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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Do “zero açúcar” ao excesso: especialista do Hospital IGESP explica os cuidados com doces “fit”

Pesquisa aponta que 53% dos brasileiros reduziram o consumo de açúcar e doces tradicionais e passaram a optar por produtos com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria 


Reduzir o consumo de açúcar já faz parte da rotina de muitos brasileiros e começa a influenciar também a escolha de doces e sobremesas. Segundo dados da pesquisa Consumer Insights, 53% dos brasileiros diminuíram a ingestão de açúcar e doces tradicionais e passaram a optar por alternativas com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria. O movimento amplia a presença de versões “fit”, “zero açúcar” e “diet” nas prateleiras, mas a troca não significa que esses produtos possam ser consumidos sem atenção à quantidade e à frequência. 

Para Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital IGESP, um dos principais cuidados é evitar a ideia de que a retirada do açúcar torna o alimento liberado. “É comum a pessoa associar a ausência de açúcar a uma espécie de autorização para comer mais. A substituição do açúcar por adoçantes pode fazer sentido em determinados contextos, mas não deve criar a impressão de que esses produtos estão liberados. Quando diferentes alimentos com adoçantes fazem parte da rotina, é importante observar o consumo total e a composição desses produtos”, afirma. 

A popularização dessas alternativas também mudou a percepção sobre alguns alimentos. Uma sobremesa identificada como “zero açúcar” ou “baixo teor calórico”, por exemplo, pode transmitir ao consumidor a ideia de que há maior liberdade para comer. No entanto, a alegação presente na embalagem não substitui a análise da composição, da tabela nutricional e do tamanho da porção. 

“Os efeitos do consumo excessivo também dependem do tipo de substância utilizada. Alguns polióis, como sorbitol, maltitol e xilitol, podem provocar gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia quando ingeridos em grandes quantidades. Para outros adoçantes, a principal preocupação está na exposição acumulada e no respeito aos limites considerados seguros para cada substância”, explica o médico.
 

Como consumir doces “fit” com mais equilíbrio 

Uma das primeiras medidas é olhar além da informação que aparece em destaque na embalagem. Vale conferir a lista de ingredientes, a tabela nutricional, o tamanho da porção e a frequência de consumo. Também é importante considerar o conjunto da alimentação: se a pessoa consome um doce com adoçante, uma bebida adoçada e outros produtos com a mesma característica ao longo do dia, todas essas fontes devem ser consideradas. 

Outro ponto de atenção é a chamada compensação, quando o consumidor aumenta a quantidade ingerida por entender que a versão “fit” é necessariamente mais saudável. A redução de açúcar pode ser uma estratégia em determinados contextos, mas não transforma automaticamente um alimento ultraprocessado em uma opção para consumo livre. 

“Não é necessário ter medo de todos os produtos que utilizam adoçantes, mas também não devemos tratá-los como alimentos sem limites. O ideal é reduzir gradualmente a preferência por sabores muito doces e manter os doces, sejam tradicionais ou com adoçantes, como parte pontual de uma alimentação equilibrada”, destaca o nutrólogo. 

A escolha de produtos “fit”, “zero açúcar” ou com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria, portanto, deve considerar mais do que a promessa estampada na embalagem. Observar a composição, respeitar as porções e evitar a combinação frequente de diferentes produtos adoçados são medidas que ajudam a manter uma relação mais equilibrada com esses alimentos. 

“Para pessoas que apresentam desconfortos recorrentes após o consumo ou possuem necessidades nutricionais específicas, a avaliação individual com um profissional de saúde pode ajudar a orientar escolhas mais adequadas”, finaliza o médico do Hospital IGESP. 


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