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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Novembro Azul: Dr. João Ricardo alerta para a importância da prevenção e explica como o diagnóstico precoce do câncer de próstata salva vidas

Urologista reforça que o cuidado com a saúde masculina vai muito além dos exames anuais e que quebrar tabus é o primeiro passo para reduzir o número de diagnósticos tardios no Brasil.

 

Com a chegada de novembro, o tradicional mês de conscientização sobre a saúde do homem, o Novembro Azul, ganha força nas campanhas e consultórios de todo o país. O Dr. João Ricardo, urologista e referência na área, ressalta que o momento é fundamental para reforçar a importância da prevenção, do autocuidado e do diagnóstico precoce do câncer de próstata — uma das doenças que mais acometem os homens brasileiros. 

“O câncer de próstata é silencioso. Na maioria das vezes, o paciente não sente nada até que o quadro esteja avançado. Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial”, explica o especialista.

 

Câncer de próstata: números que exigem atenção 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A estimativa é de mais de 70 mil novos casos por ano no Brasil, com uma taxa de mortalidade ainda alta — muito por conta da resistência masculina em procurar o médico. 

“Ainda existe um estigma em torno do exame de toque retal e da ida ao urologista. Muitos homens deixam de se cuidar por vergonha ou medo, e isso pode custar a vida”, alerta o Dr. João Ricardo. 

O especialista reforça que, quando identificado nas fases iniciais, o câncer de próstata tem mais de 90% de chances de cura. O diagnóstico é feito por meio do exame de sangue PSA e do toque retal, ambos simples, rápidos e realizados durante a consulta de rotina.

 

Saúde masculina vai além da próstata 

Embora o foco do Novembro Azul seja o câncer de próstata, o Dr. João Ricardo faz questão de lembrar que o cuidado com a saúde do homem deve ser integral e contínuo. 

“O homem precisa entender que cuidar da saúde não é sinal de fraqueza, e sim de responsabilidade. A prevenção envolve alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, do estresse e das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”, explica. 

Ele também chama atenção para os problemas urinários e de disfunção erétil, que muitas vezes são negligenciados. 

“A consulta com o urologista não deve ser procurada apenas em situações de dor ou urgência. É o momento de avaliar todo o funcionamento do sistema urinário e reprodutivo, garantindo uma vida mais saudável e ativa”, complementa.

 

A importância da informação e do diálogo 

Para o especialista, a quebra de tabus é um dos maiores desafios quando o assunto é saúde masculina. 

“Falar sobre próstata, exames e sexualidade ainda é um tabu. Muitos homens só procuram ajuda quando o problema já está avançado. É preciso mudar essa mentalidade e entender que informação é sinônimo de prevenção”, afirma. 

Campanhas como o Novembro Azul, segundo ele, têm papel essencial para incentivar conversas abertas sobre o tema, inclusive dentro de casa. 

“Mulheres, esposas e filhas também têm um papel importante. São elas que muitas vezes incentivam o homem a procurar o médico. O cuidado é uma via de mão dupla”, destaca.

 

Um alerta para todas as idades 

O Dr. João Ricardo reforça que os cuidados devem começar cedo. Homens a partir dos 45 anos — ou 40, no caso de histórico familiar de câncer de próstata — devem realizar avaliações anuais. 

“O melhor tratamento é sempre a prevenção. E quanto mais cedo o acompanhamento começar, maiores as chances de evitar complicações e garantir uma vida longa e saudável”, conclui. 

O Novembro Azul é mais do que uma campanha: é um chamado à responsabilidade e ao autocuidado. Como lembra o Dr. João Ricardo, cuidar da saúde é um ato de amor próprio e de respeito à vida. 

“O diagnóstico precoce salva vidas todos os dias. A informação é o primeiro passo, e a prevenção é o caminho mais seguro.”

 

Avanços no tratamento da dermatite atópica ampliam o controle das crises e a qualidade de vida dos pacientes

Avanços no tratamento da dermatite atópica ampliam o controle
das crises e a qualidade de vida dos pacientes
 Canva
Conhecimento sobre mecanismos inflamatórios tem impulsionado terapias mais eficazes e personalizadas

 

A dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele que causa coceira intensa, vermelhidão e ressecamento, afetando principalmente crianças, mas podendo acometer pacientes de qualquer idade. Embora não seja contagiosa, a doença pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, exigindo cuidados contínuos com hidratação e o uso de produtos específicos.

Segundo a secretária científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Renata Heck, os avanços recentes estão diretamente ligados ao melhor entendimento dos mecanismos imunológicos da enfermidade.

“Essas evoluções decorrem do melhor entendimento dos mecanismos moleculares e imunológicos da doença, especialmente da via inflamatória TH2. Isso permitiu o surgimento de terapias-alvo, como biológicos e pequenas moléculas, que proporcionam controle mais eficaz das crises, menos efeitos adversos e melhora da qualidade de vida. A classificação por fenótipos e endótipos também possibilita tratamentos mais personalizados conforme o perfil clínico de cada paciente”, explicou.

A médica acrescenta que a identificação precoce e o cuidado diário são fundamentais para o controle da dermatite.

“Os primeiros sinais incluem coceira intensa, ressecamento e vermelhidão da pele, geralmente em áreas de dobra. A doença resulta de alterações da barreira cutânea e da resposta imune, sendo influenciada por fatores genéticos e ambientais. Para evitar o agravamento, recomenda-se hidratar a pele diariamente, usar produtos suaves, evitar banhos quentes e excesso de sabonetes, e seguir rigorosamente as orientações médicas”, orientou.

A SBD-RS destaca que o manejo adequado da dermatite atópica requer acompanhamento contínuo com o dermatologista, que poderá indicar o tratamento mais apropriado para cada fase da doença e ajustar as condutas conforme a resposta clínica. A combinação entre terapias inovadoras, autocuidado e orientação profissional tem permitido resultados cada vez mais expressivos no controle da inflamação e na recuperação da saúde cutânea.

 

Rafael Sodré e Marcelo Matusiak


Bronquiolite por VSR em bebês tem em 2025 um dos anos mais críticos no Brasil

Hospitalizações por VSR em bebês ultrapassaram os totais anuais anteriores, segundo dados do OPENDATASUS1 

 

O Brasil enfrenta um dos anos mais críticos de casos do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de hospitalizações por infecções respiratórias em crianças pequenas. Dados do OPENDATASUS revelam que o número de internações por VSR em bebês de até 1 ano superou o número registrado em 2024, 2023 e 2022 — anos já considerados desafiadores.1

Entre fevereiro e junho de 2025, o país registrou um número 36% maior de hospitalizações por VSR em relação ao mesmo período de 2024 e 71% acima do observado em 2023.1 A seriedade dos quadros também chama atenção: só em maio deste ano (semana epidemiológica 19), 31% dos bebês hospitalizados precisaram de UTI, evidenciando a gravidade dos quadros clínicos e o impacto sobre a rede hospitalar.

Os dados ainda mostram que algumas regiões do país tiveram aumento expressivo no número de casos de crianças menores de um ano hospitalizadas pelo VSR: a região Sul apresentou 35% mais casos que em comparação a 2024. Já a região Centro-Oeste, os casos saltaram 58% em relação ao ano passado e no Sudeste, a escalada foi ainda maior: 62% sobre 2024 e 169% sobre 2023.1

“Os dados reforçam como os casos de VSR cresceram nos últimos anos, retomando um comportamento anterior à pandemia. Em 2025 registramos mais casos do que em temporadas anteriores, o que pressiona hospitais e afeta profundamente as famílias. A circulação intensa que observamos exige atenção redobrada não só de pais e cuidadores, mas também das autoridades de saúde e de toda a sociedade para que possamos adotar medidas eficazes para proteger todos os bebês”, afirma Dr. Marco Aurélio Sáfadi, pediatra, infectologista e presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Com a experiência de um 2025 marcado pela circulação intensa, a expectativa agora recai sobre o reforço da prevenção para a próxima sazonalidade (termo que usamos para definir o período que antecipamos como aquele de maior circulação do VSR). É previsto que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie a aplicação do imunizante nirsevimabe em bebês prematuros já em 2026 para reforçar a estratégia nacional contra o vírus.2 

“Proteger os bebês prematuros e aqueles com determinadas condições clínicas como as doenças pulmonares crônicas, as doenças cardíacas, a fibrose cística, as imunodeficiências, síndrome de Down, entre outras representa um avanço importante, pois eles estão entre os mais vulneráveis às complicações do vírus sincicial respiratório. A inclusão desse grupo no Programa Nacional de Imunizações é um passo inicial que pode contribuir para reduzir internações graves nessa população de maior risco e, ao mesmo tempo, pavimentar a expansão da estratégia de prevenção para todos os recém-nascidos brasileiros nos próximos anos”, declara Dr. Marco Aurélio. Não devemos nos esquecer que aproximadamente 70 a 80% das hospitalizações e das mortes ocorrem em bebês previamente saudáveis e sem fatores de risco, o que destaca a importância de contarmos com estratégias de prevenção disponíveis para todos os bebês.

O nirsevimabe é indicado para todos os bebês em sua primeira sazonalidade, independentemente de serem prematuros ou nascidos a termo.3 Essa proteção já pode ser acessada na rede privada, inclusive com cobertura pelo plano de saúde em casos específicos. O imunizante pode ser acessado em clínicas de vacinação e maternidades, garantindo a aplicação logo após o nascimento. “É uma ferramenta eficaz e segura para prevenir casos graves de VSR. Não apenas para os prematuros, mas todos os bebês podem se beneficiar dessa proteção e transformar o cenário da doença no país, reduzindo internações e garantindo um começo de vida mais saudável”, complementa o especialista.

O reembolso pelo plano de saúde é válido para os mesmos perfis que serão atendidos pelo SUS: bebês prematuros com idade gestacional menor do que 37 semanas e crianças de até 2 anos de idade imunocomprometidas ou com comorbidades como cardiopatia congênita, broncodisplasia, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas.


Sobre o VSR

O VSR é um agente comum de infecções respiratórias, que pode ser mais contagioso do que a gripe4-5 e uma das principais causas de bronquiolite, pneumonia e hospitalizações em bebês com menos de um ano de idade6. Embora a maioria dos bebês apresente sintomas leves semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, espirros e congestão nasal, alguns podem desenvolver infecções mais graves que resultam em internações recorrentes.7 

No Brasil, uma das principais estratégias é o nirsevimabe, anticorpo monoclonal de dose única que protege durante toda a sazonalidade. O imunizante está incorporado ao SUS e à ANS para todos os prematuros nascidos antes ou durante a sazonalidade, mas o imunizante é indicado para todos os bebês, de acordo com a bula. O Chile é um exemplo de adoção da imunização universal com o nirsevimabe: o país optou por oferecer o imunizante para todos os bebês, prematuros ou nascidos a termo, contra o VSR. Como resultado, houve redução de 76% das hospitalizações por VSR e 85% na redução de internações em UTI pediátrica por VSR.

Além disso, o programa evitou cerca de 4.600 hospitalizações, representando uma queda de 77% nos casos esperados para o ano 8. E, por fim, nenhuma morte por VSR foi reportada em bebês menores de 1 ano na temporada de 2024. 



Sanofi

 

Referências

  1. SRAG 2021 a 2025 - Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave - incluindo dados da COVID-19 - Conjunto de dados – OPENDATASUS
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Novas tecnologias são incorporadas ao Rol pela ANS. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/novas-tecnologias-sao-incorporadas-ao-rol-pela-ans-1
  3. Bula BEYFORTUS
  4. Li Y et al. Lancet Glob Health 2019; 7: e1031 e10.
  5. Reis J & Shaman J. Infect Dis Model 2018; 3: 23–34
  6. Fiocruz alerta para prevenção do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Disponível em: Link
  7. CDC (Center for Disease Control and Prevention) - RSV (Respiratory Syncytial Virus: Symphtoms and Care). Disponível em: Link.
  8. Effectiveness and impact of nirsevimab in Chile during the first season of a national immunisation strategy against RSV (NIRSE-CL): a retrospective observational study. Disponível em Link
  9.   Hospital El Pino. MINSAL CIERRA EXITOSAMENTE CAMPAÑA DE INVIERNO 2024. Disponível em: Link [acessado em abril de 2025]; Torres, JP. Estratégia de prevenção universal contra o vírus sincicial respiratório no Chile com nirsevimabe durante a temporada de inverno de 2024: Dados de eficácia e impacto. Apresentado no 13o Simpósio Internacional do VSR de 2025, Cataratas do Iguaçu, Brasil. Número oral: ARBI0339.

9.  

A doença crônica do padre Fábio de Melo o impede de comer açúcar há seis anos


O zumbido nos ouvidos, também conhecido como tinnitus, é uma condição que afeta cerca de 15% da população mundial, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Recentemente, o padre Fábio de Melo trouxe à tona essa questão ao relatar sua experiência pessoal com o problema, chamando atenção para um incômodo que, embora invisível, pode impactar significativamente a qualidade de vida.

O médico otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros explica que o zumbido não é uma doença em si, mas um sintoma que pode estar relacionado a diferentes condições, como perda auditiva, exposição prolongada a ruídos altos, uso de medicamentos ototóxicos, doenças metabólicas e até mesmo estresse. "O som percebido pode variar entre um apito, chiado, pulsação ou um barulho constante que só o paciente consegue ouvir", detalha o especialista.

No caso de Mariana Rios, a atriz destacou o impacto emocional causado pelo zumbido, algo comum em quem enfrenta a condição, que pode estar associado a ansiedade, insônia e até depressão.

“Outros fatores podem expor o paciente ao zumbido como grande exposição a ruídos altos como em shows, uso de fones de ouvido em volume elevado ou ambientes ruidosos, pois podem prejudicar as células sensoriais do ouvido interno ou até estar atrelado a doenças metabólicas como diabetes ou disfunções da tireoide e até fatores emocionais como estresse e ansiedade agravam os sintomas ou desencadeiam o problema”, alerta o médico.

Mas, Dr. Bruno afirma que tem tratamento como a reabilitação auditiva com uso de aparelhos auditivos, terapia sonora com sons de baixa intensidade, como ruído branco, ajudam a mascarar o zumbido e promovem relaxamento e mudanças no estilo de vida em relação a alimentação, redução do estresse e atividade física regular podem ter impacto positivo.

“Em alguns casos, medicamentos e suplementos podem ser usados sob orientação médica para tratar condições associadas. O mais importante é buscar ajuda médica assim que os sintomas surgirem. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhores são as chances de controle", orienta o Dr. Bruno Barros.
 

 

FONTE:  

Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


Com cerca de 17 milhões de casos no mundo, paralisia cerebral é a principal deficiência física na infância

O cuidado adequado e contínuo, iniciado precocemente, é essencial para garantir qualidade de vida e prevenir complicações ao longo da vida

 

Outubro marca o Dia Mundial da Paralisia Cerebral, movimento de conscientização e apoio às pessoas que vivem com a condição, além de suas famílias e cuidadores1. Considerada um grupo de distúrbios que engloba dificuldade de movimentação e rigidez muscular ou postural (espasticidade)2, a paralisia cerebral (PC) costuma ser resultado de uma lesão no cérebro ainda em formação – durante a gestação, parto ou na primeira infância. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 30 mil novos casos por ano3. 

De acordo com a neuropediatra e fisiatra, Carla Caldas, embora a condição não piore com o tempo, ela pode impactar algumas funcionalidades. “A PC não progride, mas os sintomas podem mudar à medida que a criança cresce. Sem cura, o cuidado multidisciplinar precoce e constante é fundamental para aumentar a qualidade de vida e independência dos pacientes”, explica. 

Entre os fatores de risco da paralisia cerebral estão a falta de oxigenação no cérebro (hipóxia), a prematuridade, infecções durante a gestação e traumatismos. A especialista avalia que o diagnóstico precoce ainda é um desafio, mesmo com os avanços em neuroimagem e nas ferramentas de avaliação do desenvolvimento. “Faltam protocolos de triagem e profissionais capacitados para aplicar avaliações mais modernas”, ressalta a médica. 

Os sintomas e o grau de comprometimento variam conforme a extensão e a área do dano neurológico. Existem diferentes tipos de paralisia cerebral, como a espástica (marcada por rigidez muscular), a discinética (movimentos involuntários), a atáxica (problemas de equilíbrio e coordenação) e formas mistas, que combinam mais de uma característica4. “Alguns pacientes apresentam apenas leve desequilíbrio, enquanto outros podem ter limitações motoras graves, o que exige órteses, andador ou cadeira de rodas. Também não podemos deixar de pontuar os impactos cognitivos”, explica a neuropediatra. 

O tratamento da PC deve ser contínuo e adaptado a cada fase da vida. “A reabilitação envolve uma equipe multiprofissional, podendo contar também com tecnologias assistivas e medicamentos”, conta a especialista. 

Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a condição e combater a desinformação, a especialista explica a seguir alguns mitos e verdades sobre a paralisia cerebral:

 

“A paralisia cerebral sempre piora com o tempo” 

Mito. A PC é uma condição não progressiva, portanto o que pode mudar ao longo dos anos são os sintomas e suas consequências, que precisam de acompanhamento constante. “Falamos que é uma encefalopatia não progressiva, mas com consequências dinâmicas. 

O paciente pode desenvolver dor crônica, rigidez muscular e perda de mobilidade se não houver reabilitação adequada”, explica a Dra. Carla. Segundo ela, o uso regular da toxina botulínica tipo A e o ajuste de equipamentos de assistência, como órteses e cadeiras de rodas, ajudam a manter a funcionalidade mesmo na fase adulta.

 

“O tratamento precisa ser ajustado ao longo dos anos” 

Verdade. O manejo precisa ser ajustado a cada fase da vida. “Na adolescência e na vida adulta, as demandas mudam. Surgem desafios como dor crônica, fadiga, perda de força e dificuldades psicossociais — escolarização, trabalho, sexualidade e independência. O acompanhamento contínuo é o que garante qualidade de vida e evita complicações”, afirma a médica.

 

“A espasticidade é inevitável e não tem tratamento” 

Mito. A rigidez muscular, típica da forma espástica da PC, pode ser controlada com terapias adequadas. “A toxina botulínica tipo A é um dos tratamentos mais consolidados para reduzir a espasticidade e a distonia. Ela melhora a amplitude dos movimentos, o conforto e até atividades como caminhar, se vestir e se alimentar”, explica Carla. O tratamento, porém, deve ser combinado com fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar. “Após a aplicação, o paciente é reavaliado e novas doses podem ser feitas a cada três meses, conforme a necessidade”, completa.

 

“Com cuidado multidisciplinar e suporte familiar, é possível viver ter mais qualidade de vida” 

Verdade. “Quando há diagnóstico precoce, acesso a terapias e apoio familiar, o paciente pode atingir um alto nível de funcionalidade e inclusão. A reabilitação regular, o uso de tecnologias assistivas e o controle da espasticidade com toxina botulínica A são pilares para que ele conquiste autonomia e bem-estar ao longo da vida”, pontua a Dra. Carla.

 

“O diagnóstico precoce é essencial” 

Verdade. Detectar precocemente a PC faz toda a diferença no desenvolvimento do paciente. “O diagnóstico precoce permite iniciar terapias direcionadas ainda nos primeiros meses de vida, quando o cérebro está em intensa fase de plasticidade. Isso pode mudar completamente o prognóstico motor e cognitivo”, destaca a neuropediatra. A especialista ressalta que ferramentas como a General Movements Assessment (GMA) e o exame neurológico de Hammersmith têm acurácia de até 95% em bebês de risco. “Infelizmente, no Brasil, ainda são poucos os profissionais capacitados para aplicá-las, o que atrasa o início da reabilitação”, finaliza.

 

Referências

1 WORLD CEREBRAL PALSY DAY. Home: World Cerebral Palsy Day. Disponível em: Link. Acesso em: 24 ago. 2025.

2 BRASIL. Diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: Link. Acesso em: 03 out. 2025.

3 BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde (BVSMS). Unicamente PC: 06/10 – Dia Mundial da Paralisia Cerebral. Brasília: BVSMS. Disponível em: Link. Acesso em: 6 out. 2025.

4 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: Link. Acesso em: 6 out. 2025.

 

Paciente compara duas cirurgias de prótese de joelho e destaca recuperação com técnica robótica

“A cirurgia de joelho com o robô Mako é menos invasiva e tem recuperação
 pós-operatória menos dolorosa”, explica o ortopedista Dr. Thiago Fuchs.
Foto: Divulgação / Dr. Thiago Fuchs


Após enfrentar duas cirurgias de prótese de joelho, Nádia Sampaio Ghem tornou-se exemplo vivo de como a tecnologia vem transformando a ortopedia moderna. A paciente teve a oportunidade de vivenciar as duas técnicas — primeiro o método tradicional e, três anos depois, a cirurgia robótica com o sistema Mako, conduzida pelo ortopedista Dr. Thiago Fuchs, especialista em cirurgia de joelho e quadril.

“Estou muito feliz com o resultado das duas cirurgias, mas com a robótica a recuperação está sendo bem mais rápida e menos dolorosa”, relata Nádia, que é bancária aposentada.

A diferença foi evidente desde o pós-operatório imediato. Na primeira cirurgia, foram cinco meses de fisioterapia e hidroterapia até conseguir caminhar sem dor. Já na segunda, apenas 30 dias após a cirurgia robótica, Nádia já andava sem muletas, com amplitude de movimento surpreendente. “Minhas fisioterapeutas ficaram impressionadas. A evolução foi muito mais natural e confortável”, conta.
 

Tecnologia que redefine a cirurgia de joelho

O caso de Nádia ilustra o avanço da cirurgia robótica no tratamento da artrose de joelho, condição que afeta milhões de brasileiros acima dos 50 anos.

Desde dezembro de 2024, Curitiba conta com o robô Mako, desenvolvido pela Stryker, uma das maiores fabricantes de próteses ortopédicas do mundo. O equipamento está disponível no Hospital Marcelino Champagnat e traz um novo patamar de precisão e personalização nas artroplastias.

“O Mako é uma das tecnologias robóticas mais utilizadas no mundo para cirurgias de joelho e quadril. O que antes parecia o futuro, agora é a realidade”, afirma Dr. Thiago Fuchs.

O robô Mako utiliza uma tecnologia que combina planejamento em 3D, sensores e inteligência de precisão para auxiliar o cirurgião. Antes da cirurgia, para o planejamento é feita uma tomografia computadorizada detalhada do joelho do paciente. Com essas imagens, o sistema cria um modelo tridimensional que mostra exatamente a anatomia e as deformidades da artrose. Isso permite que o médico planeje a cirurgia de forma totalmente personalizada, de acordo com o formato do joelho, anatomia e o estilo de vida de cada pessoa.

Durante o procedimento, o robô também mede e auxilia no equilíbrio da tensão dos ligamentos — as estruturas que mantêm o joelho estável. Assim, o cirurgião pode ajustar o posicionamento da prótese para que o movimento do joelho fique o mais natural possível. Essa precisão ajuda a evitar desconfortos, rigidez e limitações nos movimentos após a recuperação.

Outro diferencial é o sistema de segurança do braço robótico, que funciona como uma barreira virtual: ele impede que o corte ultrapasse os limites definidos pelo planejamento. Isso significa que apenas a área necessária é tocada, preservando músculos, ligamentos e outras partes saudáveis. O resultado é uma cirurgia mais delicada, menos invasiva e com recuperação menos dolorosa.

 

Cirurgia personalizada e recuperação acelerada

No caso de Nádia, a cirurgia com o sistema Mako representou não apenas uma nova técnica, mas uma experiência completamente adaptada ao seu corpo, estilo de vida e expectativas. “O posicionamento do implante e o grau de correção das deformidades do joelho podem ser individualizados para cada caso, respeitando as características anatômicas e necessidades de cada paciente. O robô permite essa personalização e minimiza a margem de erro”, explica o especialista.

Essa personalização, aliada à menor agressão aos tecidos e menos dor, consequentemente com uma recuperação mais precoce, foi decisiva para que Nádia retomasse uma vida praticamente sem restrições com apenas 30 dias de cirurgia.

“Ver pacientes como a Nádia se recuperando com tanta confiança e autonomia mostra que a tecnologia veio para somar à experiência médica, e devolver a qualidade de vida com muito mais precisão e uma melhor experiência ao procedimento cirúrgico”, conclui Dr. Thiago Fuchs.


Saiba como fatores ambientais podem afetar a saúde do coração


Especialista explica relação entre ambiente e doenças cardiológicas; veja orientações
 

Poluição sonora e do ar, clima extremo, estresse crônico e contaminantes. Cinco fatores ambientais presentes no dia a dia da população dos grandes centros e que aumentam os riscos à saúde cardiovascular. Do ponto de vista biológico, eles criam um ambiente hostil para o sistema cardíaco e, em longo prazo, podem ampliar as chances de infarto e acidente vascular cerebral. 

De acordo com o Dr. Nilton Carneiro, cardiologista e arritmologista do Centro de Cardiologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, a exposição contínua a esse conjunto de agentes externos gera um impacto considerável e deve ser avaliada e tratada por especialistas inclusive de forma preventiva, ou seja, antes de surgirem sinais e sintomas de doenças associadas. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) corroboram que ambiente e estilo de vida tem impacto superior à predisposição genética. Quando se trata de doenças cardiovasculares, apenas 20–30% são provenientes de riscos não modificáveis, ou seja, 70% tem como causa aspetos externos. "Isso reforça que fatores ambientais e comportamentais são ponto crucial para a prevenção", explica o especialista.
 

Poluição do ar

Classificado como nível moderado pelos órgãos de monitoramento, o índice de poluição do ar em São Paulo, por exemplo, já é suficiente para elevar os riscos de problemas cardiológicos. Uma das causas é a concentração de um tipo de poeira extremamente fina, presente no ar: o chamado material particulado fino (PM2.5) que, em medições recentes, aparece em valor superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O Dr. Nilton Carneiro explica que o PM2.5 consegue penetrar nos pulmões e chegar à corrente sanguínea, gerando resposta inflamatória e estresse oxidativo, o que acelera o envelhecimento e aumenta a possibilidade de doenças. As alterações afetam os vasos sanguíneos e deixam o sangue mais propenso a formar coágulos. Consequência: risco de infarto agudo do miocárdio, AVC e arritmias, mesmo em pessoas sem histórico de doenças cardiovasculares.
 

Poluição sonora e estresse

Uma reação em cadeia é gerada por elementos comuns à rotina dos brasileiros: poluição sonora eleva os hormônios do estresse que, quando crônico, produz aumento dos níveis de cortisol e pressão arterial; falta de exercício físico e menor contato com espaços verdes dificultam o relaxamento, que por sua vez ajudaria a evitar o estresse e a preservar o coração. 

“A exposição crônica ao ruído faz o corpo ativar seu sistema de alerta e ser mantido em estado de tensão por conta da desregulação da produção de cortisol e adrenalina. Isso pode resultar em aumento da pressão arterial, alteração do fluxo sanguíneo, estresse oxidativo e inflamação, ampliando o risco de infarto e AVC. Nesse ponto, políticas públicas que reduzam ruído urbano e de tráfego são essenciais”, avalia o especialista.
 

Clima extremo

Mudanças extremas do clima também afetam o coração. As ondas de calor, por exemplo, impõem estresse térmico ao corpo e podem causar desidratação, aumento da viscosidade do sangue e sobrecarga cardíaca, elevando as possibilidades de infarto, arritmias e AVC. Idosos, pessoas com insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, hipertensos e usuários de certos medicamentos (como diuréticos) são mais vulneráveis.
 

Contaminantes

Metais pesados, como chumbo e arsênio, além de compostos industriais, acarretam danos ao sistema cardiovascular, entre eles a aterosclerose acelerada - entupimento das artérias. Mesmo em baixas doses, a exposição contínua e o acúmulo no organismo são preocupantes. “Algumas das consequências são hipertensão e maior risco para arritmias e insuficiência cardíaca”, afirma o especialista do Hospital Santa Catarina – Paulista. Abaixo, o médico dá orientações para preservar a saúde.
 

Dicas para reduzir efeitos:

  • Diminua a exposição à poluição: evite atividades físicas próximas a vias movimentadas, use purificadores de ar em ambientes fechados e tenha atenção aos índices de qualidade do ar.
  • Gerencie o estresse: pratique técnicas de atenção plena, respiração e meditação e busque parques e áreas verdes com frequência para reduzir o cortisol.
  • Hidrate-se e fique atento no calor extremo: reforce a ingestão de líquidos durante ondas de calor e evite exercícios exaustivos nos horários mais quentes.
  • Cuidado com a água: considere o uso de filtros de qualidade para reduzir a exposição a contaminantes como chumbo e arsênio.
  • Proteja sua audição: use protetores auriculares quando necessário, insonorize ambientes, priorize áreas silenciosas e incorpore "pausas acústicas" na rotina.

Dia D nacional contra a dengue, Zika e chikungunya acontece neste sábado (8)

Foto: Rodrigo Nunes/MS

Ação intensifica ações de prevenção em estados e municípios e convoca a população a se unir no combate ao mosquito Aedes aegypti

 

O Ministério da Saúde realiza, neste sábado (8), o Dia D nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti. A ação integra a nova campanha de prevenção e controle das arboviroses — “Não dê chance para dengueZika e chikungunya”. A mobilização ocorre simultaneamente em todo o país, com participação de gestores locais, profissionais de saúde, agentes de endemias, lideranças comunitárias e da população em geral. As atividades incluem ações de conscientização e mutirões de limpeza em locais públicos e residências.  

“Estamos fazendo essa mobilização antes mesmo do período de maior transmissão da dengue, que ocorre no primeiro semestre. Este é o momento de conscientizar e engajar a população e os municípios para identificar os pontos críticos e eliminar os criadouros do mosquito”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, o uso de novas tecnologias, como a Wolbachia, é essencial para conter a transmissão do vetor.

Em todo o país, mais de 370 mil profissionais atuam diariamente na prevenção das arboviroses em todos os 5.570 municípios brasileiros. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) orientam as famílias durante visitas domiciliares, distribuem materiais informativos e estimulam a participação da população. Já os Agentes de Combate às Endemias (ACE) realizam inspeções, aplicam larvicidas e registram dados que subsidiam o planejamento das ações de vigilância. 

Até o dia 30 de outubro, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, o que representa uma redução de 75% em relação a 2024. No mesmo período, foram contabilizados cerca de 1,6 mil óbitos confirmados, queda de 72% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os estados com maior número de casos são: São Paulo (890 mil), Minas Gerais (159,3 mil), Paraná (107,1 mil), Goiás (96,4 mil) e Rio Grande do Sul (84,7 mil).  

Mesmo com a redução dos casos, o Ministério da Saúde faz um alerta para as ações de prevenção. Isso porque segundo o 3º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre agosto e outubro, 30% dos municípios brasileiros estão em estado de alerta para a dengue.  

Em 3,2 mil cidades, mais de 80% das larvas estavam em recipientes como vasos de plantas, pneus, garrafas, caixas d’água, calhas, ralos e até folhas de bromélias e cavidades de árvores.  


Investimento e novas tecnologias 

Para o ciclo 2025/2026, o Ministério da Saúde investirá R$ 183,5 milhões na ampliação do uso de novas tecnologias de controle vetorial, como a estratificação de risco, o método Wolbachia, as Estações Disseminadoras (EDLs) e os mosquitos estéreis irradiados. O método Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão do mosquito, já foi aplicado em 11 municípios de oito estados.  

Em Niterói (RJ), houve redução de 89% nos casos de dengue, 60% de chikungunya e 37% de Zika. A previsão é expandir a tecnologia para 70 cidades até o final de 2026, incluindo 13 delas ainda em 2025. 

Em julho deste ano, foi inaugurada, em Curitiba (PR), a maior biofábrica de Wolbachia do mundo, com capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana. A tecnologia consiste na produção de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que bloqueia o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti, impedindo sua transmissão. 


Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Também foram distribuídos 2,3 milhões de sais de reidratação oral, 1,3 milhão de testes laboratoriais para diagnóstico e 1,2 mil nebulizadores portáteis para bloqueio da transmissão, além do fornecimento contínuo de larvicidas e adulticidas. Somente em 2025, foram instaladas 77,9 mil EDLs em 26 municípios, ampliando a cobertura das ações de controle.

Outro avanço no controle das arboviroses, é a capacidade da Força Nacional do SUS (FN-SUS) para apoiar a instalação de até 150 centros de hidratação em cidades com alta incidência de casos. 


Como prevenir 

A campanha destaca que pequenas atitudes podem salvar vidas. Entre as principais recomendações estão: 

  • Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo. 
  • Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso. 
  • Coloque areia nos pratos de vasos de planta. 
  • Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias. 
  • Amarre bem os sacos de lixo. 
  • Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados. 
  • Não acumule sucata e entulho. 
  • Limpe bem as calhas de casa e as lajes. 
  • Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos. 
  • Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira. 
  • Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras. 
  • Mantenha em dia a manutenção das piscinas. 
  • Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água. 
  • Permita a entrada dos agentes de saúde nas residências. 

Em caso de febre, dor de cabeça e ou atrás dos olhos, dor nas articulações, náuseas ou manchas na pele, a orientação é procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde. O uso de medicamentos sem prescrição médica pode agravar o quadro clínico. 


Marcella Mota
Ministério da Saúde

Brasil registra 300 mil nascimentos prematuros por ano e reforça cuidados no Novembro Roxo

Infectologista pediátrica alerta para a importância da prevenção, da imunização e dos cuidados redobrados nos primeiros meses de vida dos pequenos que nascem antes do tempo

 

Durante todo o mês de novembro, a campanha Novembro Roxo reforça a importância da conscientização sobre a prematuridade, uma condição que afeta cerca de 12% dos nascimentos no Brasil, o que equivale a 300 mil bebês por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. A data visa chamar a atenção para os desafios enfrentados pelos recém-nascidos prematuros e suas famílias, além de promover ações de prevenção e apoio. O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking mundial de prematuridade, atrás de países como Índia, China e Nigéria. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são considerados prematuros os bebês nascidos antes das 37 semanas de gestação. Esses casos se dividem entre prematuros extremos (antes das 28 semanas), muito prematuros (de 28 a 31 semanas), moderados (32 a 33 semanas) e tardios (de 34 a 36 semanas). As chances de sobrevivência variam conforme a idade gestacional: enquanto prematuros extremos têm taxa de sobrevivência entre 2% e 70%, aqueles que nascem entre 29 e 36 semanas têm mais de 90% de chance de sobreviver, especialmente graças aos avanços da medicina e da infraestrutura hospitalar. 

A médica infectologista pediátrica Dra. Carolina Brites explica que os bebês prematuros exigem cuidados redobrados nos primeiros meses de vida. “O sistema imunológico de um prematuro é extremamente imaturo, e a transferência de anticorpos da mãe para o bebê, que deveria acontecer ao longo dos nove meses de gestação, é deficiente. Isso os torna mais suscetíveis a grandes infecções, como pneumonia, meningite e quadros sépticos”, destaca. 

Entre as principais medidas de proteção, a especialista enfatiza a importância da vacinação. “A vacinação é essencial para todos, mas ainda mais para os prematuros, justamente pela ausência adequada dos anticorpos maternos. Seguir o calendário de vacinação e manter o acompanhamento médico regular ajuda a detectar precocemente qualquer sinal de doença, prevenindo complicações e reduzindo a gravidade dos casos”, orienta a médica. 

Além das vacinas, a Dra. Carolina ressalta que o cuidado deve começar ainda na gestação. “É importante que a mãe mantenha uma alimentação saudável, pratique atividade física regular e esteja com a vacinação em dia. Caso o bebê nasça prematuro, toda a rede de apoio também deve estar protegida, evitando o risco de transmissão de doenças. O acompanhamento rigoroso com o pediatra e a limitação de contato com aglomerações fazem toda a diferença nesse período inicial”, explica. 

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos e científicos têm transformado a realidade desses pequenos guerreiros. “Hoje, as UTIs neonatais são cada vez mais preparadas para atender especificamente os prematuros, com equipamentos e protocolos adequados. O desenvolvimento de novas medicações, vacinas e o aprimoramento dos cuidados neonatais têm garantido melhor qualidade de vida e menos sequelas neurológicas e oftalmológicas no futuro”, ressalta a infectologista. 

Para a médica, planejar a gestação e cuidar da saúde antes de engravidar também é uma forma eficaz de reduzir os índices de prematuridade. “Quando a mulher faz um planejamento reprodutivo, mantém o acompanhamento médico e controla suas condições de saúde, como hipertensão ou diabetes, as chances de um parto prematuro diminuem. Caso ele aconteça, os cuidados prévios ajudam a minimizar os riscos para o bebê”, completa.

 

Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - graduada em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.

 

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