Especialistas explicam as diferenças entre as
duas fases, os sintomas mais comuns e os impactos das mudanças hormonais na
saúde física e mental das mulheres
Magnific
Na semana em que é
celebrado o Dia Mundial da Menopausa, a data serve para conscientizar sobre a
fase biológica natural que afeta a saúde física e mental de milhões de pessoas
no mundo todo. Segundo as projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), o
total de mulheres no mundo na menopausa e pós-menopausa deve alcançar a marca
de 1,2 bilhão até o ano de 2030.
De acordo com o
Ministério da Saúde, cerca de 37 milhões de brasileiras têm entre 40 e 65 anos,
faixa etária em que podem surgir as primeiras manifestações do climatério.
Estima-se que entre 20% e 30% dessas mulheres apresentem sintomas moderados ou
graves durante a transição para a menopausa, o que pode comprometer
significativamente a qualidade de vida.
Atualmente
muitas mulheres não sabem por qual período está passando, o médico
ginecologista e professor da Afya Montes Claros, Dr Silvan Márcio de Oliveira,
comenta que o climatério é um período da vida da mulher que vai dos 40 aos 65
anos e tem como principal característica a queda na produção dos hormônios
ovarianos, o estrogênio e a progesterona.
“Entre eles,
destaca-se o estrogênio, que tem um papel fundamental nas características
femininas. Ao longo desses aproximadamente 25 anos em que a mulher passa pela
fase do climatério, o marco mais importante é quando ela para de menstruar. A
última menstruação da mulher é o que chamamos de menopausa. Podemos, então,
distinguir três fases importantes na vida reprodutiva da mulher: a primeira
menstruação, chamada menarca; o período entre a primeira e a última
menstruação, chamado menacme; e a última menstruação, denominada menopausa”.
De acordo com o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 17
milhões de brasileiras estão no climatério, enquanto cerca de 9,2 milhões,
entre 50 e 65 anos, já estão na menopausa. O ginecologista informa que quando a
mulher entra no climatério, começam a ocorrer mudanças no organismo em
decorrência da redução progressiva do estrogênio. Essas mudanças envolvem tanto
os hormônios quanto o metabolismo.
“Por isso,
algumas mulheres relatam dificuldade para emagrecer e a sensação de que estão
ganhando peso. Em relação aos sintomas, um dos mais comuns são as ondas de
calor. Muitas vezes, a própria mulher associa esse sintoma à menopausa e diz:
“Estou na menopausa, estou tendo ondas de calor”. Esse é um dos sinais mais
característicos desse período. Outro sintoma frequente é a sudorese noturna. A
mulher se deita para dormir e começa a suar, mesmo quando o clima está fresco
ou até frio. Como consequência, pode passar a dormir mal e apresentar
alterações no sono”.
Essas
dificuldades para dormir podem contribuir para a irritabilidade, alterações de
humor, fadiga e dificuldade de concentração. Esses estão entre os sintomas mais
comuns do climatério e da menopausa. Dr Silvan Márcio também explica que podem
ocorrer mudanças na sexualidade, como a redução da libido e o ressecamento
vaginal, relacionado à diminuição do estrogênio. se o ressecamento pode
provocar dor durante a relação sexual. “Além disso, algumas mulheres podem
começar a apresentar perdas urinárias, como quando tossem ou espirram,
caracterizando episódios de incontinência urinária”, complementa.
Impactos
na saúde mental
Um
estudo publicado em 2025 no Brazilian Journal of Health Review
aponta que cerca de 40% das mulheres no climatério apresentam sintomas
moderados a graves de depressão ou ansiedade. A
psicóloga e coordenadora de Psicologia da Afya Sete Lagoas, Dra Sabrina
Magalhães Teixeira, esclarece que o climatério
e a menopausa aumenta a vulnerabilidade das mulheres à depressão e à
ansiedade.
“Uma das
hipóteses mais robustas é que as variações nos níveis de estrogênio afetam os
sistemas de neurotransmissores, como a serotonina e o GABA. No entanto, a
menopausa, assim como a depressão e a ansiedade, não deve ser compreendida
apenas sob a perspectiva hormonal. Entre as manifestações esperadas estão
irritabilidade, oscilações de humor, cansaço, choro fácil e alterações do sono,
além de sintomas como os calores, que, assim como o sono fragmentado, podem
intensificar o sofrimento emocional”.
Ainda segundo a
psicóloga, também são comuns queixas cognitivas, como dificuldades de concentração,
memória e resolução de problemas, além de uma sensação de lentificação mental,
frequentemente descrita como uma névoa cognitiva.
“Dentro da psicoterapia, destacam-se as práticas baseadas em
mindfulness para melhorar essas situações, para as quais temos evidências
robustas de melhora. Além disso, existem resultados significativos dos
benefícios da atividade física de baixa a moderada intensidade na melhora dos
sintomas depressivos e ansiosos, bem como na regulação do sono. Nesse sentido,
é importante que a mulher dê atenção à qualidade do sono, já que ela afeta
diversos sistemas hormonais e cognitivos. Outro aspecto fundamental é a
manutenção dos vínculos sociais, a promoção de encontros, a socialização e a
busca por ajuda e apoio, além de uma alimentação adequada e de cuidados mais
amplos com a saúde”, conclui.
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