Pesquisa aponta que 53% dos brasileiros reduziram o consumo de açúcar e doces tradicionais e passaram a optar por produtos com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria
Reduzir o consumo de açúcar já faz
parte da rotina de muitos brasileiros e começa a influenciar também a escolha
de doces e sobremesas. Segundo dados da pesquisa Consumer Insights, 53% dos
brasileiros diminuíram a ingestão de açúcar e doces tradicionais e passaram a
optar por alternativas com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria. O movimento
amplia a presença de versões “fit”, “zero açúcar” e “diet” nas prateleiras, mas
a troca não significa que esses produtos possam ser consumidos sem atenção à
quantidade e à frequência.
Para Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital
IGESP, um dos principais cuidados é evitar a ideia de que a retirada do açúcar
torna o alimento liberado. “É comum a pessoa associar a ausência de açúcar a
uma espécie de autorização para comer mais. A substituição do açúcar por
adoçantes pode fazer sentido em determinados contextos, mas não deve criar a
impressão de que esses produtos estão liberados. Quando diferentes alimentos
com adoçantes fazem parte da rotina, é importante observar o consumo total e a
composição desses produtos”, afirma.
A popularização dessas alternativas também
mudou a percepção sobre alguns alimentos. Uma sobremesa identificada como “zero
açúcar” ou “baixo teor calórico”, por exemplo, pode transmitir ao consumidor a
ideia de que há maior liberdade para comer. No entanto, a alegação presente na
embalagem não substitui a análise da composição, da tabela nutricional e do
tamanho da porção.
“Os efeitos do consumo excessivo também
dependem do tipo de substância utilizada. Alguns polióis, como sorbitol, maltitol
e xilitol, podem provocar gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia quando
ingeridos em grandes quantidades. Para outros adoçantes, a principal
preocupação está na exposição acumulada e no respeito aos limites considerados
seguros para cada substância”, explica o médico.
Como consumir doces “fit” com mais
equilíbrio
Uma das primeiras medidas é olhar além da
informação que aparece em destaque na embalagem. Vale conferir a lista de
ingredientes, a tabela nutricional, o tamanho da porção e a frequência de
consumo. Também é importante considerar o conjunto da alimentação: se a pessoa
consome um doce com adoçante, uma bebida adoçada e outros produtos com a mesma
característica ao longo do dia, todas essas fontes devem ser consideradas.
Outro ponto de atenção é a chamada
compensação, quando o consumidor aumenta a quantidade ingerida por entender que
a versão “fit” é necessariamente mais saudável. A redução de açúcar pode ser
uma estratégia em determinados contextos, mas não transforma automaticamente um
alimento ultraprocessado em uma opção para consumo livre.
“Não é necessário ter medo de todos os
produtos que utilizam adoçantes, mas também não devemos tratá-los como
alimentos sem limites. O ideal é reduzir gradualmente a preferência por sabores
muito doces e manter os doces, sejam tradicionais ou com adoçantes, como parte
pontual de uma alimentação equilibrada”, destaca o nutrólogo.
A escolha de produtos “fit”, “zero açúcar” ou
com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria, portanto, deve considerar mais do
que a promessa estampada na embalagem. Observar a composição, respeitar as
porções e evitar a combinação frequente de diferentes produtos adoçados são
medidas que ajudam a manter uma relação mais equilibrada com esses alimentos.
“Para pessoas que apresentam desconfortos
recorrentes após o consumo ou possuem necessidades nutricionais específicas, a
avaliação individual com um profissional de saúde pode ajudar a orientar
escolhas mais adequadas”, finaliza o médico do Hospital IGESP.

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