No dia 25 de outubro, os brasileiros voltam às urnas para escolher seus representantes no segundo turno das eleições. As decisões tomadas nas urnas afetam toda a sociedade, inclusive crianças e adolescentes. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tinha 40,1 milhões de pessoas de até 14 anos, equivalentes a 19,8% da população. Embora a maior parte ainda não vote, esse público já convive com os efeitos das escolhas políticas e com os discursos que circulam na família, na escola, na televisão, nas redes sociais e nas ruas.
Para Clemilson
Graciano da Silva, Especialista de Proteção Integral e Solidariedade da
Província Marista Brasil Centro-Norte - PMBCN, o período eleitoral pode ser
aproveitado como oportunidade de educação para a cidadania. “É importante
explicar que democracia vai além do voto. Ela envolve participação, direitos,
responsabilidades, respeito às diferenças e construção coletiva. Praticar a
escuta das crianças e dos adolescentes nos permite acompanhar, desde cedo, a
formação de noções sobre cidadania que eles levarão para a vida”, afirma.
Crianças
e adolescentes são cidadãos no presente
Falar em educação
democrática também exige reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de
direitos no presente, e não apenas como “eleitores do futuro”. O Estatuto da
Criança e do Adolescente assegura, entre outros aspectos, liberdade de opinião
e expressão e participação na vida familiar e comunitária. Na adolescência,
essa aproximação ganha outra dimensão: no Brasil, o voto é facultativo a partir
dos 16 anos.
“Eles precisam
encontrar, na família, na escola e na comunidade, espaços seguros para
perguntar, expressar suas opiniões, discordar e aprender a ouvir quem pensa
diferente”, destaca Clemilson. Essa participação deve respeitar a idade e o
desenvolvimento de cada um, sem transferir às crianças responsabilidades que
pertencem aos adultos nem as transformar em porta-vozes de preferências
político-partidárias.
Despertando
a curiosidade e explicando o mundo
Nas infâncias,
conceitos sobre sociedade e política são compreendidos com mais facilidade
quando partem de experiências próximas. A escolha de representantes de turma,
as regras da escola, uma assembleia ou até a atuação de um síndico podem ajudar
a explicar ideias como representação, responsabilidade, participação e decisão
coletiva.
“Educar para a
democracia não é ensinar em quem votar. É oferecer condições para que crianças
e adolescentes aprendam a formular perguntas, buscar informações, reconhecer
direitos, dialogar e construir suas próprias opiniões com autonomia e
responsabilidade”, reforça o especialista. Assembleias de turma, grêmios
estudantis, construção coletiva de regras e debates sobre problemas da escola
ou da comunidade são exemplos de práticas que permitem vivenciar princípios
democráticos no cotidiano.
Combate
à desinformação
A educação digital
também faz parte dessa formação. Segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, 64% dos
adolescentes de 15 a 17 anos usuários de Internet afirmaram ter lido ou
assistido a notícias online. O índice foi de 50% entre 13 e 14 anos, 39% entre
11 e 12 anos e 31% entre 9 e 10 anos.
Diante dessa
exposição, famílias e escolas podem ensinar práticas simples de verificação:
identificar a fonte, observar a data, comparar veículos, distinguir fatos de
opiniões e desconfiar de conteúdos que apelam apenas para medo, raiva ou
urgência. “Quanto mais crianças e adolescentes aprendem a investigar o que
recebem, comparar fontes e refletir antes de compartilhar, maiores são as
condições para reconhecer informações enganosas e participar de forma
consciente dos ambientes digitais”, comenta Clemilson.
Escola
como ambiente plural
A escola é um dos
primeiros espaços públicos de convivência da criança e pode contribuir para que
ela aprenda a lidar com diferenças de opinião sem violência, humilhação ou
intolerância. Debates mediados, projetos de educação midiática, estudo das
instituições democráticas, assembleias escolares e grêmios podem estimular
pensamento crítico e participação sem direcionar preferências eleitorais.
“Ensinar a
conviver com a diversidade é fundamental para a vida em sociedade. Quando
reconhecemos a pluralidade, criamos condições para que todos possam pertencer,
participar, expressar suas opiniões e exercer seus direitos com respeito aos
direitos dos demais”, afirma Clemilson.
Para conversar com
crianças e adolescentes, os adultos podem começar por perguntas simples: “O que
você já ouviu sobre as eleições?”, “Como podemos saber se uma notícia é
verdadeira?”, “Por que as pessoas escolhem representantes?” e “É possível
respeitar alguém que pensa diferente de nós?”.
Maristas
no Brasil

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