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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Ludopatia: quando apostar pode indicar um problema de saúde mental

Perda de controle e prejuízos na rotina estão entre os principais sinais que indicam necessidade de acompanhamento profissional

 

As apostas on-line ganharam espaço na rotina de milhões de brasileiros e, para algumas pessoas, o comportamento pode deixar de ser ocasional e passar a provocar prejuízos financeiros, emocionais e familiares. A ludopatia, ou transtorno do jogo, é caracterizada pela dificuldade de controlar o impulso de apostar mesmo diante de consequências negativas. 

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde ajudam a dimensionar o problema. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam realizado algum tipo de aposta nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo considerado de risco ou problemático. Para Ricardo Patitucci, psiquiatra e diretor técnico da ViV Saúde Mental e Emocional, a atenção não deve estar apenas na quantidade de dinheiro envolvida, mas principalmente na perda de controle sobre o comportamento. 

“Um dos sinais importantes é quando a pessoa começa a apostar mais do que pretendia, tenta parar e não consegue ou passa a organizar parte da rotina em função das apostas. O prejuízo financeiro costuma chamar mais atenção, mas alterações no humor, ansiedade, irritabilidade, culpa e conflitos familiares também fazem parte de um quadro que merece atenção”, explica Patitucci.

 

Por que pode ser difícil parar

A dinâmica das apostas ajuda a explicar por que algumas pessoas têm dificuldade para interromper o hábito. Os resultados imprevisíveis e as recompensas intermitentes podem estimular a continuidade do jogo. No ambiente digital, recursos como apostas em tempo real, notificações, bônus e estímulos sucessivos favorecem a repetição desse comportamento. 

Outro sinal de alerta é tentar recuperar o dinheiro perdido com novas apostas. Essa estratégia pode alimentar um ciclo de perdas, levando a pessoa a arriscar cada vez mais na expectativa de reverter o prejuízo.

“Depois de perder, a pessoa pode acreditar que uma nova aposta será suficiente para recuperar o dinheiro. Quando essa lógica começa a se repetir, o comportamento pode se tornar cada vez mais difícil de interromper”, afirma o especialista.

 

Sinais de alerta vão além do jogo

Familiares e pessoas próximas podem identificar mudanças antes mesmo que o apostador reconheça o problema. Esconder gastos, recorrer frequentemente a empréstimos, comprometer contas essenciais, mentir sobre as apostas ou demonstrar irritação quando não consegue jogar são alguns dos indícios. Também merecem atenção as alterações no sono e no humor, o afastamento de amigos e familiares, a queda no desempenho profissional ou nos estudos e a perda de interesse por outras atividades.

Segundo o especialista, esses sinais precisam ser avaliados em conjunto. “Um comportamento isolado não necessariamente indica dependência. O alerta aumenta quando existe perda de controle e as apostas começam a comprometer diferentes áreas da vida”, destaca. 

Diante dessas mudanças, a recomendação é abordar o assunto com acolhimento, sem acusações. Conversar sobre a frequência das apostas, os valores gastos e os impactos na rotina podem ajudar a compreender a situação e incentivar a busca por acompanhamento profissional. 

O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico, conforme as necessidades de cada pessoa. “Não é preciso esperar que a pessoa perca tudo ou chegue a uma situação extrema. Se as apostas já estão causando sofrimento emocional, conflitos ou prejuízos financeiros, esse é um motivo suficiente para procurar ajuda”, conclui Patitucci.

 

ViV Saúde Mental e Emocional


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