A inflamação crônica de baixo grau pode estar associada ao excesso de tecido adiposo e a alterações metabólicas, mas não explica sozinha cansaço, inchaço ou dificuldade para emagrecer. Endocrinologista esclarece quando investigar e por que testes e protocolos “anti-inflamatórios” exigem avaliação.
Cansaço, barriga inchada e dificuldade para emagrecer têm
recebido uma explicação frequente nas redes sociais: o corpo estaria
“inflamado”. A expressão, porém, não estabelece um diagnóstico nem esclarece a
origem dessas queixas. Até exames usados para avaliar inflamação têm limites:
segundo o MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a
proteína C-reativa pode indicar um processo inflamatório, mas não identifica,
sozinha, sua causa ou localização.
Para o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael Fantin, o
primeiro cuidado é entender que a inflamação também participa da defesa e da
recuperação do organismo. Infecções e lesões, por exemplo, desencadeiam
respostas inflamatórias. “A expressão ‘corpo inflamado’ descreve uma
possibilidade biológica, mas não representa, por si só, um diagnóstico médico”,
afirma.
Na inflamação crônica de baixo grau, existe uma ativação
persistente e menos intensa do sistema imunológico. Segundo o especialista, o
excesso de gordura, principalmente visceral, pode favorecer a produção de
substâncias inflamatórias e contribuir para a resistência à insulina, condição
em que o organismo responde de forma menos eficiente ao hormônio que ajuda a
controlar a glicose.
Essa relação não significa que o metabolismo esteja
“travado” ou que seja necessário cumprir um protocolo para começar a emagrecer.
“O emagrecimento não depende simplesmente de desinflamar o corpo. Precisamos
corrigir os fatores que estão favorecendo tanto o acúmulo de gordura quanto as
alterações metabólicas associadas”, explica Rafael.
Cansaço, inchaço e mudanças no peso precisam ser
investigados conforme suas características. Sono inadequado, efeitos de
medicamentos, alterações da tireoide e problemas digestivos estão entre as
possibilidades que podem exigir avaliação. A consulta considera histórico,
hábitos, exame físico e fatores de risco para decidir quais exames são
necessários, sem transformar qualquer sintoma em indicação de uma bateria de
testes.
O cuidado com a saúde metabólica envolve alimentação
adequada, atividade física e sono, além do tratamento de condições
identificadas. Reduzir o excesso de gordura corporal, quando indicado, e
preservar a musculatura fazem parte desse planejamento. “Não se trata
simplesmente de uma dieta anti-inflamatória, mas de fornecer ao organismo os
nutrientes necessários para seu funcionamento adequado”, ressalta.
Dietas muito restritivas podem comprometer a ingestão de
nutrientes, enquanto suplementos em doses inadequadas podem causar prejuízos.
Medicamentos também dependem de indicação para uma condição específica. “Não
existe um protocolo único que resolva todas as causas de inflamação”, destaca o
endocrinologista.
Para quem procura uma solução rápida, Rafael recomenda começar pela investigação. “Minha orientação é não procurar simplesmente uma solução rápida para desinflamar o corpo, mas entender por que ele pode estar inflamado.” O objetivo é identificar o que está acontecendo e definir um cuidado individualizado, em vez de tratar uma expressão popular como diagnóstico.
Fonte: Dr. Rafael Fantin — endocrinologista e metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
@dr.rafaelfantin
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