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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Especialista explica os fatores associados ao problema, os impactos para a saúde e a importância do acompanhamento odontológico 

 

No dia 25 de outubro, quando é celebrado o Dia Nacional da Saúde Bucal, os dados sobre a perda dentária no Brasil reforçam a importância de ampliar o acesso à reabilitação protética e aos cuidados odontológicos. De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, o SB Brasil 2023, 53,7% dos brasileiros de 35 a 44 anos precisam de algum tipo de prótese dentária. 

Entre os idosos de 65 a 74 anos, a necessidade de reabilitação protética também é expressiva. Segundo os dados do levantamento, 23,16% necessitam de prótese total nas duas arcadas, enquanto 20,68% precisam de próteses parciais em ambas e 14,42% necessitam de prótese parcial em apenas uma delas. 

O professor de Odontologia da Afya Centro Universitário Montes Claros, Dr Rildo Siqueira Pêgo, explica que a cárie, a doença periodontal, as desigualdades no acesso à saúde pública e a cultura da odontologia mutiladora, que prioriza a extração em vez do tratamento, contribuem para esses dados. 

“O envelhecimento, por si só, não causa a perda natural dos dentes. O que acontece é um acúmulo de danos e doenças bucais ao longo da vida. Com os cuidados adequados, é possível manter os dentes na velhice. Um dos fatores que ajudam a explicar esse cenário é que muitos idosos viveram em uma época em que a odontologia era predominantemente mutiladora, baseada na extração, e não tiveram acesso à odontologia preventiva. Além disso, condições como demências, perdas cognitivas e dificuldades motoras podem comprometer a higiene bucal e contribuir para a perda dentária”. 

A perda completa dos dentes atinge 36,48% da população idosa no país, que chega a essa fase acumulando uma média de 19,86 dentes perdidos apenas por decorrência da cárie. O especialista comenta que a perda dentária afeta diversos aspectos da vida e um dos principais impactos está na mastigação, que, quando prejudicada, pode trazer consequências para a digestão e a saúde. “A perda de dentes também pode comprometer o encaixe entre as arcadas, causando dores musculares e articulares e dificuldade para abrir a boca. Além disso, pode afetar a fala, a autoestima e o convívio social, comprometendo a qualidade de vida e o bem-estar”. 

A demanda por reabilitação protética entre os idosos também se reflete na procura pelos serviços odontológicos. Quase metade (49,58%) relata perceber a necessidade de uma prótese dentária para substituir dentes perdidos, enquanto a colocação ou manutenção de próteses e dentaduras aparece como o principal motivo de consulta odontológica no último ano, citado por 32,80%.  

“A prevenção é fundamental, por isso não se deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar o dentista. No entanto, sinais como próteses frouxas, feridas persistentes na boca, mau hálito, dificuldade para mastigar, sangramento ou secreção na gengiva, mobilidade dentária e dor devem ser avaliados por um profissional”, complementa o docente da Afya.

 

Cuidados com a prótese dentária  

O uso de próteses dentárias exige atenção e cuidados diários para garantir o conforto, a eficiência na mastigação e a saúde dos tecidos bucais. Segundo o Dr Rildo Rêgo, além de seguir as orientações profissionais desde a colocação da prótese, é fundamental manter uma rotina adequada de higienização e realizar consultas odontológicas regulares.

O dentista lista as principais dicas para cuidar da prótese dentária:

 

1.   Restrição de alimentos e carga oclusal excessiva (especialmente na fase de proservação inicial): A prótese reabilita a função mastigatória, porém apresenta limites estruturais e de distribuição de força nos tecidos de suporte. Recomenda-se evitar o consumo de alimentos de consistência extremamente dura ou aderente durante o período de adaptação neuromuscular. O objetivo é mitigar picos de tensão mecânica, prevenindo microtraumas na mucosa de suporte, fraturas no acrílico/cerâmica e a desadaptação da base protética.

2.   Rigor no controle do biofilme oral e depósitos calcificados: A superfície dos materiais protéticos (resinas acrílicas, ligas metálicas ou cerâmicas) está sujeita à colonização bacteriana e fúngica, levando à formação de biofilme denso e subsequente impregnação de cálculo. A higienização diária deve ser realizada com escovas de cerdas macias/extramacias e agentes dentifrícios de baixa abrasividade ou soluções efervescentes específicas, evitando a criação de microrranhuras que favoreçam a retenção microbiana.

3.   Repouso noturno e desinfecção química: A remoção da prótese durante o sono é indispensável para promover a descompressão vascular da mucosa de suporte e do periósteo, prevenindo quadros de estomatite protética e reabsorção óssea acelerada. Esse intervalo deve ser utilizado para a imersão da peça em soluções desinfetantes adequadas (como hipoclorito de sódio diluído ou perborato de sódio, a depender do material da estrutura), garantindo a eliminação de patógenos sem comprometer a integridade físico-química do material.

4.   Monitoramento de lesões traumáticas e conduta perante hiperemia ou ulceração: O dispositivo deve manter a distribuição homogênea das forças oclusais. O aparecimento de úlceras traumáticas, áreas de hiperemia ou desconforto persistente sinaliza a presença de pontos de sobrecarga mecânica ou desadaptação de bordas. Nesses casos, o paciente deve consultar o cirurgião-dentista para o alívio focal do acrílico. É terminantemente contraindicada qualquer autoajuste desgastante pelo paciente, sob risco de inutilizar a peça ou alterar a dimensão vertical de oclusão (DVO).

5.   Acompanhamento clínico periódico e manutenção preventiva: A proservação regular é fundamental para avaliar a integridade estrutural do retentor e da base, o grau de reabsorção do rebordo residual, a estabilidade e a retenção do dispositivo. As consultas periódicas viabilizam rebasamentos preventivos, ajustes oclusais e a detecção precoce de alterações patológicas na mucosa bucal.

 

“A adoção desses cuidados contribui para preservar a saúde bucal, melhorar o conforto durante o uso e prolongar a vida útil da prótese dentária. Mais do que manter a peça limpa, é fundamental garantir que ela esteja bem adaptada e seja acompanhada regularmente por um profissional”, conclui. 

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