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Canadá, Reino
Unido e Nova Zelândia dispensam o visto de turismo para parte dos brasileiros,
mas exigem uma autorização eletrônica antes do voo; com os gastos de brasileiros
no exterior em alta, especialista recomenda reservar 30 dias e solicitar apenas
em canais oficiais
Brasileiros que viajam como turistas ao Canadá, ao
Reino Unido ou à Nova Zelândia podem ser impedidos de embarcar no aeroporto por
um motivo simples: confundir “viajar sem visto” com “viajar sem nenhuma
autorização prévia”. Nos três destinos, a dispensa do visto tradicional convive
com uma autorização eletrônica de viagem (eTA no Canadá, ETA no Reino Unido e
NZeTA na Nova Zelândia) que precisa estar aprovada antes do check-in. Quando a
exigência é descoberta no balcão da companhia aérea, passagem e hospedagem já
foram pagas e a viagem pode ser comprometida, alerta Marcelo Pinto, CEO da
Mundo dos Vistos.
O risco cresce com o número de pessoas que viajam.
Os brasileiros gastaram US$ 17,0 bilhões em viagens ao exterior nos oito
primeiros meses de 2026, 17,5% a mais que no mesmo período de 2025 (US$ 14,5
bilhões), segundo a série de viagens internacionais do Banco Central. O
primeiro semestre, com US$ 12,6 bilhões, foi o maior da série histórica do BC
para o período. O dado mede gasto, não o número de viajantes por destino, mas
indica um volume de passageiros que tende a esbarrar nessas exigências.
O eTA do Canadá não vale para
todo brasileiro nem para todo meio de transporte
Para o executivo, a origem da confusão está na
forma como a informação circula. “É comum ouvir que ‘brasileiros não precisam
de visto para a Inglaterra’ ou que ‘o Canadá dispensou o visto para
brasileiros’. Sem explicar as condições, essas frases levam o viajante a
acreditar que basta ter um passaporte válido e comprar a passagem”, afirma.
No caso canadense, o governo permite que
brasileiros solicitem o eTA em vez do visto de visitante apenas em duas
situações: quem teve visto canadense de visitante nos últimos dez anos ou quem
tem um visto americano de não imigrante válido no dia do pedido. O eTA custa C$
7, costuma ser aprovado em minutos e vale por até cinco anos ou até o fim da
validade do passaporte, o que ocorrer primeiro, de acordo com o governo do
Canadá. Se for preciso enviar documentos, as instruções chegam por e-mail em
até 72 horas.
Há ainda um limite que surpreende: a autorização
vale só para quem chega de avião. Quem entra por terra ou por mar precisa do
visto de visitante, mesmo com visto americano válido. Isso atinge, por exemplo,
o turista que está nos Estados Unidos e decide atravessar a fronteira de carro,
ônibus ou trem para conhecer as Cataratas do Niágara pelo lado canadense. O
mesmo vale para cruzeiros com escala em cidades como Victoria, Vancouver,
Halifax e Quebec.
No Reino Unido e na Nova
Zelândia, a exigência alcança até bebês e o prazo varia
No Reino Unido, incluindo a Inglaterra, o brasileiro
que viaja como turista, sem visto e sem outra condição de dispensa, precisa da
ETA, que custa £ 20 no site oficial. A exigência vale para cada viajante,
inclusive crianças e bebês. O sistema é massivo: segundo o Ministério do
Interior do Reino Unido (Home Office), 24,8 milhões de autorizações foram
emitidas desde o lançamento, em outubro de 2023, até o fim de 2025. A maioria
dos pedidos feitos pelo aplicativo recebe decisão automática em minutos, mas o
governo britânico recomenda solicitar com pelo menos três dias úteis de
antecedência, por causa dos casos que exigem análise adicional.
Na Nova Zelândia, a dispensa de visto prévio para
visitas curtas também não elimina a NZeTA. A imigração neozelandesa orienta
reservar 72 horas para os procedimentos e alerta que dados de passaporte
incorretos podem impedir o embarque.
O prazo oficial mínimo, porém, não é o que o
especialista considera seguro. “Muitas autorizações são aprovadas rapidamente,
mas o passageiro não deve organizar a viagem contando com isso”, diz. Segundo
ele, há casos em que a análise se prolonga por semanas, o que pode inviabilizar
a viagem.
Do balcão do aeroporto ao site
que imita o oficial: onde o erro costuma aparecer
O erro mais frequente, na avaliação do
entrevistado, é entender que “sem visto” significa “sem qualquer autorização”.
O passageiro costuma descobrir isso no check-in e tenta fazer a solicitação
pelo celular, esperando resposta imediata. Se a aprovação não chegar antes do
encerramento do embarque, pode perder o voo.
Os atendimentos da Mundo dos Vistos mostram como
isso acontece. Um cliente acionou o atendimento de urgência depois de ser
impedido de embarcar para o Canadá por não ter o eTA. Uma cliente chegou a
questionar a orientação da equipe depois de ver, em um perfil de terceiros nas
redes sociais com centenas de milhares de seguidores, que não precisava de
visto. Mesmo depois da explicação de que a dispensa de visto não significa
dispensa de autorização, foi difícil desfazer a interpretação, porque ela
atribuía grande credibilidade ao conteúdo.
Outro risco são os sites que se parecem com os
oficiais. O próprio governo britânico alerta que outros endereços podem cobrar
mais e imitar serviços do governo. “Pagar uma taxa, preencher um formulário ou
receber um protocolo não significa estar autorizado a viajar. É indispensável
conferir a aprovação e sua vinculação ao passaporte correto antes de ir ao
aeroporto”, orienta o CEO.
Como um especialista em vistos
pode ajudar antes do embarque
O trabalho de um especialista em vistos começa
antes do pedido. Ele verifica se o viajante se enquadra na regra do destino
(por exemplo, se tem visto americano válido ou visto canadense anterior), se o
meio de entrada muda a exigência (avião, terra ou cruzeiro) e se os dados
informados batem com o passaporte que será usado. Depois do envio, acompanha o
andamento, trata pendências e pedidos de documentos adicionais e, quando o
pedido trava, procura o motivo. Nada disso substitui a decisão do governo, que
é quem aprova a autorização: o serviço não aumenta nem garante a aprovação.
Foi o que ocorreu com um cliente da Mundo dos
Vistos que estava na Austrália e descobriu, no dia do voo, que precisava da
NZeTA para a Nova Zelândia. Ele fez o pedido por conta própria, pelo site
oficial, mas a autorização não saiu a tempo. Quando a equipe assumiu o
atendimento e analisou a solicitação, encontrou uma informação preenchida
incorretamente que impedia a liberação. O caso mostra que mesmo o canal oficial
exige atenção aos dados. Para quem opta por contratar uma assessoria, o
executivo reforça que é preciso saber qual empresa presta o serviço e receber a
confirmação da autorização emitida pelo governo.
Verificar a documentação antes
de comprar a passagem
A orientação de Marcelo é checar a documentação
assim que o destino e o roteiro forem definidos, de preferência antes de
comprar passagens e serviços não reembolsáveis. Para as autorizações
eletrônicas, ele recomenda uma margem de pelo menos 30 dias, o que é uma
sugestão de planejamento, e não um prazo oficial nem garantia de aprovação. Se
o destino exigir visto, o prazo deve considerar as regras específicas desse
processo. “O aeroporto deve ser o lugar de apresentar a documentação já
conferida”, resume.

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