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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Lipedema ou gordura localizada: 6 sinais que ajudam a diferenciar

Doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde ainda é confundida com excesso de peso corporal; conheça exames que apoiam a avaliação médica e o acompanhamento do tratamento

 

Pernas e quadris que aumentam dos dois lados, doem ao toque e ficam roxos com facilidade podem ser sinal de lipedema, doença crônica pouco conhecida e muitas vezes tratada como simples gordura localizada. 

O lipedema é um acúmulo de gordura simétrico e desproporcional, concentrado principalmente em quadris, coxas, pernas e braços. Desde a 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), a Organização Mundial da Saúde dá à condição um código próprio, o EF02.2¹. No Brasil, um estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro estimou que 12,3% das mulheres apresentam sintomas compatíveis com alta probabilidade de lipedema².

"Apesar da prevalência elevada, o lipedema ainda é pouco reconhecido e acaba confundido com obesidade, linfedema (inchaço causado pelo acúmulo da linfa, o líquido que circula pelos vasos linfáticos, quando esse sistema está danificado ou obstruído) ou outras alterações na distribuição da gordura. Quanto antes a mulher procura avaliação, mais cedo começa o cuidado adequado", diz o Dr. Wagner Iared, radiologista do Delboni e coordenador do serviço de Ultrassonografia da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.

O lipedema atinge principalmente mulheres. Em homens, é raro: uma revisão publicada em 2025 no Jornal Vascular Brasileiro contabilizou menos de dez casos descritos na literatura médica⁴. Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema, publicado em 2025 pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, a doença tem relação com as variações hormonais e pode surgir ou piorar na puberdade, na gravidez e na menopausa³. Por ser uma condição crônica que pode avançar com o tempo, procurar avaliação cedo ajuda a evitar a progressão³.

O mesmo consenso reforça que lipedema e obesidade são condições distintas, com mecanismos próprios³. Alguns sinais ajudam a perceber a diferença e a buscar orientação médica.


1. Aumento parecido dos dois lados

No lipedema, a gordura sob a pele costuma aumentar de forma simétrica, nas duas pernas ou nos dois braços ao mesmo tempo.


2. Desproporção entre a parte de cima e a de baixo do corpo

A cintura e o tronco podem se manter mais finos, enquanto quadris, coxas e pernas ficam mais volumosos. Muitas mulheres percebem isso ao comprar roupas, quando a numeração da calça é bem maior que a da blusa.


3. Dor e sensibilidade ao toque

A região afetada pode doer sem motivo aparente ou quando pressionada, o que não costuma acontecer com a gordura comum.


4. Roxos com facilidade

Pequenas batidas deixam hematomas. A facilidade para formar manchas roxas aparece entre as características citadas pelo consenso brasileiro³.


5. Mãos e pés preservados

O acúmulo de gordura geralmente para na altura dos tornozelos e dos punhos, e os pés e as mãos mantêm o tamanho habitual³. Outro detalhe observado pelos especialistas: elevar as pernas costuma não diminuir o tamanho delas³.


6. Pouca resposta a dieta e exercício físico

A gordura do lipedema tende a responder pouco às mudanças de alimentação e à atividade física⁴. Isso explica por que algumas mulheres emagrecem no rosto e no tronco sem ver diferença nas pernas. Alimentação equilibrada e movimento seguem importantes para a saúde e fazem parte do cuidado.

Esses sinais servem de alerta, e a confirmação depende de consulta médica.


Como o ultrassom ajuda

O diagnóstico do lipedema é clínico, feito pelo médico a partir do histórico e do exame físico³. Os exames de imagem complementam essa avaliação, ajudam a diferenciar o lipedema de outras condições e permitem acompanhar a evolução do quadro.

O Delboni, marca da Dasa em São Paulo, realiza a ultrassonografia de alta frequência para investigação do lipedema. O exame usa um protocolo padronizado, com medidas sempre nos mesmos pontos do corpo, e avalia a espessura da camada de gordura sob a pele (hipoderme), a textura desse tecido, sinais de fibrose e de inchaço. Pesquisadores brasileiros já propuseram medidas de espessura nesses pontos como critério de apoio ao diagnóstico⁵. O exame não usa radiação nem contraste.

"Como as medidas são feitas nos mesmos pontos e registradas em imagem, o médico consegue comparar um exame com o outro e acompanhar como o tecido responde ao tratamento", explica o Dr. Wagner Iared. "O ultrassom também contribui para diferenciar o lipedema do linfedema. Esses achados são sempre interpretados junto com a avaliação clínica."

O exame é feito com pedido médico e pode ser indicado quando há suspeita da doença, para diferenciar lipedema de linfedema, para acompanhar a evolução e a resposta ao tratamento e no planejamento de uma eventual cirurgia.

No pedido, o médico pode indicar a Ultrassonografia para Avaliação de Lipedema de Membros Inferiores e/ou de Membros Superiores, de acordo com a região a ser investigada. Se também quiser avaliar a circulação nas veias das pernas, o Doppler Venoso de Membros Inferiores é outro exame e deve ser solicitado separadamente.

 

 

Referências

1. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão (CID-11). EF02.2 Lipoedema.

2. Amato ACM, Amato FCM, Amato JLS, Benitti DA. Prevalência e fatores de risco para lipedema no Brasil. J Vasc Bras. 2022;21:e20210198. doi:10.1590/1677-5449.202101981

3. Amato ACM, Peclat APRM, Kikuchi R, et al. Consenso Brasileiro de Lipedema pela metodologia Delphi. J Vasc Bras. 2025;24:e20230183. doi:10.1590/1677-5449.202301832

4. Kamamoto F, Baiocchi JMT, Batista BN, et al. Lipedema: exploring pathophysiology and treatment strategies, state of the art. J Vasc Bras. 2025;23. doi:10.1590/1677-5449.202400252

5. Amato ACM, Saucedo DZ, Santos KS, Benitti DA. Ultrasound criteria for lipedema diagnosis. Phlebology. 2021;36(8):651-658. doi:10.1177/02683555211002340


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