Durante
uma missão humanitária em Angola, a ONG mineira Kids Salvation identificou
casos graves de câncer de pele em pessoas com albinismo, incluindo crianças. Em
alguns pacientes, os tumores já estavam em estágio avançado e comprometiam
grande parte do rosto e regiões próximas aos olhos. O cenário chamou atenção
para um problema de saúde que combina alta exposição à radiação ultravioleta,
falta de proteção solar e dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento. 
Durante missão humanitária, ONG brasileira identifica casos
de tumores avançados e chama atenção para falta
de prevenção e acesso ao tratamento
Realizada
em setembro, a missão reuniu voluntários de diferentes áreas da saúde. Entre
eles estava as dermatologistas Dra Gabriela Campos e a Dra. Lourena Costa que,
durante a missão Kids Salvation, viajaram ao interior da Angola e realizaram
ações específicas aos albinos dentro da comunidade em que eles vivem, porque
alguns não tinham condição de ir à cidade ter acesso ao tratamento e consultas
médicas. Segundo ela a Dra. Lourena, a experiência revela a dimensão dos
impactos da falta de prevenção e acompanhamento médico.
O
albinismo é uma condição genética caracterizada pela ausência ou baixa produção
de melanina, pigmento que ajuda a proteger a pele da radiação ultravioleta. Com
menor proteção natural, pessoas com albinismo são mais suscetíveis a
queimaduras solares, lesões pré-cancerígenas e câncer de pele, especialmente
quando há exposição frequente ao sol sem medidas adequadas de proteção.
“Peguei
bebês de dois, três anos, cheios de sinais de câncer de pele, porque vivem num
deserto sem protetor solar, sem roupa de proteção e muito menos sem saber como
se proteger”, relata Lourena.
Durante
os atendimentos, a dermatologista identificou casos de carcinomas basocelulares
e espinocelulares, alguns já em estágio avançado. Segundo ela, havia pacientes
com lesões extensas na região do rosto e dos olhos e casos em que os tumores já
haviam comprometido linfonodos.
A
situação se torna ainda mais complexa diante das limitações da estrutura de
saúde local. De acordo com a médica, muitos pacientes chegam ao atendimento em
estágios avançados e não têm acesso a recursos necessários para o diagnóstico,
estadiamento e acompanhamento oncológico, como exames especializados,
quimioterapia e radioterapia.
“Tem
casos em que o tumor já acometeu o rosto inteiro. A equipe se sentia muito
limitada por não ter um centro de quimioterapia e radioterapia para fazer o estadiamento
e acompanhar esses pacientes”, conta.
Em
algumas situações, diante das limitações de tratamento disponíveis, a atuação
da equipe se concentra na retirada das lesões e na reconstrução das áreas
afetadas, buscando reduzir deformidades e proporcionar mais conforto aos
pacientes.
Prevenção pode começar na infância
Para
a especialista, parte dos casos poderia ser evitada ou identificada mais
precocemente com medidas de proteção e acompanhamento desde os primeiros anos
de vida. Por isso, a ong Kids Salvation distribuiu mais de 100 blusas com
proteção solar, chapeus UV para adultos e crianças e protetores solares.
Lá,
as especialistas também ministraram palestras sobre o que é a condição e
proteção do sol. “Pensando em saúde pública, existe essa questão da
conscientização de massa, da proteção solar, seja ela física ou química, e da
cultura da população, que ainda trata os albinos com muito misticismo”, afirma
Lourena.
Além
dos problemas de saúde, pessoas com albinismo em Angola também enfrentam
situações de preconceito e exclusão social. Segundo a dermatologista, crenças e
interpretações místicas relacionadas à condição podem contribuir para o
isolamento e dificultar o acesso à educação, aos serviços de saúde e a
informações básicas sobre prevenção.
A
combinação entre exposição solar intensa, ausência de proteção adequada,
diagnóstico tardio e dificuldades de acesso ao tratamento faz com que o câncer
de pele represente um risco especialmente grave para pessoas com albinismo em
regiões de forte incidência solar.
A
Kids Salvation já se prepara para uma nova missão humanitária em Angola,
prevista para o segundo semestre de 2027. A organização atua com equipes
voluntárias em diferentes frentes de saúde e assistência no país. Os
interessados em conhecer os projetos da instituição podem acessar o link Link , assim como ajudar com doações
através da página Link.
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