Dra. Kátia Virgínia alerta que
especialmente a forma bacteriana pode evoluir rapidamente e deixar sequelas
importantes, como perda auditiva, além de oferecer risco à vida do paciente 
Magnific
Considerada uma doença endêmica no Brasil, por
circular de forma contínua e constante entre a população, a meningite exige
atenção médica imediata, especialmente na forma bacteriana, que é potencialmente
grave. As bactérias provocam um processo inflamatório agudo e intenso nas
meninges, membranas que revestem o cérebro e medula espinhal.
A meningite bacteriana evolui rapidamente, muitas vezes em poucas
horas após os primeiros sinais. O tratamento com antibióticos deve ser iniciado
assim que surge a suspeita clínica, antes mesmo do resultado dos exames, que
podem demorar 24 horas ou mais para ficarem prontos, enquanto a doença se
agrava com velocidade.
Atenção aos principais sintomas:
- Febre alta repentina e forte dor de cabeça;
- Rigidez na nuca (dificuldade para encostar o queixo no
peito);
- Náuseas e vômitos que podem ser em jato;
- Confusão mental e sonolência;
- Sensibilidade à luz (fotofobia).
Dra. Kátia Virgínia, otorrinolaringologista do HOPE, diz que “a
meningite bacteriana pode deixar sequelas neurológicas importantes, entre elas
perda auditiva permanente em um ou nos dois lados, além de oferecer risco à
vida do paciente.” Por estarem próximas das meninges, a bactéria pode atingir
as estruturas do ouvido interno e chegar à cóclea, cavidade responsável por
captar o som, lesionando as células sensoriais.
“Embora a perda auditiva seja uma complicação de grande
relevância, os sinais podem ser percebidos somente após a fase aguda da doença.
Por isso é fundamental que mesmo sem sintomas, ao melhorar da infecção o
paciente faça exames auditivos, em caráter de urgência, antes que a cóclea se
calcifique completamente, inviabilizando a colocação de um implante e a
recuperação da audição”, alerta a especialista.
O consenso epidemiológico e científico internacional é que cerca
de 5% a 30% das pessoas que tiveram meningite bacteriana desenvolvem algum grau
de perda auditiva. A médica esclarece que “o quadro é mais frequente na
meningite pneumocócica, causada pelo meningococo, bactéria que apresenta maior
associação com lesões cocleares”.
A meningite bacteriana é transmitida principalmente pelo contato
com gotículas respiratórias e secreções da garganta ou nariz da pessoa
infectada, quando ela fala, espirra, tosse ou beija. Alguns pacientes são
assintomáticos e carregam a bactéria sem ficar doentes, transmitindo a doença
aos outros. O consumo de alimentos contaminados também podem provocar a
infecção, embora isso seja menos comum.
É
muito importante que, ao ter contato com alguém diagnosticado com meningite
bacteriana, a pessoa procure um posto de saúde para avaliar a necessidade do
uso de antibiótico preventivo. Em caso de sintomas, a recomendação é buscar
imediatamente um atendimento médico de urgência e iniciar o tratamento,
lembrando de realizar os exames auditivos logo após se curar da infecção. Agir
rápido é essencial, pois essa é uma doença grave, de rápida evolução e que pode
ser fatal.
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