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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Bronquiolite por VSR em bebês tem em 2025 um dos anos mais críticos no Brasil

Hospitalizações por VSR em bebês ultrapassaram os totais anuais anteriores, segundo dados do OPENDATASUS1 

 

O Brasil enfrenta um dos anos mais críticos de casos do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de hospitalizações por infecções respiratórias em crianças pequenas. Dados do OPENDATASUS revelam que o número de internações por VSR em bebês de até 1 ano superou o número registrado em 2024, 2023 e 2022 — anos já considerados desafiadores.1

Entre fevereiro e junho de 2025, o país registrou um número 36% maior de hospitalizações por VSR em relação ao mesmo período de 2024 e 71% acima do observado em 2023.1 A seriedade dos quadros também chama atenção: só em maio deste ano (semana epidemiológica 19), 31% dos bebês hospitalizados precisaram de UTI, evidenciando a gravidade dos quadros clínicos e o impacto sobre a rede hospitalar.

Os dados ainda mostram que algumas regiões do país tiveram aumento expressivo no número de casos de crianças menores de um ano hospitalizadas pelo VSR: a região Sul apresentou 35% mais casos que em comparação a 2024. Já a região Centro-Oeste, os casos saltaram 58% em relação ao ano passado e no Sudeste, a escalada foi ainda maior: 62% sobre 2024 e 169% sobre 2023.1

“Os dados reforçam como os casos de VSR cresceram nos últimos anos, retomando um comportamento anterior à pandemia. Em 2025 registramos mais casos do que em temporadas anteriores, o que pressiona hospitais e afeta profundamente as famílias. A circulação intensa que observamos exige atenção redobrada não só de pais e cuidadores, mas também das autoridades de saúde e de toda a sociedade para que possamos adotar medidas eficazes para proteger todos os bebês”, afirma Dr. Marco Aurélio Sáfadi, pediatra, infectologista e presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Com a experiência de um 2025 marcado pela circulação intensa, a expectativa agora recai sobre o reforço da prevenção para a próxima sazonalidade (termo que usamos para definir o período que antecipamos como aquele de maior circulação do VSR). É previsto que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie a aplicação do imunizante nirsevimabe em bebês prematuros já em 2026 para reforçar a estratégia nacional contra o vírus.2 

“Proteger os bebês prematuros e aqueles com determinadas condições clínicas como as doenças pulmonares crônicas, as doenças cardíacas, a fibrose cística, as imunodeficiências, síndrome de Down, entre outras representa um avanço importante, pois eles estão entre os mais vulneráveis às complicações do vírus sincicial respiratório. A inclusão desse grupo no Programa Nacional de Imunizações é um passo inicial que pode contribuir para reduzir internações graves nessa população de maior risco e, ao mesmo tempo, pavimentar a expansão da estratégia de prevenção para todos os recém-nascidos brasileiros nos próximos anos”, declara Dr. Marco Aurélio. Não devemos nos esquecer que aproximadamente 70 a 80% das hospitalizações e das mortes ocorrem em bebês previamente saudáveis e sem fatores de risco, o que destaca a importância de contarmos com estratégias de prevenção disponíveis para todos os bebês.

O nirsevimabe é indicado para todos os bebês em sua primeira sazonalidade, independentemente de serem prematuros ou nascidos a termo.3 Essa proteção já pode ser acessada na rede privada, inclusive com cobertura pelo plano de saúde em casos específicos. O imunizante pode ser acessado em clínicas de vacinação e maternidades, garantindo a aplicação logo após o nascimento. “É uma ferramenta eficaz e segura para prevenir casos graves de VSR. Não apenas para os prematuros, mas todos os bebês podem se beneficiar dessa proteção e transformar o cenário da doença no país, reduzindo internações e garantindo um começo de vida mais saudável”, complementa o especialista.

O reembolso pelo plano de saúde é válido para os mesmos perfis que serão atendidos pelo SUS: bebês prematuros com idade gestacional menor do que 37 semanas e crianças de até 2 anos de idade imunocomprometidas ou com comorbidades como cardiopatia congênita, broncodisplasia, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas.


Sobre o VSR

O VSR é um agente comum de infecções respiratórias, que pode ser mais contagioso do que a gripe4-5 e uma das principais causas de bronquiolite, pneumonia e hospitalizações em bebês com menos de um ano de idade6. Embora a maioria dos bebês apresente sintomas leves semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, espirros e congestão nasal, alguns podem desenvolver infecções mais graves que resultam em internações recorrentes.7 

No Brasil, uma das principais estratégias é o nirsevimabe, anticorpo monoclonal de dose única que protege durante toda a sazonalidade. O imunizante está incorporado ao SUS e à ANS para todos os prematuros nascidos antes ou durante a sazonalidade, mas o imunizante é indicado para todos os bebês, de acordo com a bula. O Chile é um exemplo de adoção da imunização universal com o nirsevimabe: o país optou por oferecer o imunizante para todos os bebês, prematuros ou nascidos a termo, contra o VSR. Como resultado, houve redução de 76% das hospitalizações por VSR e 85% na redução de internações em UTI pediátrica por VSR.

Além disso, o programa evitou cerca de 4.600 hospitalizações, representando uma queda de 77% nos casos esperados para o ano 8. E, por fim, nenhuma morte por VSR foi reportada em bebês menores de 1 ano na temporada de 2024. 



Sanofi

 

Referências

  1. SRAG 2021 a 2025 - Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave - incluindo dados da COVID-19 - Conjunto de dados – OPENDATASUS
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Novas tecnologias são incorporadas ao Rol pela ANS. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/novas-tecnologias-sao-incorporadas-ao-rol-pela-ans-1
  3. Bula BEYFORTUS
  4. Li Y et al. Lancet Glob Health 2019; 7: e1031 e10.
  5. Reis J & Shaman J. Infect Dis Model 2018; 3: 23–34
  6. Fiocruz alerta para prevenção do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Disponível em: Link
  7. CDC (Center for Disease Control and Prevention) - RSV (Respiratory Syncytial Virus: Symphtoms and Care). Disponível em: Link.
  8. Effectiveness and impact of nirsevimab in Chile during the first season of a national immunisation strategy against RSV (NIRSE-CL): a retrospective observational study. Disponível em Link
  9.   Hospital El Pino. MINSAL CIERRA EXITOSAMENTE CAMPAÑA DE INVIERNO 2024. Disponível em: Link [acessado em abril de 2025]; Torres, JP. Estratégia de prevenção universal contra o vírus sincicial respiratório no Chile com nirsevimabe durante a temporada de inverno de 2024: Dados de eficácia e impacto. Apresentado no 13o Simpósio Internacional do VSR de 2025, Cataratas do Iguaçu, Brasil. Número oral: ARBI0339.

9.  

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