Histórico familiar, uso de desodorantes, próteses de silicone e autoexame estão entre as dúvidas mais comuns; informação e acompanhamento médico são fundamentais para a detecção precoce da doença
Durante o Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, esclarecer dúvidas e combater informações falsas é fundamental para incentivar o cuidado com a saúde. Apesar dos avanços na informação, mitos sobre fatores de risco, prevenção e exames de rotina ainda podem levar mulheres a adiar a investigação de alterações nas mamas ou deixar de realizar o acompanhamento recomendado.
A mastologista Kelma Sandes, do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH, explica que o câncer de mama é uma doença multifatorial e que nenhuma mulher deve considerar-se livre de risco apenas por não ter casos da doença na família ou por não apresentar sintomas.
“Informação de qualidade é uma das principais ferramentas para a prevenção e a detecção precoce do câncer de mama. É importante que as mulheres conheçam o próprio corpo, mantenham o acompanhamento médico e realizem os exames indicados para sua faixa etária e seu perfil de risco. O diagnóstico precoce pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento”, destaca a especialista.
A
seguir, a mastologista esclarece oito dúvidas frequentes sobre o câncer de
mama.
1. Só quem tem histórico familiar pode desenvolver câncer de mama?
Mito. O histórico familiar é um fator de risco importante, especialmente quando há vários casos entre parentes próximos, diagnósticos em idade jovem ou ocorrência de câncer de ovário na família. No entanto, a maioria dos casos não está diretamente relacionada a uma predisposição hereditária conhecida. A idade, fatores hormonais, excesso de peso, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas também podem influenciar o risco.
“Não
ter casos de câncer de mama na família não significa que a mulher esteja livre
da doença. Por isso, todas precisam estar atentas à saúde das mamas e seguir as
recomendações de acompanhamento e rastreamento”, orienta Kelma Sandes.
2. Se eu fizer o autoexame regularmente, não preciso fazer mamografia?
Mito. Conhecer as próprias mamas é importante para perceber alterações, mas o autoexame não substitui a mamografia. O câncer pode apresentar alterações que não são perceptíveis ao toque, principalmente em fases iniciais. A mamografia permite identificar sinais suspeitos antes mesmo do surgimento de sintomas.
“A
observação das mamas deve fazer parte do autocuidado, mas não pode ser
considerada uma alternativa aos exames de rastreamento. Ao perceber qualquer
mudança, a mulher deve procurar avaliação médica, mesmo que tenha realizado
exames recentemente”, explica a mastologista.
3. Usar desodorante com alumínio aumenta o risco de câncer de mama?
Mito. Não há evidências científicas consistentes de que o uso de desodorantes ou antitranspirantes com sais de alumínio aumente o risco de câncer de mama. A associação entre esses produtos e a doença é uma preocupação recorrente, mas não foi estabelecida uma relação causal.
“É
importante que as mulheres não deixem de utilizar produtos de higiene por medo
de uma associação que não tem comprovação científica consistente. A atenção
deve estar voltada para os fatores de risco reconhecidos e para a realização
dos exames recomendados”, esclarece Kelma.
4. Próteses de silicone podem causar câncer de mama?
Mito, com uma ressalva importante. Não há evidências de que as próteses de silicone provoquem o câncer de mama mais comum, que se origina no tecido mamário. Entretanto, existe uma associação rara entre determinados tipos de implantes e o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL), uma doença distinta do câncer de mama. O risco está relacionado principalmente a implantes com determinadas superfícies texturizadas.
“Quem
possui próteses de silicone deve manter o acompanhamento médico e realizar os
exames de imagem indicados. A presença do implante não elimina a necessidade de
rastreamento, e qualquer alteração deve ser investigada”, ressalta a
especialista.
5. Todo caroço na mama é sinal de câncer?
Mito. Nem todo nódulo mamário é maligno. Alterações benignas, como cistos e fibroadenomas, também podem provocar caroços. Entretanto, não é possível determinar a natureza de um nódulo apenas pelo toque, e toda alteração nova ou suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde.
“Encontrar um caroço não significa necessariamente receber um diagnóstico de câncer, mas também não é algo que deva ser ignorado. A avaliação clínica e, quando necessário, os exames de imagem e a biópsia ajudam a identificar a causa da alteração”, afirma Kelma Sandes.
Além
dos nódulos, sinais como retração da pele ou do mamilo, alterações no formato
da mama, secreção espontânea pelo mamilo, especialmente com sangue, e mudanças
persistentes na pele também merecem atenção médica.
6. Amamentar ajuda a proteger contra o câncer de mama?
Verdade. A amamentação está associada à redução do risco de câncer de mama. Esse efeito protetor pode estar relacionado às mudanças hormonais que ocorrem durante a lactação e ao menor número de ciclos menstruais ao longo da vida. A proteção varia de acordo com fatores individuais e não elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença.
“A amamentação oferece benefícios para a saúde da mãe e do bebê, e a redução do risco de câncer de mama é um dos benefícios associados a essa prática. Ainda assim, mulheres que amamentaram também precisam manter os cuidados preventivos e o acompanhamento recomendado”, explica a mastologista.
7. Alimentação saudável e atividade física podem ajudar a prevenir o
câncer de mama?
Verdade. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e controlar o peso corporal são medidas que contribuem para reduzir o risco de câncer de mama. Também é recomendável evitar o consumo de bebidas alcoólicas, um fator associado ao aumento do risco da doença.
“Não existe um alimento específico capaz de impedir o câncer de mama, assim como nenhum hábito garante proteção absoluta. O que sabemos é que um estilo de vida saudável contribui para diminuir riscos e promove benefícios para a saúde como um todo”, destaca Kelma.
A
prevenção deve ser entendida como um conjunto de atitudes, associado à atenção
aos fatores de risco e à realização dos exames indicados.
8. A mamografia só deve ser feita quando a mulher apresenta sintomas?
Mito. A mamografia também é utilizada no rastreamento, ou seja, na investigação de possíveis alterações em mulheres que não apresentam sintomas. A identificação de sinais suspeitos antes de serem percebidos pela própria mulher pode favorecer o diagnóstico em fases iniciais.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento populacional por mamografia para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres com histórico familiar relevante, predisposição genética ou outros fatores que indiquem risco aumentado podem precisar de acompanhamento individualizado, conforme avaliação médica. Já diante de um nódulo ou de outro sinal suspeito, a investigação deve ser realizada sem esperar a idade ou o intervalo previsto para o rastreamento de rotina.
O SUS também não restringe o acesso à mamografia de rastreamento para mulheres entre 40 e 49 anos e para aquelas com mais de 74 anos, desde que não apresentem sinais ou sintomas suspeitos e desejem realizar o exame por demanda. Nesses casos, é importante que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis riscos e benefícios da realização da mamografia.
“A
mamografia não deve ser vista apenas como um exame para quem sente alguma
coisa. Ela também tem um papel importante na detecção de alterações em mulheres
sem sintomas. O ideal é que cada paciente converse com seu médico para definir
o momento adequado de iniciar os exames e a frequência necessária”, orienta a
mastologista.
Informação e cuidado durante todo o ano
O Outubro Rosa reforça a importância da conscientização sobre o câncer de mama, mas os cuidados precisam continuar ao longo de todo o ano. Conhecer as próprias mamas, procurar atendimento diante de alterações suspeitas, manter hábitos saudáveis e seguir as recomendações de rastreamento são atitudes que contribuem para a saúde feminina.
A
orientação do CEPARH é que as mulheres não adiem a avaliação médica por medo ou
por acreditar em informações sem comprovação científica. O acesso à informação
confiável e o acompanhamento adequado são aliados importantes na detecção
precoce e no cuidado com a saúde.
Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital - CEPARH

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