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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Entenda o que é linfoma não Hodgkin

Especialista explica sinais de alerta, investigação e tratamentos

 

O Brasil deve contabilizar cerca de 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano entre 2026 e 2028, de acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença reúne diferentes tipos de câncer que se desenvolvem nos linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo. Pode atingir os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, e outras regiões, como baço, medula óssea, pele e trato digestivo. Como existem subtipos com ritmos distintos de evolução, desde formas de crescimento lento até outras mais agressivas, a identificação precisa da doença é fundamental para orientar o tratamento. 

“Uma das manifestações mais frequentes é o aumento dos gânglios, que pode ser percebido como um caroço, geralmente indolor, no pescoço, nas axilas ou na virilha. Também podem ocorrer febre sem causa esclarecida, suor noturno intenso, perda de peso involuntária e cansaço persistente. Em alguns casos, a pessoa apresenta coceira, aumento do volume abdominal, tosse, desconforto no peito ou falta de ar. Esses sinais não significam necessariamente a presença de um linfoma, já que gânglios aumentados também são comuns em infecções. No entanto, quando as alterações persistem, aumentam ou aparecem associadas a outros sintomas, é importante procurar avaliação médica”, explica a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio. 

A confirmação da doença exige investigação clínica e exames específicos. Segundo a professora, a avaliação inicial considera o histórico de saúde e o exame físico, mas geralmente é necessária uma biópsia, procedimento que permite analisar uma amostra de tecido e identificar as características do linfoma. “Os exames de sangue e de imagem ajudam a complementar a investigação e a avaliar a extensão da doença. É importante destacar que um hemograma isolado não confirma nem descarta o diagnóstico. A identificação correta do subtipo é fundamental para que a equipe médica defina a conduta mais adequada para cada paciente”, afirma. 

As opções de tratamento variam conforme o subtipo, a extensão da doença, os sintomas e as condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão quimioterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo e radioterapia. Em determinados linfomas de crescimento lento, pode ser indicado o acompanhamento ativo, com consultas e exames periódicos, enquanto as formas agressivas geralmente exigem intervenção rápida. Para alguns casos em que a doença retorna ou não responde ao tratamento, também podem ser avaliadas alternativas como o transplante de células-tronco hematopoéticas e a terapia CAR-T, que utiliza células de defesa modificadas em laboratório para reconhecer e combater o tumor. 

“Alguns subtipos de linfoma não Hodgkin podem ser curados, inclusive formas agressivas, enquanto outros podem exigir controle e acompanhamento prolongados. A velocidade de crescimento da doença, por si só, não determina a possibilidade de cura: o prognóstico depende de diferentes características, da resposta ao tratamento e da avaliação individual. Também não existe uma medida capaz de garantir a prevenção, nem recomendação de rastreamento rotineiro para pessoas sem sintomas. Por isso, informação de qualidade e atenção a alterações persistentes são importantes para buscar atendimento e esclarecer a causa o quanto antes”, conclui Alice.



Estácio
estacio.br


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