Eu aprecio pecados, originais ou não, mas as mulheres sofrem a consequência da desobediência revolucionária de Eva. A mulher que inaugura a mitologia semita foi coberta por folhas de figueira e até hoje é censurada, agredida e até morta, se tira ou mesmo se reduz a roupa.

Homens judeus, cristãos e muçulmanos interditaram as mulheres, em prejuízo deles mesmos. Penso assim por que nos espaços civilizatórios em que as mulheres se libertam das imposições masculinas elas se podem autorizar a dispensar muito da sua obrigação de cobrir-se, o que as emancipa em muitos sentidos (roupa pode ser repressão), e a se relacionar sexualmente com razoável liberdade (sexualidade é autonomia).

Contudo, um contraditório comportamento: mesmo mulheres autônomas, se encontram o “seu” homem, regra geral, são conduzidas ou recaem em submissão. São interditadas ou mesmo se autointerditam para o mundo. Por que será assim? De onde vem isso? Sobras reminiscentes de autoridade patriarcal, introjetada por milênios. Proibição subjetivada. Interdito.

Homens têm licença para expor o dorso em qualquer cultura de fundo semita; mulheres, não. Descreio que uma muçulmana, ao se dirigir à rua, cogite se deve ou não se cobrir; simplesmente se cobre. Desacredito que uma cristã brasileira, ao ir à praia, ajuíze sobre vestir biquíni; veste-o sem refletir. Brasileiras, contudo, descobrem a bunda, algumas os seios, o que é bom, no sentido de que conquistaram o poder fazê-lo.

Será que não se dispensariam de mais vestes se não houvesse um resto de domínio machista estabelecendo um mínimo interditado? Mulheres, regressem ao Paraíso! Eduquem os homens. Alguns protestarão, mas outros vão imitá-las. A natureza governaria os corpos. Seria o éden, a liberdade primitiva. Que nos venha esse céu. Amém.

 

Léo Rosa de Andrade
Doutor em Direito pela UFSC.
Psicanalista e Jornalista.


3 em cada 4 brasileiros acreditam que usar caneta emagrecedora muda como são vistos pelos outros, revela pesquisa da Ecglobal

Imagem gerada por IA

Estudo da empresa do Grupo Stefanini com 402 entrevistas e 206 conversas em comunidade mapeia motivadores, barreiras e estigmas que moldam a decisão de uso

 

As canetas emagrecedoras já fazem parte das decisões de consumo dos brasileiros. Uma pesquisa da Ecglobal, empresa da unidade de negócios Stefanini Marketing especializada em pesquisa de mercado e comunidades digitais, mostra que 75% dos respondentes acreditam que o uso desses medicamentos pode influenciar a forma como são percebidos por pessoas próximas. Entre eles, 32% afirmam que sim e 43% que talvez. Apenas 25% consideram que não haveria impacto. 

O estudo combinou 402 entrevistas com 206 conversas em comunidade, utilizando a metodologia Community Insights para mapear percepções, motivações e barreiras relacionadas ao uso desses medicamentos. 

Quando consideram o uso, os brasileiros apontam como principais motivações alcançar o peso desejado (36%), sentir-se melhor com a própria aparência (35%) e melhorar a saúde ou reduzir riscos médicos (32%). A recomendação médica aparece em quarto lugar, citada por 29% dos respondentes, abaixo de motivações ligadas à estética e à saúde autopercebida. Ver resultados que dieta e exercício não trouxeram motiva 27% e a influência de alguém próximo que usou e se deu bem aparece para 11%. 

A decisão combina objetivos de saúde, bem-estar e imagem pessoal. Os dados indicam que a categoria já ultrapassou o estágio de curiosidade e passou a fazer parte das possibilidades consideradas ativamente por uma parcela relevante dos consumidores. 

Entre as barreiras, efeitos colaterais e custo lideram as resistências. A ausência de indicação médica figura entre os aspectos menos relevantes para quem considera o uso, o que sugere que as preocupações estão mais associadas à experiência e ao acesso ao tratamento do que ao desconhecimento da categoria. 

O estigma persiste, mas mudou de forma. As conversas em comunidade mostram que a popularização dos medicamentos reduziu o tabu em torno do tema, mas não eliminou os julgamentos sobre os caminhos escolhidos para o emagrecimento. A frase "ela não emagreceu, ela usou caneta emagrecedora" é recorrente nas redes e ilustra um preconceito que se desloca. Não é mais sobre o medicamento existir, mas sobre quem merece o resultado. 

"Esses dados mostram um consumidor que já passou da fase de curiosidade. Ele avalia benefícios, pesa efeitos colaterais, calcula o custo e ainda negocia com o olhar das pessoas ao redor. A comunicação do setor ainda não acompanhou esse nível de maturidade. Marcas de saúde e bem-estar têm uma oportunidade clara: entrar nessa conversa com inteligência, não com promessa. O consumidor já sabe o que o medicamento faz. O que ele ainda busca é se sentir compreendido na decisão de usá-lo", afirma Luca Bon, CEO da Ecglobal. 

O que a pesquisa revela, no conjunto, é que o mercado de medicamentos injetáveis para emagrecimento entrou em uma fase onde o conhecimento sobre a categoria já não é o gargalo. O consumidor brasileiro conhece, considera e decide. O que ainda pesa na balança é a experiência esperada, o custo do tratamento e o julgamento do entorno. Farmacêuticas, planos de saúde, clínicas e marcas de bem-estar que souberem ler esses fatores como parte da jornada de decisão, e não como ruído a ser superado, vão encontrar um consumidor mais receptivo e uma conversa mais honesta.


Grupo Stefanini
stefanini.com


Vai praticar esporte radical? Saiba como identificar se uma atividade oferece condições seguras

Professora de Educação Física do CEUB explica o que observar antes de contratar atividades de aventura e lista sinais que podem indicar riscos à segurança
 

A procura por atividades como tirolesa, rapel, escalada, trilhas, paraquedismo e saltos em altura cresceu nos últimos anos entre pessoas que buscam adrenalina, contato com a natureza e superação de limites. Mas a repercussão de um acidente fatal em atividade de aventura nesta semana reacendeu alerta: como saber se uma experiência oferece condições adequadas de segurança? Leandra Batista, professora do curso de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), lista critérios que podem ajudar o consumidor a identificar operações mais preparadas e reduzir os riscos de acidentes.

"A emoção faz parte da proposta dessas atividades, mas ela não pode vir à frente da segurança. O praticante precisa entender que a escolha da empresa, dos profissionais e dos equipamentos é tão importante quanto a experiência em si", afirma. Para a especialista, um dos erros mais comuns é escolher uma atividade apenas pelas fotos nas redes sociais ou pelo preço mais baixo: "É fundamental pesquisar a empresa, as avaliações de clientes e saber quem são os profissionais responsáveis pela operação."

A busca por adrenalina não deve significar assumir riscos desnecessários. "O esporte de aventura pode ser uma experiência positiva quando existe planejamento, orientação adequada e respeito aos protocolos. Segurança não diminui a emoção; ela permite que a atividade aconteça da forma correta", destaca a docente do CEUB. Segundo ela, todo participante deve fazer algumas perguntas antes de contratar atividade de aventura.

Entre os principais pontos de atenção antes de contratar, estão:



A empresa oferece orientações antes da atividade?

Toda atividade de aventura deve incluir um briefing de segurança, com explicações sobre os equipamentos, os riscos envolvidos e os procedimentos que devem ser seguidos durante a prática. "A ausência de orientações ou uma explicação muito superficial pode ser um sinal de alerta", destaca.



Os equipamentos estão em boas condições?

Capacetes, cordas, mosquetões, cadeirinhas, coletes e sistemas de ancoragem precisam passar por inspeções frequentes. "O participante não precisa ser especialista para perceber quando um equipamento está mal conservado ou quando não existe uma rotina visível de conferência antes do uso."



Há profissionais capacitados acompanhando a atividade?

Segundo Leandra, a presença de instrutores treinados e em número compatível com o grupo é fundamental. "Uma operação segura depende de supervisão constante. É importante que existam profissionais disponíveis para orientar e agir rapidamente em caso de emergência."



Existe um plano para situações de emergência?

Outro ponto é verificar se a empresa possui protocolos para primeiros socorros, resgate e acionamento de equipes especializadas. "Mesmo quando tudo é planejado corretamente, imprevistos podem acontecer. Por isso, a resposta à emergência também faz parte da segurança." Leandra reforça que muitas ocorrências estão relacionadas a falhas em procedimentos considerados básicos: "Em diversas modalidades, os acidentes acontecem justamente quando protocolos de segurança deixam de ser seguidos ou quando etapas de conferência são negligenciadas".



O preparo físico também conta

Além da estrutura oferecida pela empresa, especialistas lembram que a condição física do praticante também influencia diretamente a segurança. Fadiga excessiva, problemas cardiovasculares, lesões prévias ou limitações físicas podem aumentar os riscos durante atividades que exigem força, resistência ou coordenação motora. "Nem sempre a pessoa precisa ser atleta, mas é importante conhecer seus limites e respeitar as orientações dos profissionais."



5 sinais de alerta antes de iniciar uma atividade de aventura


Antes de iniciar uma atividade de aventura, vale redobrar o cuidado se houver:

Equipamentos desgastados ou com aparência de má conservação;

Falta de orientações de segurança;

Pressa para iniciar a atividade;

Equipe desorganizada;


Ausência de conferência dos equipamentos antes do uso.



Meta diz remover 92% da nudez antes de denúncias, mas perfis seguem ativos

Apesar das regras internas da plataforma e das exigências do ECA Digital, vídeos pornográficos seguem circulando no Reels e alcançando até contas simuladas como de menores de idade.

 

Perfis com conteúdo pornográfico continuam ativos no Instagram, acumulando milhões de visualizações e driblando sistemas de moderação da plataforma, apesar das regras internas que proíbem esse tipo de material e de legislações mais rígidas voltadas à proteção de menores. 

Os conteúdos circulam principalmente pelo Reels, área de vídeos curtos impulsionada por algoritmos de recomendação. Em muitos casos, aparecem para usuários que não seguem os perfis, ampliando o alcance mesmo sem interação direta com as contas de origem. 

Além da pornografia explícita, parte das publicações inclui links externos suspeitos, com risco de direcionamento a páginas maliciosas. Testes indicam que alguns desses conteúdos também chegam a contas simuladas como menores de idade, o que contraria normas de proteção infantil — num cenário em que 73% dos menores brasileiros já mantêm perfis ativos em redes sociais, índice que chega a 91% entre adolescentes, segundo levantamento do Projeto Brief com a plataforma Swayable, realizado com 1.800 pais e responsáveis de todo o país. 

A Meta afirma que remove 92% dos conteúdos com nudez antes de denúncias de usuários e que utiliza sistemas automatizados para identificar violações. Em nota, a empresa diz não ter interesse na manutenção de conteúdos que infrinjam suas políticas e reforça o uso de tecnologia para moderação. 

No Brasil, o ECA Digital obriga plataformas a adotarem mecanismos para impedir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos pornográficos. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados afirma que há infração quando medidas razoáveis não são aplicadas de forma eficaz. Ainda assim, o desconhecimento é alto: apenas 36% dos pais já ouviram falar do ECA Digital. 

O impacto emocional já aparece nos lares: 46% dos pais percebem nos filhos problemas ligados ao uso das redes. “Estamos falando de uma geração que cresce em ambientes digitais altamente estimulantes, com pouca mediação e grande capacidade de impactar autoestima, comportamento e relações. O risco não está apenas no conteúdo extremo, mas no uso cotidiano, que pode afetar o desenvolvimento emocional”, diz Karen Scavacini, psicóloga, especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere.
  


Karen Scavacini - psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em posvenção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é membro fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.
 

Culpa por não estar feliz pode ser positividade tóxica; entenda

Magnific
Cobrança para parecer bem o tempo todo pode levar à culpa e à negação das emoções, explica especialista

 

Você já se sentiu errado por estar triste, mesmo tendo motivo para isso? Muita gente passa por uma fase difícil e, ainda assim, tenta responder que está tudo bem, agradecer pelo problema e encontrar um lado positivo antes mesmo de entender o que sente. 

Esse comportamento pode estar ligado à positividade tóxica. O termo é usado para descrever a cobrança de manter uma atitude positiva a qualquer custo, mesmo diante de tristeza, medo, raiva, luto ou frustração. 

Para Gustavo Arns, especialista em Ciência da Felicidade, a questão não está em cultivar otimismo, esperança ou gratidão, mas em transformar felicidade em obrigação. 

“A verdade é que nós vivemos hoje numa ditadura da felicidade. Se não estamos felizes 100% do tempo, parece que tem algo de errado conosco. Então, além de sentir tristeza, sentimos culpa por nos sentir tristes”, afirma.

 

Veja sinais de positividade tóxica 

A positividade tóxica pode aparecer de forma sutil. Na prática, esse tipo de cobrança pode aparecer em atitudes como: 

·         Sentir culpa por estar triste, mesmo quando há motivo para isso;

·         Tentar encontrar um lado positivo em tudo antes de acolher o que sente;

·         Esconder dificuldades para parecer forte ou grato;

·         Responder ao sofrimento dos outros com frases prontas;

·         Evitar conversas difíceis para não parecer negativo;

·         Achar que emoções como raiva, medo e tristeza são falhas pessoais.

 

Quando a positividade deixa de ajudar

 

Ser otimista pode ajudar uma pessoa a atravessar momentos difíceis. O problema aparece quando a positividade vira uma forma de apagar emoções reais, em vez de ajudar a lidar com elas.

 

No cotidiano, isso pode aparecer em frases como “pense positivo”, “pelo menos você tem saúde”, “tudo acontece por um motivo” ou “não fique assim”. Embora muitas vezes sejam ditas com boa intenção, essas respostas podem fazer a pessoa sentir que não tem espaço para sofrer.

 

Segundo Arns, todas as emoções fazem parte da vida humana. O incômodo começa quando a pessoa passa a negar o que sente para sustentar uma imagem de força, leveza ou gratidão permanente.

 

“Todas as emoções são importantes, precisam ser abraçadas e acolhidas. A tristeza também tem lugar na vida humana”, diz Arns.


 

O que fazer no lugar

 

O caminho não é abandonar o pensamento positivo. A questão é permitir que ele conviva com a realidade.

 

Em vez de tentar corrigir rapidamente o que o outro sente, pode ser mais útil abrir espaço para acolhimento. Frases como “imagino que esteja difícil”, “você quer conversar sobre isso?” ou “eu não sei como vai ser, mas estou aqui” ajudam a reconhecer a dor sem tentar anulá-la.

 

Para Gustavo Arns, acolher emoções difíceis é parte de uma vida emocional mais madura. A felicidade, nesse sentido, não exige negar a dor.

 

“A vida feliz não é uma vida livre de problemas. É uma vida com capacidade de lidar com eles”, avalia.


 

Quando buscar ajuda

De forma geral, sentir tristeza, ansiedade ou desânimo em alguns momentos faz parte da vida. Mas quando essas emoções se tornam persistentes, atrapalham o sono, alimentação, trabalho, relações ou cuidados básicos, é importante procurar ajuda profissional.

 

Também vale buscar apoio quando a pessoa sente que precisa esconder tudo o que sente, não consegue falar sobre sofrimento ou vive tentando parecer bem para não decepcionar os outros. 

Segundo Arns, reconhecer emoções difíceis não significa abandonar o otimismo. A diferença está em permitir que tristeza, medo, raiva ou frustração sejam percebidos antes de tentar transformar tudo em uma resposta positiva.

 

Gustavo Arns - especialista em Ciência da Felicidade, mestre em Estudos da Felicidade pela Centenary University, nos Estados Unidos, e idealizador do Congresso Internacional de Felicidade, realizado anualmente em Curitiba. É fundador da Escola Brasileira de Ciências Holísticas e criou o Centro de Estudos da Felicidade, além de coordenar a primeira graduação em Ciência da Felicidade do Brasil. É professor em cursos de pós-graduação e autor de livros sobre felicidade e bem-estar, entre eles Ser feliz: é possível?, finalista do Prêmio Jabuti 2025, escrito com Monja Coen, e O dilema das galinhas felizes, com Leandro Karnal. Também atua como palestrante e consultor para empresas e instituições. Seus cursos, eventos e formações já impactaram mais de 150 mil pessoas.



Risco Suicida na Adolescência - Reconhecer, Avaliar e Agir

Comitê Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta para a importância de reconhecer sinais de sofrimento psíquico, combater estigmas e garantir cuidado contínuo em rede

 

O cenário atual da saúde mental na adolescência exige urgência. Dados globais e nacionais evidenciam uma escalada crítica: nos Estados Unidos, as hospitalizações pediátricas por autolesão ou tentativa de suicídio cresceram 163,2% entre 2009 e 2019. No Brasil, o suicídio já figura como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, superado apenas por lesões no trânsito, tuberculose e violências interpessoais. Trata-se de um agravo de saúde pública que, se fosse uma doença infecciosa, seria tratado como surto.

Um dos principais obstáculos na linha de frente é a "hebofobia" — o preconceito e a generalização apressada contra o adolescente. Esse viés faz com que o sofrimento psíquico grave seja frequentemente minimizado e rotulado como "próprio da idade".

Essa minimização ignora a neurobiologia do desenvolvimento adolescente, marcada pela assincronia no amadurecimento cerebral: o sistema límbico (centro das emoções) é altamente reativo, enquanto o córtex pré-frontal (responsável pelo controle de impulsos e planejamento) ainda está em formação.

O acesso precoce e com baixa supervisão às redes sociais tem se apresentado como fator contribuinte nos agravos de saúde mental nessa população.

Para melhorar a qualidade da assistência, mas principalmente os fluxos de acesso no cuidado, é imperativo sistematizar o cuidado através de quatro etapas práticas:

1. (Re)conhecer: Identificar sinais de alerta e quebrar o estigma.

2. Avaliar: Dimensionar o risco de autolesão de forma técnica e objetiva.

3. Apoiar: Acolher o paciente e a família, garantindo que não fiquem desamparados no sistema de saúde.

4. Agir: Implementar um planejamento de segurança imediato.

A intervenção isolada na emergência não é suficiente. O fluxo de cuidado seguro exige referenciamento psiquiátrico imediato e monitoramento contínuo. Independentemente da gravidade do quadro agudo, o acompanhamento com o Pediatra e o Médico de Adolescente (Hebiatra) deve ser mantido, garantindo uma rede de apoio que acolha o paciente de forma integral.

 

Brincar, explorar e aprender: 6 dicas para aproveitar as férias de forma divertida e enriquecedora

 

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Especialistas mostram como atividades simples podem estimular criatividade, autonomia, bem-estar e aprendizado durante o recesso

 

Com a chegada das férias escolares, muitas famílias buscam maneiras de equilibrar descanso, diversão e atividades que contribuam para o desenvolvimento das crianças. Embora o recesso seja fundamental para a recuperação física e emocional após meses de rotina intensa, ele também pode se transformar em uma oportunidade para estimular a curiosidade, a autonomia e novas aprendizagens.

 

Para mostrar como isso é possível, especialistas de diferentes áreas compartilham orientações e sugestões para aproveitar o período de forma saudável e enriquecedora. Entre as principais recomendações, estão:


 

1. Valorizar o tempo livre e o bem-estar emocional

 

As férias oferecem algo cada vez mais raro na rotina de muitas crianças: tempo para brincar, descansar e viver experiências sem a pressão dos horários e das obrigações escolares. Segundo Marina Torrente, coordenadora pedagógica do Anglo Kids, parceiro do programa socioemocional Líder em Mim, o brincar livre exerce um papel fundamental no desenvolvimento emocional. “É durante as brincadeiras que a criança expressa sentimentos, exercita a criatividade e aprende a lidar com desafios e frustrações.”

 

A especialista também destaca que o tédio ocasional não deve ser encarado como um problema. “Muitas vezes, é justamente dele que surgem a imaginação, a iniciativa e novas formas de brincar e criar”, pontua a coordenadora.


 

2. Equilibrar descanso, aprendizado e repertório cultural

 

Este período também podem ser uma oportunidade para ampliar experiências culturais de forma leve e prazerosa. Visitas a museus, parques, centros culturais e espaços ao ar livre ajudam a despertar a curiosidade sem comprometer o descanso.

 

Para o diretor cultural da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, Eduardo Monteiro, atividades que combinam cultura, lazer e contato com diferentes formas de conhecimento favorecem o aprendizado espontâneo e contribui para o bem-estar das famílias. “Espaços culturais permitem que crianças e famílias aprendam de maneira leve, por meio do contato com a natureza, a arte e a história, respeitando o tempo do lazer”, afirma ele.

 

Diogo D'ippolito, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, diz que as férias não precisam representar uma pausa no aprendizado, mas uma oportunidade para aprender de maneiras diferentes, reforçando que ao equilibrar descanso, diversão e experiências enriquecedoras, é criado um ambiente favorável para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais. Segundo D'ippolito, “o mais importante é respeitar o tempo de cada estudante e valorizar atividades que despertem curiosidade, autonomia e prazer em aprender.”


 

3. Fazer um uso saudável e equilibrado da tecnologia

 

As telas estão presentes em parte importante do cotidiano de crianças e adolescentes e podem trazer benefícios quando utilizadas com equilíbrio. O desafio, durante as férias, é evitar que celulares, tablets e videogames ocupem todo o tempo livre.

 

Segundo Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, o excesso no uso das telas pode impactar aspectos importantes do desenvolvimento dos jovens, “aumentando a ansiedade, a irritação e a dificuldade de concentração, especialmente quando o consumo é baseado em vídeos curtos e estímulos muito rápidos”. Além disso, o assessor pedagógico alerta que o uso de dispositivos próximo ao horário de dormir pode prejudicar a qualidade do sono e reduzir o tempo adequado de descanso.

 

Ao mesmo tempo, a tecnologia também pode se tornar uma aliada da aprendizagem quando utilizada de forma intencional. Talita Fagundes, gerente pedagógica da plataforma par, destaca o potencial da gamificação nesse contexto. “Ela pode transformar o período de descanso em oportunidade de aprendizagem, tornando o processo mais dinâmico e interativo.”

 

Segundo a ela, desafios, recompensas e sistemas de progressão ajudam a tornar o aprendizado mais envolvente, permitindo que cada estudante avance no próprio ritmo e mantenha o interesse por novos conteúdos. “Assim, a união entre tecnologia e educação mostra que o descanso também pode ser um momento de descoberta, criatividade e crescimento”, encerra Talita.


 

4. Estimular o raciocínio e a criatividade no dia a dia

 

Muitas oportunidades de aprendizagem surgem em atividades simples da rotina. Cozinhar, cuidar de plantas, fazer compras, visitar parques ou montar quebra-cabeças podem estimular habilidades cognitivas e criativas de forma natural.

 

Para a coordenadora da Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Anglo Alante, Maria Clara Alves, muitas vezes, os aprendizados mais significativos acontecem justamente fora dos contextos formais, “uma ida ao parque ou uma caminhada pelo bairro pode gerar inúmeras aprendizagens.”

 

A especialista explica que fazer perguntas, incentivar observações e envolver a criança nas decisões do cotidiano contribui para ampliar a curiosidade e o pensamento crítico. "A intencionalidade está menos no recurso e mais na forma como ele é utilizado. Durante a leitura de uma história, os pais podem fazer perguntas, incentivar previsões ou pedir que a criança imagine finais diferentes. Nos jogos, vale conversar sobre estratégias, regras e resolução de problemas", diz a coordenadora.


 

5. Manter o raciocínio lógico ativo de forma leve

 

As férias não precisam representar uma interrupção completa dos estímulos cognitivos. Diversas situações cotidianas podem ajudar a exercitar habilidades matemáticas de forma prática e divertida. Segundo Tainara Dias, executiva de negócios acadêmicos da CASIO Educação, a matemática está presente em decisões simples do dia a dia.

 

“A matemática está relacionada à capacidade de analisar informações e tomar decisões. Essas situações estimulam habilidades como raciocínio lógico, estimativa, análise crítica e resolução de problemas, mostrando que a matemática faz parte da vida cotidiana e não apenas do ambiente escolar.”

 

Atividades como comparar preços, calcular gastos de passeios, avaliar descontos ou escolher trajetos mais eficientes ajudam a desenvolver essas competências de forma natural. Além disso, jogos de tabuleiro, desafios de lógica e aplicativos educativos podem complementar esse processo. “Quando bem selecionados, jogos e aplicativos educativos ajudam a desenvolver competências importantes para a matemática e para outras áreas do conhecimento”, explica a executiva.


 

6. Aproveitar as férias para praticar idiomas

 

O recesso também pode favorecer o aprendizado de idiomas ao permitir que os estudantes tenham contato com o inglês em contextos mais descontraídos e significativos. Segundo Anderson Juwer, assessor pedagógico do programa de educação bilíngue da Somos Educação, Eduall, a exposição contínua à língua durante as férias contribui para consolidar conhecimentos e aumentar a confiança na comunicação. “O período das férias oferece a oportunidade de os alunos vivenciarem o inglês de maneira mais leve e espontânea, livre da pressão das avaliações e das tarefas formais,”, afirma. 


Entre as atividades recomendadas pelo especialista estão a leitura compartilhada de livros em inglês, o consumo de conteúdos audiovisuais com áudio original e a incorporação do idioma em brincadeiras, jogos, músicas e situações do cotidiano. “Quando o idioma é associado a experiências positivas e reais, a aprendizagem se torna mais significativa e duradoura”, conclui Juwer.

 

Dormir até mais tarde no fim de semana não resolve o problema, alerta especialista

Variações de apenas uma hora nos horários de sono já podem aumentar o risco de hipertensão e apneia; regularidade pode ser tão importante quanto a quantidade de horas dormidas

 

Dormir algumas horas a mais no sábado e no domingo para compensar as noites mal dormidas durante a semana parece uma solução simples e inofensiva. No entanto, evidências científicas recentes mostram que a prática, conhecida como "jet lag social", pode trazer consequências para a saúde e contribuir para problemas como hipertensão arterial, apneia do sono e alterações metabólicas. 

O fenômeno ocorre quando a pessoa mantém um horário para dormir e acordar durante os dias de trabalho, mas muda completamente a rotina nos períodos de folga. Embora seja uma prática comum, especialmente entre adultos com jornadas intensas de estudo e trabalho, ela pode desregular o relógio biológico do organismo. 

Segundo o médico Carlos Filipe Moraes Coimbra, docente de Semiologia e Temas Integradores do curso de Medicina do Centro Universitário Cesuca, o sono precisa ser analisado não apenas pela quantidade de horas dormidas, mas também pela regularidade dos horários. 

"Muitas pessoas acreditam que o mais importante é atingir um determinado número de horas de sono. Mas hoje sabemos que manter horários consistentes para dormir e acordar pode ser tão importante quanto a duração do sono. O organismo funciona melhor quando consegue reconhecer uma rotina e sincronizar seus processos biológicos com ela", explica. 

A preocupação ganhou força após estudos recentes apontarem que variações de apenas uma hora nos horários habituais de sono já podem estar associadas a um aumento do risco de hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite. 

Do ponto de vista clínico, a relação não surpreende os especialistas. Isso porque o corpo humano possui um sistema interno de regulação conhecido como ritmo circadiano, responsável por coordenar diversas funções fisiológicas ao longo do dia, incluindo pressão arterial, metabolismo, temperatura corporal e produção hormonal. 

"Quando os horários de dormir e acordar mudam constantemente, o organismo perde referências importantes para regular processos essenciais. É como se o relógio biológico precisasse se reajustar repetidamente, gerando um estado de desorganização que afeta diferentes sistemas do corpo", afirma Coimbra.

 

O mito da compensação do sono - Um dos comportamentos mais comuns entre adultos é tentar recuperar o sono perdido ao longo da semana dormindo mais aos fins de semana. Embora essa estratégia possa reduzir temporariamente a sensação de cansaço, ela não elimina completamente os impactos da privação crônica de sono. 

De acordo com o docente, o chamado sono de recuperação pode trazer benefícios imediatos, como melhora do humor, redução da fadiga e maior disposição. No entanto, ele não é capaz de neutralizar todos os efeitos negativos causados por uma rotina irregular. 

"Dormir mais no fim de semana pode proporcionar uma sensação de recuperação no curto prazo, mas não corrige totalmente as alterações metabólicas e cardiovasculares associadas à privação de sono. Além disso, mudanças frequentes nos horários acabam reforçando a desregulação do relógio biológico", destaca.

 

Impactos que vão além do cansaço - Os efeitos do sono irregular não se limitam à sonolência diurna. Pesquisas indicam que a desregulação do ritmo circadiano pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e outros problemas metabólicos. 

Segundo Coimbra, o organismo depende de padrões previsíveis para controlar adequadamente funções como a pressão arterial. 

"Normalmente, a pressão arterial diminui durante o período de sono e volta a subir pela manhã. Quando a rotina é irregular, o corpo tem mais dificuldade para reconhecer esses ciclos, o que pode contribuir para alterações na regulação cardiovascular e aumentar o risco de hipertensão ao longo do tempo." 

Outro fator preocupante é a associação entre sono irregular e apneia obstrutiva do sono. A condição afeta milhões de pessoas e pode provocar ronco intenso, despertares frequentes, sonolência excessiva durante o dia e aumento do risco cardiovascular.

 

O celular também entra na conta - Além da correria cotidiana, o uso excessivo de telas tem contribuído para o crescimento dos distúrbios relacionados ao sono. A exposição à luz emitida por celulares, computadores e tablets durante a noite pode atrasar a produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao organismo que é hora de dormir. 

Somam-se a isso fatores emocionais, excesso de informações, redes sociais e o hábito de permanecer conectado até momentos antes de dormir. 

"O sono ainda é frequentemente tratado como algo secundário, que pode ser sacrificado em nome da produtividade, do trabalho ou do entretenimento. Precisamos mudar essa percepção. Dormir não é perda de tempo. É um processo biológico fundamental para a saúde do cérebro, do coração e de todo o organismo", ressalta o médico.

 

Quando procurar ajuda - Os especialistas recomendam atenção para sinais como cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor, dores de cabeça frequentes, ronco intenso e sonolência excessiva durante o dia. 

Caso os sintomas persistam mesmo após ajustes na rotina, a orientação é buscar avaliação médica para investigar possíveis distúrbios do sono. 

"A boa notícia é que muitos problemas relacionados ao sono têm tratamento. Quanto mais cedo forem identificados, maiores são as chances de prevenir complicações futuras e melhorar a qualidade de vida", conclui Coimbra.

 

Cinco atitudes para melhorar a regularidade do sono 

Manter horários semelhantes para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana 

Evitar o uso de celulares, computadores e tablets próximo ao horário de dormir 

Utilizar a cama apenas para dormir, evitando trabalho ou uso prolongado de telas 

Praticar atividade física regularmente 

Procurar avaliação médica em casos de ronco intenso, sonolência excessiva ou cansaço persistente

  

Centro Universitário Cesuca
www.cesuca.edu.br


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