Barulho, movimentação intensa e fogos de artifício podem causar estresse severo em cães e gatos; especialista explica quais cuidados ajudam a evitar acidentes e crises de ansiedade durante os jogos
Para milhões de brasileiros, a Copa do Mundo é sinônimo de festa, comemoração e reuniões com amigos e familiares. Para muitos animais de estimação, porém, o período pode representar exatamente o contrário. O aumento do barulho, dos fogos de artifício e da movimentação dentro e fora de casa costuma provocar medo, ansiedade e até situações de risco para cães e gatos mais sensíveis.
A audição dos cães é significativamente mais aguçada do que a dos seres humanos. Sons que podem parecer suportáveis para as pessoas são percebidos pelos animais com muito mais intensidade. Quando associados a estímulos inesperados, como rojões, gritos e buzinas, esses ruídos podem desencadear comportamentos de pânico, tentativas de fuga e até acidentes domésticos.
Segundo a médica-veterinária Marcela, da Elective Veterinária, muitos tutores só percebem o impacto desse tipo de situação quando o animal já está extremamente assustado. “É comum recebermos relatos de cães que tentam fugir, quebram portas, se escondem em locais perigosos ou apresentam sintomas físicos de estresse durante períodos de grande movimentação, como Réveillon e Copa do Mundo. O ideal é que a preparação aconteça antes do evento”, explica.
Uma das principais recomendações dos especialistas é criar um ambiente seguro dentro de casa durante os jogos. O animal deve permanecer em um cômodo protegido, longe de portões, janelas abertas, varandas ou qualquer local que facilite uma fuga. O espaço também deve estar livre de objetos que possam causar ferimentos caso o pet tente correr ou se debater por medo.
Outra estratégia que costuma ajudar é utilizar sons
que funcionem como uma espécie de barreira acústica. Música ambiente, televisão
ligada ou playlists desenvolvidas especificamente para relaxamento de cães
podem contribuir para reduzir a percepção dos ruídos externos. O objetivo não é
eliminar completamente o barulho, mas diminuir seu impacto sobre o animal.
Contenção é proteção?
Muitos tutores acreditam que abraçar, segurar ou imobilizar o cachorro durante momentos de medo é a melhor solução. No entanto, essa abordagem nem sempre é recomendada. Conforme explica Marcela, a contenção física pode aumentar a sensação de desconforto em alguns animais e até favorecer reações inesperadas. “O mais importante é permitir que o pet encontre um local onde se sinta seguro. Cada animal demonstra o medo de uma forma diferente, e forçá-lo a permanecer em determinada posição pode aumentar ainda mais o estresse.”
Os especialistas também orientam que os animais não sejam levados para locais onde haverá grande concentração de pessoas, comemorações públicas ou encontros para assistir aos jogos. Além da exposição ao excesso de ruído, existe o risco de fuga, perda do animal e acidentes provocados pelo grande fluxo de pessoas.
Para os pets que apresentam histórico de medo intenso de fogos ou tempestades, o treinamento gradual ao longo do ano pode trazer resultados positivos. Uma técnica frequentemente utilizada por especialistas em comportamento animal consiste em reproduzir sons de fogos em volumes muito baixos, de forma controlada e progressiva, associando a experiência a momentos positivos, como brincadeiras ou petiscos. O processo deve ser feito com orientação adequada e respeitando os limites do animal.
Marcela ressalta que a identificação também merece
atenção especial durante os períodos de festa. “Mesmo com todos os cuidados,
acidentes podem acontecer. Por isso, é fundamental que o animal esteja usando
plaquinha de identificação atualizada e que os dados de contato do tutor
estejam corretos. Isso aumenta muito as chances de um reencontro rápido caso
ocorra uma fuga.”
Embora a Copa aconteça apenas a cada quatro anos, os cuidados
adotados nesse período também podem ser aplicados em outras situações que
costumam gerar medo nos animais, como festas de fim de ano, shows, tempestades
e eventos com fogos de artifício. Com planejamento e algumas adaptações simples
na rotina, é possível garantir que os tutores aproveitem a comemoração enquanto
os pets permanecem seguros e tranquilos.
Cinco dicas para ajudar seu pet durante a Copa
• Mantenha cães e gatos em ambientes internos e seguros durante os
jogos.
• Feche portas, portões e janelas para evitar fugas.
• Utilize música ambiente ou playlists calmantes para reduzir o
impacto dos ruídos externos.
• Evite levar o animal para festas, bares ou eventos com grande
concentração de pessoas.
• Certifique-se de que o pet esteja identificado com plaquinha e
telefone atualizado.
Maringá - PR

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