Doença liderou mortalidade por neoplasia em
Ribeirão Preto na última década; exposição ao fumo passivo, poluição e
alterações genéticas estão entre os aspectos associados ao tumor
Exposição ao fumo passivo, poluição e alterações genéticas
estão entre os aspectos associados ao câncer de pulmão
Magnific
Embora
o tabagismo seja o principal fator de risco para o câncer de pulmão, pessoas
que nunca fumaram também podem desenvolver a doença. Em Ribeirão Preto, dados
referentes ao período de 2016 a 2025 apontam que a neoplasia apresentou a maior
mortalidade entre os diferentes tipos de câncer, com 1.248 óbitos, o
equivalente a 12,5% dos registros no município. No Brasil, o Instituto Nacional
de Câncer (INCA) estima mais de 35 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
Uma
das explicações para o desenvolvimento do tumor em não fumantes está na
exposição involuntária à fumaça do cigarro. A convivência frequente com pessoas
que fumam, especialmente em ambientes fechados, aumenta o contato com
substâncias cancerígenas e pode comprometer a saúde respiratória.
“O
tabagismo passivo é um fator importante porque a pessoa acaba inalando
substâncias tóxicas mesmo sem nunca ter fumado. Essa exposição contínua pode
aumentar de 20% a 30% o risco de desenvolver câncer de pulmão. Isso não
significa que todos os indivíduos nessa condição terão a doença, mas reforça a
necessidade de evitar ambientes com fumaça”, explica o oncologista Carlos
Fruet.
Outros
aspectos também estão associados ao desenvolvimento da neoplasia, como a
poluição atmosférica, que pode ser agravada por queimadas, emissões industriais
e circulação de veículos. Além disso, alterações moleculares identificadas em
determinados tumores, especialmente em pessoas sem histórico de tabagismo,
ajudam a compreender o comportamento da doença e a orientar tratamentos
específicos. Entre elas estão modificações nos genes EGFR, ALK e ROS1.
Independentemente
do histórico de consumo de cigarros, alguns sintomas merecem investigação
quando persistentes. Tosse contínua, presença de sangue no escarro, falta de ar
sem causa aparente, dor no peito, rouquidão e perda de peso inexplicada estão
entre os sinais que exigem avaliação médica.
“Não
fumar reduz significativamente o risco, mas não elimina completamente a
possibilidade de desenvolver câncer de pulmão. Por isso, é importante
reconhecer outros fatores envolvidos e não ignorar sintomas persistentes. A
identificação da doença em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de
tratamento e aumentar muito a chance de cura”, orienta Fruet.
Para pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que acumularam carga tabágica igual ou superior a 20 anos-maço, a tomografia de tórax com baixa dose de radiação pode ser indicada para o rastreamento anual do câncer de pulmão. Essa medida permite identificar possíveis tumores antes do aparecimento de sintomas e aumentar as chances do diagnóstico precoce.
As opções terapêuticas dependem do tipo e do estágio do tumor, além de suas características moleculares, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.
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