Pesquisar no Blog

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Sem proteção contra o sol, pessoas com albinismo em Angola enfrentam câncer de pele desde a infância

Durante missão humanitária, ONG brasileira identifica casos
de tumores avançados e chama atenção para falta
de prevenção e acesso ao tratamento
Durante uma missão humanitária em Angola, a ONG mineira Kids Salvation identificou casos graves de câncer de pele em pessoas com albinismo, incluindo crianças. Em alguns pacientes, os tumores já estavam em estágio avançado e comprometiam grande parte do rosto e regiões próximas aos olhos. O cenário chamou atenção para um problema de saúde que combina alta exposição à radiação ultravioleta, falta de proteção solar e dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento. 

Realizada em setembro, a missão reuniu voluntários de diferentes áreas da saúde. Entre eles estava as dermatologistas Dra Gabriela Campos e a Dra. Lourena Costa que, durante a missão Kids Salvation, viajaram ao interior da Angola e realizaram ações específicas aos albinos dentro da comunidade em que eles vivem, porque alguns não tinham condição de ir à cidade ter acesso ao tratamento e consultas médicas. Segundo ela a Dra. Lourena, a experiência revela a dimensão dos impactos da falta de prevenção e acompanhamento médico. 

O albinismo é uma condição genética caracterizada pela ausência ou baixa produção de melanina, pigmento que ajuda a proteger a pele da radiação ultravioleta. Com menor proteção natural, pessoas com albinismo são mais suscetíveis a queimaduras solares, lesões pré-cancerígenas e câncer de pele, especialmente quando há exposição frequente ao sol sem medidas adequadas de proteção. 

“Peguei bebês de dois, três anos, cheios de sinais de câncer de pele, porque vivem num deserto sem protetor solar, sem roupa de proteção e muito menos sem saber como se proteger”, relata Lourena. 

Durante os atendimentos, a dermatologista identificou casos de carcinomas basocelulares e espinocelulares, alguns já em estágio avançado. Segundo ela, havia pacientes com lesões extensas na região do rosto e dos olhos e casos em que os tumores já haviam comprometido linfonodos. 

A situação se torna ainda mais complexa diante das limitações da estrutura de saúde local. De acordo com a médica, muitos pacientes chegam ao atendimento em estágios avançados e não têm acesso a recursos necessários para o diagnóstico, estadiamento e acompanhamento oncológico, como exames especializados, quimioterapia e radioterapia. 

“Tem casos em que o tumor já acometeu o rosto inteiro. A equipe se sentia muito limitada por não ter um centro de quimioterapia e radioterapia para fazer o estadiamento e acompanhar esses pacientes”, conta. 

Em algumas situações, diante das limitações de tratamento disponíveis, a atuação da equipe se concentra na retirada das lesões e na reconstrução das áreas afetadas, buscando reduzir deformidades e proporcionar mais conforto aos pacientes.
 

Prevenção pode começar na infância 

Para a especialista, parte dos casos poderia ser evitada ou identificada mais precocemente com medidas de proteção e acompanhamento desde os primeiros anos de vida. Por isso, a ong Kids Salvation distribuiu mais de 100 blusas com proteção solar, chapeus UV para adultos e crianças e protetores solares. 

Lá, as especialistas também ministraram palestras sobre o que é a condição e proteção do sol. “Pensando em saúde pública, existe essa questão da conscientização de massa, da proteção solar, seja ela física ou química, e da cultura da população, que ainda trata os albinos com muito misticismo”, afirma Lourena. 

Além dos problemas de saúde, pessoas com albinismo em Angola também enfrentam situações de preconceito e exclusão social. Segundo a dermatologista, crenças e interpretações místicas relacionadas à condição podem contribuir para o isolamento e dificultar o acesso à educação, aos serviços de saúde e a informações básicas sobre prevenção. 

A combinação entre exposição solar intensa, ausência de proteção adequada, diagnóstico tardio e dificuldades de acesso ao tratamento faz com que o câncer de pele represente um risco especialmente grave para pessoas com albinismo em regiões de forte incidência solar. 

A Kids Salvation já se prepara para uma nova missão humanitária em Angola, prevista para o segundo semestre de 2027. A organização atua com equipes voluntárias em diferentes frentes de saúde e assistência no país. Os interessados em conhecer os projetos da instituição podem acessar o link Link , assim como ajudar com doações através da página Link.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados