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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Previdência infantil: como R$ 300 por mês podem virar quase R$ 200 mil aos 18 anos


Educadora financeira da Franq explica por que começar cedo transforma pequenos aportes em patrimônio expressivo e ensina crianças a lidar com dinheiro

 

Guardar dinheiro para pagar a faculdade, financiar um intercâmbio ou ajudar na compra do primeiro imóvel do filho são objetivos comuns entre pais brasileiros. Mas poucos consideram que uma previdência privada iniciada ainda na infância pode ir além: construir patrimônio de longo prazo e, ao mesmo tempo, educar financeiramente a criança desde cedo. 

De acordo com Gabriella Bridi, educadora financeira da Franq, em uma projeção conservadora, com rentabilidade real de 10% ao ano, aportes mensais de R$ 300 desde o primeiro ano de idade resultam em R$ 171,5 mil quando o jovem completa 18 anos. Já em um cenário moderado, com rentabilidade de 11% ao ano e o mesmo valor mensal, o montante chega a R$ 190,3 mil. A diferença está no tempo: quanto mais cedo se começa, maior o efeito dos juros compostos. 

— O tempo é o ativo mais valioso nessa conta, porque os juros compostos trabalham a favor de quem começa cedo. A sugestão é fazer aportes mensais com disciplina, encarando como uma contribuição para o futuro do filho, ainda que não haja um destino específico para o valor acumulado — explica. 

Segundo ela, algumas famílias fazem, de fato, uma preparação para a aposentadoria da criança, com resultados expressivos se o investimento for mantido até os 60 anos ou mais. Outras preferem deixar a cargo do jovem adulto decidir, aos 18 anos, se quer pagar a faculdade, empreender, viajar ou seguir investindo e construindo patrimônio.


Previdência como ferramenta de educação financeira 

Além de ser um investimento para o futuro, a previdência infantil pode ser uma oportunidade de educação financeira. Bridi explica que, a partir dos 3 ou 4 anos, quando a criança começa a lidar com números e quantidades, já é possível introduzir o assunto, convidá-la a participar e acompanhar o saldo com certa regularidade. 

Mais adiante, temas como priorização no orçamento, juros e a relação entre espera e recompensa podem ser tratados com leveza, usando a previdência como exemplo. 

— Também é importante dar um nome a esse objetivo, algo como 'dinheiro do futuro'. Todas essas conversas preparam o filho para o momento em que ele assumir a conta e decidir o que fazer com ela — comenta. 

A educadora recomenda ainda que a família estendida participe. Em vez de dar presentes em datas comemorativas, avós, tios e padrinhos podem contribuir com qualquer valor para a previdência da criança.

 

O que evitar e imposto de renda 

Entre os erros mais frequentes para não tomar a decisão de poupar dinheiro na infância está a crença de que aportes pequenos não farão diferença. Para Gabriella Bridi, não existe um valor ideal para os aportes mensais, o importante é que estejam alinhados ao orçamento da família e sejam encarados como um compromisso mensal, como um boleto a ser pago. 

— Qualquer valor é um suporte para o futuro. O importante é manter a constância. Com o tempo, esses valores podem aumentar à medida que a criança cresce, e ela pode ser estimulada a contribuir de forma simbólica com parte da mesada — afirma. 

Para quem faz a declaração completa do imposto de renda, há ainda o benefício tributário de deduzir as contribuições para um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) em nome de um filho declarado como dependente, dentro do limite de 12% do total dos rendimentos tributáveis. Esse limite é compartilhado com a previdência do próprio declarante. Quem declara também precisa contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, a partir dos 16 anos, o filho também precisa contribuir em nome próprio.

 

Planejamento acessível para todos os orçamentos 

A educadora financeira da Franq ressalta que a ideia deve ser adaptada para a realidade de cada família. Em casos de orçamento apertado, a prioridade deve ser a reserva de emergência. Depois, olhando para a previdência dos filhos, a sugestão é começar pequeno e manter a constância. 

— Um aporte baixo mantido por anos vale mais do que um valor alto abandonado lá na frente — orienta. 

Para Bridi, quando chegam à fase adulta, os jovens que contam com dinheiro na reserva têm a liberdade de escolher a faculdade, fazer intercâmbio ou até empreender sem precisar recorrer a crédito. Podem também manter o recurso investido e seguir com os aportes, como ponto de partida para uma aposentadoria mais tranquila e segura. 

— O benefício é o hábito de poupar, que fica para a vida. Muitos jovens chegam ao mercado de trabalho sem entender como juros, prazo e disciplina financeira funcionam. Quem foi educado financeiramente desde cedo já sai na frente — finaliza.


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