Ao
escolher um produto, o consumidor compara preço, qualidade, conveniência e
prazo de entrega. É natural que procure fazer o melhor uso de seu dinheiro,
sobretudo quando o orçamento está apertado. Cabe às empresas conquistar sua
preferência. Cabe ao poder público assegurar que essa disputa ocorra em
condições equilibradas e contribua para o desenvolvimento do país.Há, porém,
uma conexão que precisa ocupar mais espaço no debate: o consumidor também é
trabalhador, empreendedor e contribuinte. Seu poder de compra depende da renda
gerada por uma economia capaz de produzir, investir e oferecer oportunidades.
Por isso, as decisões que ampliam o acesso ao consumo precisam ser avaliadas
também por seus efeitos sobre a sustentação dessa renda.Uma fábrica reúne muito
mais que máquinas e instalações. Nela se encontram conhecimento acumulado,
profissionais qualificados, fornecedores, tecnologia e relações comerciais
construídas ao longo de anos. Ao seu redor, movimentam-se transportadores,
prestadores de serviços, centros de pesquisa e estabelecimentos comerciais.
Essa rede ajuda a sustentar a vida econômica de cidades e regiões.Construir
essa capacidade exige tempo, capital e persistência. Quando ela se perde, sua
recuperação pode ser longa e difícil. Uma fábrica não se reconstrói com a mesma
velocidade de um clique.Essa reflexão é especialmente importante para uma
cadeia como a têxtil e de confecção, que conecta a produção de fibras ao
varejo, passando por fiação, tecelagem, malharia, beneficiamento e confecção.
Em cada etapa há trabalho, investimento e decisões empresariais.
A força desse conjunto está também nas conexões entre seus elos.O comércio
internacional faz parte do desenvolvimento dessa cadeia. Importar amplia
alternativas, permite acesso a insumos e tecnologias e estimula a concorrência.
Exportar abre mercados e exige aprimoramento permanente. Uma integração bem
construída oferece oportunidades em ambas as direções.Para que seus benefícios
sejam duradouros, precisamos de igualdade tributária e regulatória
concorrencial. Quem atende ao mesmo consumidor deve estar sujeito a obrigações
equivalentes, com fiscalização efetiva. Diferenças de eficiência, inovação e
qualidade devem decidir a disputa.
Assimetrias no cumprimento das regras precisam ser corrigidas.A
responsabilidade ambiental integra essa discussão. O compromisso com a
sustentabilidade deve acompanhar o produto até o pós-consumo. Coleta,
reaproveitamento e destinação de resíduos exigem organização e recursos. É
necessário definir como todos os que colocam produtos no mercado brasileiro
participarão dessas soluções, inclusive nas vendas internacionais diretas ao
consumidor.
As empresas brasileiras, por sua vez, têm uma tarefa permanente: elevar
produtividade, desenvolver produtos, qualificar pessoas e melhorar a gestão. A
defesa da produção ganha consistência quando vem acompanhada do compromisso de
inovar e atender melhor à sociedade.Esse esforço precisa encontrar um ambiente
que permita transformar investimento em resultado.
As políticas de crédito, comércio exterior, tributação, trabalho e meio
ambiente devem ser avaliadas em conjunto. Medidas adotadas em uma área podem
fortalecer ou comprometer os objetivos de outra. O país precisa dar coerência a
essas escolhas.O Brasil tem espaço para ampliar seu consumo e sua capacidade
produtiva.
Aproximar esses dois objetivos exige reconhecer que o preço de uma compra e as
condições de geração de renda fazem parte da mesma realidade econômica.Queremos
que nossas fábricas continuem produzindo, inovando e criando oportunidades.
Queremos que os jovens encontrem caminhos de qualificação e trabalho e que os
consumidores tenham acesso a produtos melhores. O futuro que desejamos depende
das condições que construímos hoje para que essas aspirações avancem juntas.
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