Pesquisar no Blog

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Surto de Newcastle ameaça 6 mil perus e fecha mercados internacionais; Sinergia Animal cobra transparência sobre destino das aves

                          divulgação

Enquanto México, China e Chile impõem restrições a produtos avícolas brasileiros, organização alerta que a crise sanitária não pode ser discutida apenas em termos de prejuízos econômicos e defende maior responsabilidade das empresas com a saúde e o bem-estar animal.

 

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina, desencadeou restrições internacionais às exportações brasileiras e reacendeu o debate sobre a segurança sanitária da avicultura nacional. 

Enquanto o setor produtivo calcula os possíveis prejuízos comerciais, a Sinergia Animal chama a atenção para uma dimensão frequentemente negligenciada nessas crises: o destino dos animais envolvidos e a responsabilidade das empresas na prevenção de doenças e na garantia de seu bem-estar.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estabelecimento afetado abriga aproximadamente 6 mil perus, que permaneceram na propriedade após a identificação do foco. As medidas sanitárias anunciadas incluem a eliminação do foco por meio da depopulação das aves, seguida de limpeza e desinfecção das instalações. O governo também informou que aproximadamente 133 propriedades da região serão monitoradas pelas autoridades veterinárias.

A repercussão ultrapassou as fronteiras brasileiras. Até esta terça-feira (20), o México havia suspendido a importação de determinados produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto China e Chile adotaram restrições específicas para produtos provenientes de Santa Catarina.

Para a Sinergia Animal, a situação evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre as consequências das emergências sanitárias na produção animal, indo além das perdas financeiras e dos impactos sobre o comércio internacional.

“Quando uma doença atinge a produção animal, os prejuízos econômicos rapidamente se tornam notícia. Mas o que acontece com os animais? Estamos falando de aproximadamente 6 mil perus em uma propriedade onde as autoridades anunciaram medidas de depopulação. Não basta discutir como proteger as exportações. É preciso questionar quais medidas estão sendo adotadas para prevenir novos episódios e reduzir o sofrimento durante as ações de controle. Biosseguridade e bem-estar animal precisam fazer parte de uma mesma política de responsabilidade”, afirma Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil.


Crises sanitárias também são crises de bem-estar animal

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que pode afetar aves domésticas e silvestres, com manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, além de provocar mortalidade elevada em determinadas circunstâncias.

Embora as autoridades sanitárias tenham estabelecido protocolos para conter a disseminação do vírus, a Sinergia Animal ressalta que a prevenção e o enfrentamento de doenças devem incorporar critérios rigorosos de bem-estar animal, incluindo condições adequadas de criação, monitoramento contínuo da saúde das aves e procedimentos que minimizem o sofrimento durante intervenções sanitárias.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a granja onde o foco foi identificado integra a cadeia de fornecimento da MBRF, companhia formada pela combinação de operações da Marfrig e da BRF.

“Empresas que lucram com a produção animal também precisam assumir responsabilidade pelas condições em que esses animais vivem e pelas consequências das crises sanitárias. Transparência não pode ser uma exigência apenas dos mercados importadores. Ela também é devida à sociedade e aos animais que dependem dessas decisões”, reforça Cristina.


O verdadeiro custo de uma emergência sanitária

O Brasil ocupa a posição de maior exportador mundial de carne de frango, o que torna episódios sanitários particularmente sensíveis para o setor. As restrições anunciadas por parceiros comerciais demonstram como a ocorrência de doenças pode provocar repercussões econômicas que ultrapassam a propriedade onde o foco foi identificado.

Entretanto, para a Sinergia Animal, medir o impacto dessas crises exclusivamente pelo volume de exportações comprometidas ou pelas perdas financeiras representa uma visão incompleta do problema.

Além dos riscos econômicos, emergências sanitárias podem envolver o sofrimento de animais doentes, medidas de abate sanitário em larga escala e desafios para a prevenção de novas ocorrências.

A organização defende o fortalecimento da vigilância sanitária, da fiscalização das condições de criação e da transparência empresarial, além da incorporação de indicadores verificáveis de bem-estar animal às políticas de gestão de riscos das cadeias produtivas.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados