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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Com mais de um milhão de casos em 10 anos, escorpiões se tornam ameaça urbana

Especialista faz um alerta dos riscos e diz que a combinação de abrigo, alimento e reprodução acelerada contribui para o aparecimento de escorpiões nas cidades

 

O número de acidentes com escorpiões explodiu no Brasil nos últimos anos. Um estudo publicado na revista Frontiers in Public Health aponta um aumento de 250% nos casos de picadas em menos de uma década. Entre 2014 e 2023, o país registrou cerca de 1,17 milhão de ocorrências, com previsão de ultrapassar os 2 milhões até 2033, se o ritmo continuar. Com esse cenário, surge a preocupação da população com a presença cada vez mais frequente desses animais em áreas urbanas. 

Segundo Leonardo Marconato, biólogo e professor da Estácio, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), o mais perigoso entre as mais de 150 espécies identificadas no Brasil, encontra nas cidades um ambiente ideal para se proliferar. “Eles se reproduzem por partenogênese, ou seja, fêmeas geram filhotes sozinhas, sem necessidade de machos. Com oferta de comida e esconderijo, eles se multiplicam com facilidade”, explica. 

A presença de lixo, entulho e terrenos baldios cria o cenário perfeito para que esses animais se abriguem e encontrem alimento, especialmente baratas. “É a combinação de três fatores: abrigo, alimento e reprodução acelerada. Isso facilita o crescimento populacional e aumenta o número de encontros com humanos”, destaca o especialista. 

Além disso, as altas temperaturas favorecem a atividade dos escorpiões, tornando o verão um período mais crítico para acidentes. Marconato reforça que, apesar de desempenharem um papel importante no controle de insetos em seu ambiente natural, esses aracnídeos representam um risco à saúde pública em áreas densamente povoadas. 

De acordo com o professor, a prevenção passa por ações simples, como vedar frestas, manter os ambientes limpos, sem entulhos, e combater focos de insetos que servem de alimento para os escorpiões. Em algumas regiões, o uso de predadores naturais, como galinhas, tem sido adotado como forma alternativa de controle. 

Em caso de picada, é essencial buscar atendimento médico imediato, além de limpar o local da picada com água e sabão e fazer compressa com água quente para aliviar a dor. Se possível, com segurança, capturar o escorpião para identificação e aplicação do soro específico. Crianças pequenas e idosos são os mais vulneráveis às complicações. 



Estácio
estacio.br


Violência contra idosos: escuta atenta pode salvar vidas

Enfermeira explica como identificar sinais de maus-tratos, orientar cuidadores e garantir um envelhecimento digno e seguro 

 

No próximo dia 15 de junho, o mundo volta seus olhos para um tema urgente e muitas vezes silenciado: a violência contra a pessoa idosa. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca conscientizar a sociedade sobre os abusos sofridos por pessoas com mais de 60 anos, frequentemente dentro de seus próprios lares.  

Para a professora Mariane Barbosa, enfermeira e docente do curso de Enfermagem da Una Itumbiara, é preciso quebrar o ciclo de invisibilidade que ainda envolve o envelhecimento. “A violência contra o idoso é, muitas vezes, silenciosa e cometida por pessoas próximas, como familiares e cuidadores. Por isso, o olhar atento dos profissionais de saúde e da comunidade é fundamental para romper o silêncio e garantir proteção”, alerta. 

 

Tipos de violência mais frequentes 

Na prática da enfermagem, Barbosa destaca que os casos mais comuns são de negligência, quando o idoso não recebe cuidados básicos como alimentação adequada, higiene, administração de medicamentos e proteção contra o frio ou calor. Também são recorrentes os casos de violência psicológica, com ameaças, humilhações e isolamento, e de violência patrimonial ou financeira, em que os bens e recursos da pessoa idosa são usados sem consentimento.  

Outros tipos, como agressões físicas, abuso sexual, abandono, discriminação por idade e maus-tratos em instituições de longa permanência, também compõem o cenário de violações. “Cada tipo de violência traz impactos profundos na saúde física e emocional do idoso. Por isso, a escuta qualificada é essencial para o acolhimento e encaminhamento adequado”, explica a docente. 

 

Como identificar sinais de alerta 

Identificar que algo está errado nem sempre é fácil, já que muitos idosos têm medo de denunciar por vergonha ou por tentarem proteger seus familiares. No entanto, Barbosa ressalta alguns sinais que podem indicar maus-tratos: lesões físicas sem explicação, alterações no comportamento, ansiedade, depressão, retraimento social, desnutrição, falta de higiene e interrupções no uso de medicamentos. 

 

O papel de cuidar e escutar 

A enfermagem tem papel estratégico nesse processo. “O profissional de enfermagem atua na linha de frente do cuidado. Por isso, é quem muitas vezes identifica os primeiros indícios de violência, faz a escuta acolhedora, registra a ocorrência e encaminha o caso aos órgãos responsáveis. Essa atuação integrada é essencial para romper o ciclo de violação”, reforça.  

A professora lembra que familiares e cuidadores devem ser orientados para oferecer um cuidado respeitoso e seguro. “O idoso precisa sentir que pode confiar. Quando encontra um espaço seguro para se expressar, as chances de relatar abusos aumentam, e a rede de proteção pode ser acionada”, afirma. Barbosa reforça ainda que o cuidado não pode ser solitário, sendo importante adaptar rotinas e amparar também quem cuida. 

 

Desafios e caminhos possíveis 

Apesar da existência de leis que garantem os direitos da pessoa idosa — como o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) e a obrigatoriedade da notificação de casos suspeitos (Lei nº 12.461/2011) —, Barbosa aponta que os principais desafios enfrentados pelos profissionais são “falta de tempo nas visitas domiciliares, pouco apoio das famílias, dificuldade de articulação com a rede de proteção e a resistência do próprio idoso em denunciar. Tudo isso dificulta o enfrentamento”, destaca.  

Além dos profissionais de saúde, toda a sociedade tem um papel importante no combate à violência contra a pessoa idosa. Barbosa sugere “promover o respeito às diferenças geracionais, incentivar o convívio intergeracional, denunciar abusos e apoiar políticas públicas e redes de apoio comunitário. É dever de todos proteger quem já cuidou de nós”.  

Casos suspeitos podem ser denunciados pelo Disque 100, pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil, pelo 181 da Polícia Civil ou nas Unidades Básicas de Saúde e delegacias locais. 

 

Una 

 

Gordura no fígado: a epidemia silenciosa ainda pouco conhecida no Brasil

A doença já afeta 1 em cada 3 pessoas no mundo. No Brasil, pesquisa revela desinformação sobre exames e aumento de fatores de risco como sobrepeso e obesidade 

 

O dia 12 de junho marca o Dia Internacional de Combate à Gordura no Fígado, uma doença silenciosa potencialmente grave — popularmente conhecida como gordura no fígado — que já afeta cerca de um terço da população mundial, cresce em ritmo de epidemia global e, se não tratada, pode evoluir para quadros graves que levam à necessidade de transplante. No Brasil, os reflexos desse cenário são alarmantes: em 2023, o país bateu recorde com 2.365 transplantes de fígado, mas o número ainda é menos da metade da demanda estimada, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), evidenciando o avanço da doença e o crescimento preocupante da fila de espera. 

A esteatose hepática é considerada uma epidemia silenciosa porque, nos estágios iniciais, geralmente não causa sintomas — o que dificulta o diagnóstico precoce. Com a progressão da doença, no entanto, sinais como cansaço excessivo, fraqueza, fadiga e até hemorragias podem surgir. Quando não diagnosticada e tratada, a doença pode evoluir para inflamação no fígado (esteato-hepatite), fibrose, cirrose e até câncer hepático. Em estágios mais avançados, pode levar à falência do órgão e à necessidade de transplante. Estima-se que até 2030, a esteato-hepatite seja a principal causa de transplantes de fígado. 

Para ampliar o entendimento sobre a gordura no fígado no Brasil, a Novo Nordisk, empresa líder global em saúde, realizou uma pesquisa em parceria com o Instituto Datafolha. Os dados revelam um cenário preocupante: 61% da população nunca fez ou não sabe quais exames detectam a gordura no fígado — mesmo que 62% dos respondentes afirmem que ficariam muito ou extremamente preocupados com esse diagnóstico. Entre os fatores mais citados como possíveis causas da doença estão o excesso de peso (58%) e o consumo de bebidas alcoólicas (46%). 

Marcela Caselato, diretora médica da Novo Nordisk, alerta que os dados reforçam uma preocupação crescente. “De fato, o excesso de peso e o consumo de álcool são fatores de risco importantes para o desenvolvimento da gordura no fígado. E é justamente por isso que os resultados da pesquisa são tão alarmantes”, afirma. O estudo revelou que 66% dos brasileiros apresentam sobrepeso ou obesidade — um aumento de 11% em relação ao ano anterior, com base no Índice de Massa Corporal (IMC) calculado a partir do peso e altura informados pelos participantes. Além disso, 55% da população declarou consumir bebida alcoólica, percentual que sobe para 57% entre aqueles com sobrepeso ou obesidade, o que pode agravar o quadro clínico. 

A especialista reforça que os dados da pesquisa evidenciam um importante alerta: “É fundamental que os pacientes compreendam que qualquer nível de gordura no fígado representa um risco significativo para a saúde como um todo — incluindo o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer (não apenas o hepático) e formas progressivas da doença hepática relacionada à gordura”, afirma Marcela Caselato. Ela destaca que a atenção deve ser redobrada em pessoas com fatores de risco como obesidade, diabetes tipo 2, alterações em exames hepáticos, histórico familiar de doenças no fígado, consumo excessivo de álcool e dietas ricas em ultraprocessados, açúcares e gordura saturada. 

Uma vez diagnosticada, a condição pode ser controlada — e até revertida, nos estágios iniciais da doença — principalmente por meio de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso. “O acompanhamento médico é essencial, pois a maioria das pessoas diagnosticadas com a doença em estágio inicial não desenvolverá complicações graves, se gerenciadas adequadamente. O diagnóstico pode ser feito por clínicos gerais, endocrinologistas, hepatologistas ou gastroenterologistas, que podem solicitar exames laboratoriais e de imagem para avaliar o grau da doença. Além disso, o manejo adequado também envolve o controle de comorbidades associadas, como obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol elevado”, finaliza.



Novo Nordisk
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Sobre a pesquisa Datafolha
Pesquisa Conhecimento dos brasileiros sobre esteatose hepática, realizada pela Novo Nordisk em parceria com o Datafolha. As entrevistas aconteceram entre 11 a 13 de fevereiro de 2025, com abordagem pessoal e aplicação de questionário estruturado em tablet com 7 minutos de duração média, com 2.013 pessoas das classes A/B, C e D/E, de 16 anos ou mais, nas cinco regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.


Mais de 16 milhões de brasileiros têm diabetes, e muitos correm risco de infarto sem saber

Doença silenciosa pode afetar nervos e mascarar sintomas de infarto e AVC; 80% dos diabéticos tipo 2 morrem por causas cardiovasculares

 

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos óbitos anuais, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Ministério da Saúde. Apesar de serem comumente associados à população idosa, infartos e acidentes vasculares (AVCs) vêm ocorrendo cada vez mais cedo. Um dos fatores silenciosos por trás desse avanço é o diabetes tipo 2, doença que atinge cerca de 16 milhões de brasileiros, segundo o Atlas Mundial de Diabetes 2025. 

“É comum o paciente descobrir o diabetes apenas depois de sofrer um infarto ou AVC. Isso acontece porque a doença, quando mal controlada, acelera o processo de formação de placas nas artérias e facilita a obstrução dos vasos”, explica o endocrinologista Marcio Krakauer, cofundador da Health Tech G7med. 

Dados da International Diabetes Federation indicam que até 80% das mortes entre pessoas com diabetes tipo 2 estão relacionadas a causas cardiovasculares. O risco se torna ainda maior quando a glicemia elevada se soma a outros fatores, como pressão alta, colesterol alterado e sobrepeso. 

Segundo Krakauer, o problema é que muitos desses pacientes não apresentam sintomas evidentes, mesmo quando estão em quadros avançados. “O diabetes pode afetar os nervos que transmitem a sensação de dor. Por isso, em vez da dor no peito típica do infarto, o paciente diabético pode sentir apenas cansaço, suor ou náuseas. Em muitos casos, isso atrasa o diagnóstico e compromete o tratamento.” 

Além da identificação precoce, a prevenção depende do controle da glicemia e dos fatores de risco associados. A recomendação do especialista é manter uma rotina de exames, adotar hábitos saudáveis e, quando necessário, fazer uso de medicações que atuam não só no controle do açúcar no sangue, mas também na proteção cardiovascular. 

“Hoje temos medicamentos com benefícios comprovados na redução do risco de infartos e AVCs em pacientes com diabetes tipo 2. O desafio é garantir o acesso a essas terapias, especialmente na rede pública, além de aumentar o conhecimento da população”, afirma o endocrinologista. 

O alerta é ainda mais importante entre os jovens, que têm sido diagnosticados com diabetes mais cedo, muitas vezes em decorrência do sedentarismo, da má alimentação e do excesso de peso. “Estamos falando de uma geração com risco de sofrer problemas cardiovasculares antes dos 40 anos, algo impensável há poucas décadas. É preciso mudar esse percurso com urgência”, reforça Krakauer. Isso porque níveis elevados de glicose no sangue de forma persistente e prolongada — principal característica do diabetes — provocam danos progressivos às paredes dos vasos sanguíneos. 

Esses danos favorecem o desenvolvimento de problemas como pressão alta, cardíacos e acúmulo de gordura e outras substâncias nas paredes das artérias, que acabam ficando mais estreitas e dificultam a circulação do sangue. Quando somados a outros fatores de risco, como obesidade e sedentarismo, eles elevam consideravelmente o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais.



Marcio Krakauer - Médico endocrinologista, fundador e presidente da ADIABC; cofundador e diretor médico executivo da health tech G7med.


Cólicas em bebês: Por que elas ocorrem e como aliviar este incômodo?

 

Pediatra da UTI Neonatal do São Cristóvão Saúde esclarece formas de identificar a dor nos recém-nascidos e como tratar o desconforto

 

As cólicas são um problema comum em bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, além de causarem temor em pais de primeira viagem. Meninos e meninas são igualmente afetados, independentemente de mamarem no peito ou tomarem fórmula. Esse desconforto pode ser fruto de algumas conjunturas, mas seu motivo exato ainda não é totalmente compreendido. Algumas teorias relacionam as prováveis causas ao sistema digestivo em desenvolvimento, acúmulo de gases, sensibilidade alimentar, ou mesmo ingestão de ar na hora e mamar ou tomar leite na mamadeira, acarretando dor abdominal e choro constante.

Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e médica da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dra. Claudia Conti comenta que o tempo das cólicas geralmente varia de bebê para bebê. “Os episódios costumam passar completamente até no máximo 6 meses de vida.” Segundo a especialista, a cólica típica se manifesta como um ataque de choro forte, agudo, estridente e crescente: “O bebê se estica, fica vermelho, vira a cabeça para os lados e se encolhe”.

A pediatra descreve alguns dos sinais emitidos pelos bebês durante essas ocorrências:

  • Choro inconsolável: O bebê chora intensamente, muitas vezes no final da tarde ou à noite, e o choro pode ser alto e agudo;
  • Pernas encolhidas: O bebê pode encolher as pernas em direção ao abdômen, demonstrando desconforto;
  • Barriga tensa: A região abdominal do bebê pode ficar rígida ao toque;
  • Mudanças de expressão: O bebê pode fazer caretas, franzir a testa ou parecer desconfortável;
  • Agitação: O bebê pode se contorcer ou se mexer constantemente enquanto chora;
  • Gases: A presença de gases é muitas vezes associada a cólicas e pode causar desconforto adicional. 

“É importante notar que os sinais de cólicas também podem estar associados a outros problemas de saúde, como refluxo gastroesofágico, alergias alimentares ou infecções”, complementa Dra. Claudia Conti. 

Para aliviar o desconforto das cólicas, além da tão recomendada dica de “fazer o bebê arrotar depois de cada mamada”, com tapinhas delicados em suas costas, algumas das seguintes estratégias levantadas pela especialista, ou a combinação de algumas delas, podem ser eficazes:

  • Movimento suave: Embale o bebê nos braços, use um balanço ou uma cadeira de balanço para acalmá-lo;
  • Barriga para baixo: Colocar o bebê de bruços sobre o colo ou em uma superfície macia e segura pode ajudar a aliviar a pressão abdominal;
  • Massagem: Com cuidado, faça movimentos circulares suaves na barriga do bebê, no sentido horário. Isso pode ajudar a liberar gases;
  • Água morna: Um banho morno pode relaxar os músculos do bebê e aliviar o desconforto;
  • Ambiente relaxado: Diminua as luzes, ou reduza o barulho para que o seu bebê possa descansar.

Além disso, estudos demonstram que o contato pele a pele com o bebê nas primeiras semanas de vida junto aos seus responsáveis, pode fazer com que os episódios de choro sejam menores durante seu crescimento. Em alguns momentos, o bebê vai chorar, independentemente do método de alívio escolhido. Experimente abordagens diferentes e, caso a sugestão não funcione em uma semana, passe para a próxima da lista. A fase de cólicas de seu bebê passará, então, não se frustre. 

Peça ajuda da família e dos amigos e dívida os cuidados do bebê com o companheiro, pois essas pessoas serão uma importante rede de apoio. Além disso, exponha suas dúvidas ao pediatra e converse também com seu médico sobre formas de lidar com a frustração causada pelo choro constante. Grupos de mães ou fóruns online também proporcionam dicas e conselhos de outras mães que passam pela mesma situação.




Grupo São Cristóvão Saúde


O pânico que ninguém vê: quando o corpo da mulher fala o que foi silenciado por anos

  

Crises súbitas e sintomas intensos como falta de ar e taquicardia podem ser alertas do corpo para dores emocionais que foram ignoradas ou normalizadas 

 

Acordar no meio da noite com o coração acelerado, sentir uma onda de calor e formigamento nas mãos, achar que vai morrer — mesmo sem razão aparente. Para muitas mulheres, essas experiências têm nome: síndrome do pânico. E, embora pareçam surgir do nada, elas são respostas legítimas a uma sobrecarga emocional que o corpo não consegue mais conter.

O psicólogo Jair Soares dos Santos, fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT) e criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), explica que, quase sempre, o pânico representa um pedido urgente de atenção. “Não é loucura, frescura nem falta de força. Trata-se de uma emoção antiga e ignorada que o corpo transforma em alarme”, destaca.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres são duas vezes mais propensas que os homens a desenvolver transtornos de ansiedade — quadro no qual se inclui a síndrome do pânico. O Brasil lidera os índices globais, com 9,3% da população afetada. Com base na estimativa populacional da época da pesquisa (cerca de 207 milhões), esse percentual corresponde a aproximadamente 19 milhões de pessoas. Grande parte delas tenta seguir a rotina sem demonstrar sofrimento.


O corpo grita o que a fala não nomeou

Para Jair Soares, o pânico é, na maioria das vezes, a etapa final de uma longa história emocional não contada. “A mulher moderna acumula funções, expectativas e papéis. Mas, em meio a tudo isso, aprende também a silenciar suas dores. O corpo, então, fala por ela”, afirma.

A TRG, método desenvolvido por Soares, atua no reprocessamento de experiências emocionais não compreendidas no passado. “A mulher pode ter vivido negligência, violência emocional, sobrecarga desde a infância. São traumas que o tempo não apagou e que, quando não olhados, voltam em forma de crise de pânico — como se algo explodisse por dentro”, completa.


Maternidade, trabalho, culpa: o pano de fundo silencioso

A crise não chega com aviso prévio, mas raramente vem sozinha. Em relatos frequentes, mulheres apontam momentos de exaustão mental, crises no puerpério, sensação de solidão na rotina doméstica ou ausência de reconhecimento no trabalho como gatilhos para episódios de pânico. Ainda assim, muitas evitam buscar ajuda.

“Há uma cultura de que a mulher precisa dar conta de tudo. E, quando o corpo diz ‘não’, ela se sente culpada. Mas o pânico não é um colapso — é uma linguagem. É o inconsciente pedindo por escuta”, observa o psicólogo.

Estudos como o da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista Psychiatry Research, reforçam essa visão ao demonstrar que traumas de infância, combinados com alta carga de estresse atual, estão diretamente associados ao desenvolvimento da síndrome do pânico em mulheres adultas.


A saída: reprocessar e não apenas aguentar

Diferentemente de abordagens tradicionais, que se concentram em controlar sintomas, a TRG busca reprogramar o sistema emocional, identificando a origem da dor. “É comum que pacientes cheguem ao consultório sem entender por que estão em pânico. Elas só sabem que algo está errado. E, quando encontram esse ponto de origem, tudo começa a mudar”, explica Soares.

O tratamento não se opõe ao uso de medicamentos, mas sustenta que eles não devem ser a única resposta. “O alívio vem do reprocessamento pois é quando se trabalha a causa do problema e não os sintomas. Quando a causa desaparece, os sintomas também. Muitas vezes, isso já basta para que o corpo pare de gritar e, como consequência, o desmame dos medicamentos é inevitável”, conclui.

 


Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas - IBFT
Para mais informações, visite o site ou o Instagram


Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
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Estudo confirma os riscos do consumo de álcool na gestação para o neurodesenvolvimento fetal

Pesquisadores da PUCPR analisam os efeitos moleculares do consumo de álcool (EtOH) no desenvolvimento do córtex cerebral 

 

Levantamento realizado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) revelou um aumento significativo no consumo abusivo de álcool entre as mulheres no Brasil, entre os anos de 2010 e 2023. Os dados apontam que o percentual de mulheres que fazem uso excessivo de bebidas alcoólicas cresceu de 10,5% para 15,2% neste período, enquanto, entre os homens, a taxa permaneceu estável, de 27% para 27,3%. Na população geral, o aumento foi de 18,1% para 20,8%. No caso de mulheres grávidas, os riscos associados ao álcool são ainda maiores, pois ainda não há dados que indiquem se há uma quantidade segura do consumo de álcool durante uma gestação.

O pesquisador Dr. Roberto Hirochi Herai, Coordenador do Laboratório de Bioinformática e Neurogenética (LaBiN) do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é um dos autores do estudo que investigou os efeitos da exposição ao álcool durante a gestação, e potenciais impactos no desenvolvimento do córtex cerebral humano. A pesquisa utilizou modelos celulares baseados em organóides corticais humanos e foi aprovada por um comitê da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD, EUA).

“Estudos anteriores já demonstraram que o consumo de álcool durante a gravidez pode levar a distúrbios conhecidos como Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), que incluem deficiências físicas, mentais e comportamentais, que inclusive se confunde com o autismo, especialmente em crianças pequenas”, explica Dr. Herai. Nos Estados Unidos, estima-se que 1 a cada 20 nascimentos seja afetado pelo TEAF, mas não há dados concretos sobre a incidência no Brasil. 

Os resultados confirmaram que o consumo de etanol (EtOH), componente ativo das bebidas alcoólicas, pode comprometer o neurodesenvolvimento fetal, conforme demonstrado por meio de modelos celulares. O estudo revelou que o EtOH altera a organização da cromatina — estrutura responsável por compactar o DNA — e interfere em vias de sinalização intracelular essenciais, prejudicando o desenvolvimento das sinapses necessárias para a formação de redes neurais funcionais durante o desenvolvimento cerebral. Além disso, registros eletrofisiológicos evidenciaram que a exposição ao álcool afeta negativamente tanto a formação quanto a atividade das redes neurais.

Dr. Bruno Guerra, também um dos autores do estudo, afirma que “muito pouco é conhecido a respeito dos efeitos moleculares do consumo de álcool (EtOH) durante a gestação no desenvolvimento do córtex cerebral fetal humano”. Ele reforça que “compreender a base das alterações moleculares, incluindo quais problemas são causados nas células cerebrais, ajudará no desenvolvimento de futuras terapias de tratamento para as TEAF, e também a esclarecer as alterações relacionadas aos processos neurobiológicos. Isso permitirá a geração de mais dados que possam auxiliar na criação de políticas de saúde pública relacionadas ao consumo de álcool por grávidas”, destaca.

  

Publicação do estudo

O artigo Impact of alcohol exposure on neural development and network formation in human cortical organoids (Impacto da exposição ao álcool no desenvolvimento neural e na formação de redes em organoides corticais humanos) foi publicado no Molecular Psychiatry número 28, 1571–1584 e está disponível no link:  https://doi.org/10.1038/s41380-022-01862-7

O artigo é de autoria de Jason W. Adams, Priscilla D. Negraes, Justin Truong, Timothy Tran, Ryan A. Szeto, Bruno S. Guerra, Roberto H. Herai, Carmen Teodorof-Diedrich, Stephen A. Spector, Miguel Del Campo, Kenneth L. Jones, Alysson R. Muotri & Cleber A. Trujillo. 

Dr. Bruno Siegel Guerra realizou seu Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR, Dr. Roberto Hirochi Herai é orientador e pesquisador da PUCPR, Dr. Alysson Muotri e Dr. Cleber A. Trujillo são pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD, EUA).

 

O MOMENTO DO NASCIMENTO PODE IMPACTAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL? ESPECIALISTA EXPLICA

O momento precioso do nascimento pode requer muita entrega da mãe e do bebê. Mas será que ele pode impactar no desenvolvimento infantil? 

 

É possível que exista alguma relação do parto com o atraso no desenvolvimento infantil? Segundo o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos, sim, principalmente quando falamos de partos prematuros. “Bebês que nascem antes das 37 semanas têm mais chances de apresentar algum tipo de atraso, já que o cérebro ainda estaria em plena formação nas semanas finais da gestação.” Comenta o doutor. 

Entre os papais, principalmente de primeira viagem, essa questão é muito recorrente e importante de ser esclarecida, já que o momento do nascimento pode influenciar o desenvolvimento infantil, incluindo possíveis atrasos motores, cognitivos ou comportamentais. Segundo o especialista, o impacto vai depender mais do contexto clínico do que da via de parto em si. “Por exemplo: partos feitos com urgência por causa de sofrimento fetal podem trazer mais riscos do que aquelas planejados em gestações saudáveis. Mas é essencial que a decisão sobre o tipo de parto seja tomada com base na saúde da mãe e do bebê, e sempre com orientação médica”. 

Contudo, o especialista destaca que o tipo de parto é apenas um dos fatores que podem influenciar o desenvolvimento infantil. Outros aspectos, como genética, estimulação precoce, aleitamento materno e ambiente familiar, têm papéis fundamentais. “Não podemos atribuir atrasos apenas ao tipo de parto. Cada criança é única e deve ser acompanhada individualmente.”


 

Mas e depois do parto? 

Depois que o bebê nasce, seja por qualquer via de parto escolhida, é importante estar atento aos marcos do desenvolvimento infantil que são os principais sinais de que a criança está evoluindo de acordo com sua faixa etária. Esses marcos incluem, o controle da cabeça e do tronco, engatinhar, início da fala com palavras simples e a capacidade de andar de forma independente. 

Observar esses marcos permite identificar eventuais atrasos, que podem ter múltiplas causas, desde aspectos genéticos, ambientais e emocionais até, em alguns casos, influências indiretas do tipo de parto. “Por exemplo, se um bebê nasce prematuro ou por cesariana antes do tempo, ele pode apresentar algum atraso inicial, mas isso não significa que terá dificuldades permanentes. Com estímulos adequados, na maioria dos casos, é possível alcançar o desenvolvimento esperado. O mais importante a se fazer é se familiarizar com os marcos do desenvolvimento infantil e observar o seu filho a cada passo do desenvolvimento dele, e claro, sempre tenha acompanhamento médico.” Finaliza o doutor.

  

Dr. André Ceballos - Médico neurocirurgião, Cebaldialos atua como Diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas. A atuação do Dr. Ceballos vai além do atendimento clínico e da gestão hospitalar e reconhecendo a importância da informação e da educação para a saúde pública, se dedica a projetos de divulgação e conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, com o objetivo de influenciar políticas públicas que beneficiem especialmente as populações mais vulneráveis. Saiba mais em:Link


Rio Grande do Sul vive avanço silencioso de HIV e Sífilis e acende alerta para epidemia generalizada de ISTs no Brasil

Estudo coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento aponta prevalência de infecções sexualmente transmissíveis e reforça necessidade de ampliar testagem 

 

Apesar dos avanços em diagnóstico e tratamento, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como HIV (vírus da imunodeficiência humana) e sífilis seguem como importantes desafios de saúde pública no Brasil, pioneiro no fornecimento gratuito de antirretrovirais pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que ajudou a controlar a mortalidade causada por essas doenças por anos. Dados recentes do Rio Grande do Sul mostram uma nova tendência de crescimento dos casos, o que aponta para uma epidemia generalizada de HIV na região metropolitana de Porto Alegre. O recorte de casos do Estado é um alerta não só para os gaúchos, mas para todos os brasileiros. 

Diferente dos dados baseados apenas em notificações obrigatórias, o Estudo Atitude, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, buscou mapear a real prevalência de ISTs na população do estado, por meio de um inquérito populacional. Foram testadas 8.006 pessoas, com confirmação de 81 casos de HIV, 558 de sífilis, 26 de hepatite B e 56 de hepatite C. 

Os dados indicam uma epidemia generalizada de HIV na Região Metropolitana de Porto Alegre, com prevalência estimada de 1,64%, superando o limite de 1% que a Organização Mundial da Saúde define como critério para considerar que a infecção deixou de ser restrita a grupos de risco e passou a circular amplamente na população geral. 

Em paralelo, dados da Divisão de Doenças de Condições Crônicas da SES-RS apontam que, em 2023, a taxa de detecção de Aids no estado foi de 24,4 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 43, 5% em relação a 2013. Desde 2014, a taxa vem caindo gradualmente, atingindo seu menor valor histórico. Apesar disso, o RS subiu uma posição no ranking nacional, passando a ocupar o 5° lugar entre os estados com maiores índices, em função de um leve aumento registrado no último ano (+1,24%). 

A sífilis apresenta um cenário ainda mais alarmante. A prevalência estimada é de cerca de 7% da população brasileira, o que equivale a sete casos em cada 100 pessoas. Apesar de curável com penicilina benzatina (Benzetacil), em apenas três aplicações, muitos casos não são diagnosticados, nem tratados adequadamente. Em gestantes, a sífilis é especialmente grave, podendo causar sequelas irreversíveis e até a morte do bebê em decorrência da sífilis congênita, uma das principais causas evitáveis de mortalidade neonatal no país. 

Outro desafio é a fase silenciosa da doença, que pode se estender por anos sem apresentar sintomas. “A primeira manifestação costuma ser uma pequena ferida na genitália ou virilha, que desaparece sozinha e frequentemente é confundida com lesões simples, como um pelo encravado. Sem tratamento, a infecção evolui para estágios mais graves, como a sífilis terciária, com potencial de afetar órgãos internos e o sistema nervoso”, comenta Eliana Wendland, médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento. 

“Os achados do estudo Atitude reforçam que testar, tratar e informar são os caminhos mais eficazes para conter a expansão das ISTs no Brasil. Políticas públicas mais integradas e campanhas educativas contínuas serão fundamentais para mudar esse cenário e proteger a saúde da população’, complementa a Eliana. 

Os dados oficiais do Ministério da Saúde também sinalizam a gravidade do cenário. Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2024, entre 2010 e junho de 2024, foram registrados 1.538.525 casos de sífilis adquirida no país. A taxa de detecção cresceu ao longo da série histórica, exceto em 2020, quando caiu para 59,7 casos por 100 mil habitantes, provavelmente devido à falta de testagem por causa da pandemia de Covid-19. A partir de 2021, os números voltaram a subir, alcançando 113,8 casos por 100 mil habitantes em 2023, a maior taxa já registrada. 

Entre gestantes, a taxa de detecção também seguiu tendência de alta. De 2005 a junho de 2024, foram 713.167 casos notificados, com taxa nacional de 34 por mil nascidos vivos (NV) em 2023. A sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, teve 9,9 casos por mil NV em 2023, com um total de 3.554 óbitos acumulados desde 1998. O Rio Grande do Sul aparece entre os estados com maior taxa de detecção da doença em gestantes, com 41,1 casos por 1.000 NV, atrás apenas do Rio de Janeiro e Amapá. 

O HIV também apresentou crescimento expressivo. De 2007 a junho de 2024, foram notificados 541.759 casos, com 70,7% dos registros entre homens. A proporção entre os sexos aumentou de 14 homens para cada 10 mulheres infectadas em 2007, para 27 em 2023. A taxa de detecção entre gestantes chegou a 3,3 casos por mil nascidos vivos, com aumento de 33,2% na última década, conforme dados do Boletim Epidemiológico HIV 2024, do Ministério da Saúde. 

O HIV compromete progressivamente o sistema imunológico. Sem tratamento, pode evoluir para a Aids, condição que torna o organismo vulnerável a infecções oportunistas e tipos específicos de câncer. Muitas pessoas convivem com o HIV sem apresentar sintomas por anos, o que reforça a necessidade de testagem regular. Quando diagnosticado precocemente, o HIV pode ser controlado com o uso contínuo de antirretrovirais, permitindo uma vida saudável e com expectativa semelhante à da população em geral. 

O principal desafio hoje é o diagnóstico. Muitas pessoas convivem com o vírus sem saber, o que mantém a cadeia de transmissão ativa. O estigma ainda é um obstáculo importante, dificultando o acesso à testagem e cuidados, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. 



Hospital Moinhos de Vento
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Preservação da fertilidade ainda é tabu nas consultas ginecológicas e impacta carreira

Em pleno Junho Laranja, mês de conscientização sobre infertilidade, levantamento revela desconhecimento sobre congelamento de óvulos, embriões e sêmen, procedimentos centrais para quem deseja postergar a maternidade com segurança

 

Em um momento em que o protagonismo feminino cresce nas empresas e nas decisões de carreira, o planejamento reprodutivo ainda não acompanha essa evolução. Uma pesquisa da Merck, realizada com 550 mulheres brasileiras entre 25 e 45 anos das classes A, B e C, revela um cenário preocupante: 55% das entrevistadas dizem conhecer muito pouco ou nada sobre congelamento de óvulos, embriões e sêmen,  procedimentos centrais para quem deseja postergar a maternidade com segurança.

A desconexão entre carreira e planejamento reprodutivo é ainda mais visível quando se analisa a presença desse tema nas consultas ginecológicas. Segundo o estudo, entre as mulheres de 36 a 45 anos, 86% relatam que seus ginecologistas nunca abordaram tratamentos de infertilidade ou preservação da fertilidade. A maior parte das entrevistadas também não considera preservar seus óvulos para o futuro, revelando que o planejamento familiar ainda não faz parte da vida prática, mesmo entre as mais maduras e experientes.

“Infelizmente, o conceito de planejamento familiar ainda está muito ligado à contracepção”, afirma o ginecologista e especialista em medicina reprodutiva Dr. Maurício Chehin, do Grupo Huntington. “O ginecologista está treinado para orientar as pacientes sobre como evitar a gravidez indesejada, mas raramente a questiona a respeito de sua reserva ovariana ou seus planos futuros de maternidade”, alerta.
A lacuna de conhecimento se estende a outras técnicas e marcos legais:

54% das mulheres dizem conhecer muito pouco ou nada sobre fertilização in vitro (FIV) e inseminação artificial;

77% não têm informações sobre a legislação brasileira de reprodução assistida;


86% desconhecem os fundamentos da oncopreservação, técnica que permite preservar a fertilidade em pacientes com câncer.


Segundo Chehin, ampliar o conceito de planejamento familiar é essencial, principalmente após os 30 anos. “Se a paciente tem mais de 35 e não pretende engravidar tão cedo, é importante avaliar sua reserva ovariana. Dependendo do resultado e dos planos de vida, o congelamento de óvulos pode ser uma decisão estratégica,  tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional”, diz.
Um bom exemplo de como trazer o tema à tona é a decisão recente da influenciadora e ex-BBB Mari Gonzalez, que compartilhou com seus seguidores o início do processo de congelamento de óvulos. Sua atitude deu visibilidade a uma escolha que muitas mulheres têm adiado por falta de informação, incentivo médico ou acesso. Como foi o caso da apresentadora Ana Hickmann, que aos 44 anos e em um novo relacionamento, relatou que se arrependeu de não ter congelado os óvulos há alguns anos.

Apesar de os tratamentos de reprodução assistida estarem cada vez mais avançados, apenas 10% das mulheres afirmam ter algum conhecimento sobre os três principais procedimentos de preservação da fertilidade. E uma em cada dez não conhece nenhuma das técnicas abordadas na pesquisa.

“Nos últimos dez anos, o congelamento de óvulos evoluiu muito e se tornou mais acessível. Ainda assim, há um desafio de conscientização – não apenas entre pacientes, mas também entre profissionais de saúde. É por isso que, no Grupo Huntington, promovemos programas de educação médica continuada, campanhas informativas e participações em congressos, para levar esse tema ao centro da conversa nos consultórios”, conclui Chehin.



Huntington Medicina Reprodutiva



Dor na barriga pode ser mais sério do que parece: saiba o que é diverticulite e como se proteger


Divulgação
Doença que começa de forma silenciosa pode evoluir e causar complicações graves; médico alerta sobre sintomas e como prevenir

 

A diverticulite é uma inflamação que atinge o intestino grosso, mais especificamente pequenas bolsas chamadas divertículos, que surgem com o tempo nas paredes do intestino. Segundo o coloproctologista Dr. Danilo Munhoz, o problema costuma aparecer depois dos 45 anos e está ligado principalmente ao estilo de vida e aos hábitos alimentares modernos.Segundo dados da Agência Brasil, as internações por inflamações intestinais, incluindo a diverticulite, aumentaram 61% em uma década, passando de 14.782 em 2015 para 23.825 em 2024. Esse crescimento reflete uma tendência preocupante no país.

“O que muita gente não sabe é que a diverticulite começa de forma silenciosa. A pessoa vive normalmente, sem sentir nada, até que, de repente, aparece uma dor forte na parte inferior da barriga, febre e alterações no funcionamento do intestino. Esse é o momento de procurar um médico imediatamente,” explica o especialista.

De acordo com o Dr. Danilo, a origem da doença está ligada a uma alimentação pobre em fibras, pouca ingestão de água, sedentarismo, obesidade e até o uso frequente de certos remédios como anti-inflamatórios. Com o tempo, esses fatores favorecem o aparecimento dos divertículos. Quando inflamam, eles causam dor, febre, gases, prisão de ventre ou diarreia – um quadro que exige atenção médica rápida.

“A prevenção é simples, mas exige compromisso com a saúde. Comer melhor, beber mais água e se movimentar um pouco todos os dias pode fazer toda a diferença. A maioria dos casos poderia ser evitada com essas mudanças básicas no dia a dia,” reforça o médico.

A diverticulite é comum em países onde o consumo de alimentos industrializados é alto e a ingestão de fibras é baixa. Em locais onde se come mais comida natural, o número de casos é muito menor. Isso mostra o quanto a dieta influencia diretamente na saúde do intestino.

Entre os sinais de alerta, os principais são dor persistente no lado esquerdo da barriga, febre baixa, alterações nas fezes (como prisão de ventre ou diarreia), inchaço, gases e até náuseas. Se esses sintomas aparecerem, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes. O diagnóstico pode ser feito por exames de imagem, como a tomografia, e o tratamento costuma incluir antibióticos, repouso intestinal e hidratação.

Em casos mais graves, quando a inflamação se espalha ou há risco de perfuração do intestino, pode ser necessária internação e até cirurgia. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para evitar complicações.

Fica o alerta: a diverticulite é uma doença séria, mas que pode ser prevenida com atitudes simples. Estar atento aos sinais do corpo e não adiar o cuidado é o primeiro passo para manter o intestino saudável e evitar problemas maiores no futuro.


Junho Vermelho

Conheça os critérios e cuidados necessários para doar e receber sangue com segurança

O mês de junho é uma oportunidade de reforçar a importância da doação de sangue como um ato que salva vidas

 

O Junho Vermelho é uma oportunidade para reforçar o valor da solidariedade e da generosidade envolvidos no ato da doação de sangue. Segundo o Ministério da Saúde¹, mais de 3,2 milhões de doações foram realizadas no Brasil em 2023, preservando a vida de milhões de pessoas. Uma só doação pode ajudar a salvar até quatro vidas.

“Doar sangue é um ato de amor e responsabilidade. O sangue é insubstituível em situações como cirurgias de grande porte, traumas graves ou no tratamento de doenças como a hemofilia”, explica o Dr. Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Cerca de 1,4% da população brasileira doa sangue hoje². O número está dentro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, o Ministério da Saúde busca sempre conscientizar a população da importância desse gesto e aumentar o índice de doações. Afinal, doar sangue é seguro, tanto para quem doa quanto para quem recebe. Isso é possível graças a critérios bem definidos de triagem clínica, protocolos rigorosos e ao uso de soluções tecnológicas avançadas.

Para incentivar a doação no Junho Vermelho, o Dr. Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, preparou algumas dicas importantes para quem quer doar sangue:


1. Estar saudável no dia da doação

Não doe sangue se estiver com febre, sintomas gripais ou infecções ativas. Qualquer quadro debilitante pode impedir temporariamente a doação.

 

2. Ter entre 16 e 69 anos

Menores de 18 anos precisam de consentimento formal do responsável legal. Pessoas com mais de 60 anos só podem doar se já o tiverem feito antes dos 60.


3. Pesar no mínimo 50 kg

Isso garante que a doação será feita com segurança para o doador.


4. Dormir bem na noite anterior

É necessário ter dormido pelo menos 6h. Isso ajuda a evitar mal-estar durante ou após a doação.

5. Alimentar-se adequadamente

Evite alimentos gordurosos por pelo menos 3 horas antes da doação. Se for doar após o almoço, aguarde no mínimo 2 horas.


6. Levar um documento oficial com foto

A identificação é essencial para registro e rastreabilidade do processo.


7. Evitar atividades físicas intensas após doar

Hidrate-se bem e descanse nas horas seguintes.


Por trás de cada doação, um processo de testagem seguro

A segurança da doação vai além da triagem clínica: cada bolsa de sangue passa por uma série de análises laboratoriais criteriosas, conforme determina a legislação brasileira. Durante a coleta, além da bolsa de sangue, são retiradas amostras em tubos para identificar a presença de doenças infecciosas que poderiam ser transmitidas por transfusão. Essas amostras são testadas para Hepatite B, Hepatite C, HIV, Sífilis, Doença de Chagas e HTLV, utilizando métodos como sorologia e PCR, garantindo mais precisão na identificação de infecções, inclusive em estágios iniciais. 

Hoje, bancos de sangue e hemocentros contam com equipamentos analíticos e softwares inteligentes, como os da Roche Diagnóstica - referência em inovação e excelência em doenças infecciosas -, que garantem que todo o processo ocorra com máxima segurança e rastreabilidade. Softwares de gestão também podem gerar relatórios e gráficos, que auxiliam os bancos de sangue e hemocentros na gestão de recursos, análise de dados epidemiológicos e planejamento de campanhas de incentivo à doação em épocas de baixa nos estoques.




Referências:

1. Ministério da Saúde - Fonte: Gov.br

2. Ministério da Saúde - Fonte: Gov.br


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