Hospitalizações por VSR em bebês ultrapassaram os
totais anuais anteriores, segundo dados do OPENDATASUS1
O Brasil enfrenta um dos anos mais críticos de casos do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de hospitalizações por infecções respiratórias em crianças pequenas. Dados do OPENDATASUS revelam que o número de internações por VSR em bebês de até 1 ano superou o número registrado em 2024, 2023 e 2022 — anos já considerados desafiadores.1
Entre fevereiro e junho de 2025, o país registrou um número 36% maior de hospitalizações por VSR em relação ao mesmo período de 2024 e 71% acima do observado em 2023.1 A seriedade dos quadros também chama atenção: só em maio deste ano (semana epidemiológica 19), 31% dos bebês hospitalizados precisaram de UTI, evidenciando a gravidade dos quadros clínicos e o impacto sobre a rede hospitalar.
Os dados ainda mostram que algumas regiões do país tiveram aumento expressivo no número de casos de crianças menores de um ano hospitalizadas pelo VSR: a região Sul apresentou 35% mais casos que em comparação a 2024. Já a região Centro-Oeste, os casos saltaram 58% em relação ao ano passado e no Sudeste, a escalada foi ainda maior: 62% sobre 2024 e 169% sobre 2023.1
“Os dados reforçam como os casos de VSR cresceram nos últimos anos, retomando um comportamento anterior à pandemia. Em 2025 registramos mais casos do que em temporadas anteriores, o que pressiona hospitais e afeta profundamente as famílias. A circulação intensa que observamos exige atenção redobrada não só de pais e cuidadores, mas também das autoridades de saúde e de toda a sociedade para que possamos adotar medidas eficazes para proteger todos os bebês”, afirma Dr. Marco Aurélio Sáfadi, pediatra, infectologista e presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Com a experiência de um 2025 marcado pela circulação intensa, a expectativa agora recai sobre o reforço da prevenção para a próxima sazonalidade (termo que usamos para definir o período que antecipamos como aquele de maior circulação do VSR). É previsto que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie a aplicação do imunizante nirsevimabe em bebês prematuros já em 2026 para reforçar a estratégia nacional contra o vírus.2
“Proteger os bebês prematuros e aqueles com determinadas condições clínicas como as doenças pulmonares crônicas, as doenças cardíacas, a fibrose cística, as imunodeficiências, síndrome de Down, entre outras representa um avanço importante, pois eles estão entre os mais vulneráveis às complicações do vírus sincicial respiratório. A inclusão desse grupo no Programa Nacional de Imunizações é um passo inicial que pode contribuir para reduzir internações graves nessa população de maior risco e, ao mesmo tempo, pavimentar a expansão da estratégia de prevenção para todos os recém-nascidos brasileiros nos próximos anos”, declara Dr. Marco Aurélio. Não devemos nos esquecer que aproximadamente 70 a 80% das hospitalizações e das mortes ocorrem em bebês previamente saudáveis e sem fatores de risco, o que destaca a importância de contarmos com estratégias de prevenção disponíveis para todos os bebês.
O nirsevimabe é indicado para todos os bebês em sua primeira sazonalidade, independentemente de serem prematuros ou nascidos a termo.3 Essa proteção já pode ser acessada na rede privada, inclusive com cobertura pelo plano de saúde em casos específicos. O imunizante pode ser acessado em clínicas de vacinação e maternidades, garantindo a aplicação logo após o nascimento. “É uma ferramenta eficaz e segura para prevenir casos graves de VSR. Não apenas para os prematuros, mas todos os bebês podem se beneficiar dessa proteção e transformar o cenário da doença no país, reduzindo internações e garantindo um começo de vida mais saudável”, complementa o especialista.
O reembolso pelo plano de saúde é válido para os mesmos perfis que serão
atendidos pelo SUS: bebês prematuros com idade gestacional menor do que 37
semanas e crianças de até 2 anos de idade imunocomprometidas ou com
comorbidades como cardiopatia congênita, broncodisplasia, síndrome de Down,
fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias
aéreas.
Sobre o VSR
O VSR é um agente comum de infecções respiratórias, que pode ser mais contagioso do que a gripe4-5 e uma das principais causas de bronquiolite, pneumonia e hospitalizações em bebês com menos de um ano de idade6. Embora a maioria dos bebês apresente sintomas leves semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, espirros e congestão nasal, alguns podem desenvolver infecções mais graves que resultam em internações recorrentes.7
No Brasil, uma das principais estratégias é o nirsevimabe, anticorpo monoclonal
de dose única que protege durante toda a sazonalidade. O imunizante está
incorporado ao SUS e à ANS para todos os prematuros nascidos antes ou durante a
sazonalidade, mas o imunizante é indicado para todos os bebês, de acordo com a
bula. O Chile é um exemplo de adoção da imunização universal com o nirsevimabe:
o país optou por oferecer o imunizante para todos os bebês, prematuros ou
nascidos a termo, contra o VSR. Como resultado, houve redução de 76% das hospitalizações
por VSR e 85% na redução de internações em UTI pediátrica por VSR.
Além disso, o programa evitou cerca de 4.600 hospitalizações, representando uma
queda de 77% nos casos esperados para o ano 8. E, por fim, nenhuma
morte por VSR foi reportada em bebês menores de 1 ano na temporada de 2024.
Sanofi
Referências
- SRAG 2021 a 2025 - Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda
Grave - incluindo dados da COVID-19 - Conjunto de dados – OPENDATASUS
- AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Novas tecnologias são
incorporadas ao Rol pela ANS. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/novas-tecnologias-sao-incorporadas-ao-rol-pela-ans-1
- Bula BEYFORTUS
- Li Y et al. Lancet Glob Health 2019; 7: e1031 e10.
- Reis J & Shaman J. Infect Dis Model 2018; 3: 23–34
- Fiocruz alerta para prevenção do Vírus Sincicial Respiratório
(VSR). Disponível em: Link
- CDC (Center for Disease Control and Prevention) - RSV (Respiratory
Syncytial Virus: Symphtoms and Care). Disponível em: Link.
- Effectiveness and impact of nirsevimab in Chile during the first
season of a national immunisation strategy against RSV (NIRSE-CL): a
retrospective observational study. Disponível em Link
- Hospital El Pino. MINSAL CIERRA EXITOSAMENTE CAMPAÑA DE INVIERNO 2024. Disponível em: Link [acessado em abril de 2025]; Torres, JP. Estratégia de prevenção universal contra o vírus sincicial respiratório no Chile com nirsevimabe durante a temporada de inverno de 2024: Dados de eficácia e impacto. Apresentado no 13o Simpósio Internacional do VSR de 2025, Cataratas do Iguaçu, Brasil. Número oral: ARBI0339.
9.
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