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domingo, 20 de setembro de 2026

Custo de cuidar pesa no bolso e já faz 56% dos tutores abrirem mão de cuidados com pets, aponta pesquisa

Divulgação
Instituto Caramelo
Levantamento do Instituto Locomotiva, encomendado pelo Instituto Caramelo, mostra que 90% dos brasileiros percebem aumento nos custos para manter um animal; dificuldades financeiras também aparecem entre principais fatores associados ao abandono

 
O vínculo dos brasileiros com os animais de estimação sempre esteve muito presente, mas manter os cuidados necessários pode pesar no orçamento das famílias. Pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Caramelo, mostra que 56% dos tutores já deixaram de realizar algum cuidado com seus pets por questão financeira, e 14% dizem que isso ocorreu várias vezes. Entre as classes C, D e E, o percentual chega a 62%.

A pressão no orçamento aparece em diferentes pontos do levantamento. Para 90% dos brasileiros, os custos para manter um animal estão mais caros. Entre quem tem pet, 42% já enfrentaram dificuldades financeiras por causa dos gastos, índice que chega a 47% nas classes C, D e E. Além disso, 59% dos tutores afirmam já terem deixado de comprar algum produto para seu gato ou cachorro por causa do preço. 

O impacto financeiro também chega à outra ponta do problema: o abandono. Quase metade dos brasileiros (48%) aponta dificuldades financeiras entre os fatores que contribuem para essa realidade. Outros 72% concordam que o custo elevado é uma das principais razões para o abandono, enquanto 38% dizem conhecer alguém que abandonou ou entregou um animal por dificuldades financeiras. 

Diariamente, o Instituto Caramelo lida com animais que dependem de atendimento, reabilitação e encontrar um novo lar. Em 2025, a organização realizou 342 resgates e viabilizou 315 adoções, além de promover mais de 11 mil castrações, considerando procedimentos internos, externos e campanhas. Entre janeiro e julho de 2026, foram outros 185 resgates e 186 adoções, além de mais de 5,7 mil castrações. 

“Quando uma família deixa de cuidar do seu pet por não conseguir pagar, o problema deixa de ser só financeiro e também passa a ser de bem-estar animal. E, no limite, isso contribui para o abandono. Precisamos de ampliação da oferta de castração e atendimento veterinário para que cuidar de um bichinho não se torne inviável para muitos”, afirma Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo.
 

Cães presentes em 76% dos lares; gatos, em 51% 

Ainda segundo a pesquisa, sete em cada dez pessoas têm hoje um animal de estimação. Desse total, 42% possuem um pet, 31% têm dois, 12% têm três e 15% têm quatro ou mais. Cães estão presentes em 76% dos lares, e gatos, em 51%. 

Essa presença se reflete na percepção sobre o bem-estar: 91% dos entrevistados concordam que ter um animal de estimação traz benefícios para a saúde mental. Mesmo entre os três em cada dez brasileiros que não possuem pets, o desejo de convivência permanece alto: 58% gostariam de ter um. As principais barreiras são espaço insuficiente em casa (37%), falta de tempo para cuidar (37%) e custo elevado, incluindo alimentação e despesas veterinárias (29%). 

A pesquisa também revela que 85% dos brasileiros concordam que adotar é mais correto do que comprar. Além disso, 74% têm ou já tiveram na vida um animal adotado. Entre os tutores atuais, 28% afirmam ter resgatado o pet após abandono, 19% adotaram em campanhas de rua e 13% por meio de redes sociais. Mas a forma mais comum ainda é por meio de amigos ou parentes: 47%.
 

Outro desafio é a castração: 53% contam ter castrado todos os seus pets, enquanto 17% castraram apenas parte deles e 30% não castraram nenhum.
 

ONGs como protagonistas na proteção animal 

A dimensão do trabalho realizado pelo Instituto Caramelo também encontra eco na percepção dos entrevistados sobre quem hoje sustenta a proteção animal no país. 63% apontam as ONGs como um dos grupos que mais contribuem para a causa, seguidas pelos protetores independentes (50%). Enquanto isso, prefeituras e órgãos públicos são lembrados por apenas 25% dos entrevistados. E 86% deles defendem que o poder público invista mais na causa. 

“As ONGs e os protetores independentes têm um papel fundamental, mas não podem ser a única resposta para um problema dessa dimensão. Quem atua na ponta vê diariamente uma demanda bem maior do que a capacidade de atendimento das ONGs. Precisamos de políticas públicas permanentes de castração, atendimento veterinário, prevenção ao abandono e educação para a guarda responsável”, completa Yohanna.
 

Sobre a pesquisa 

Realizada de forma digital entre 15 e 28 de outubro de 2025, a Pesquisa de Bem-Estar Animal foi feita com 1.000 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as regiões do país. Com margem de erro de 3,1 pontos percentuais, a amostra foi ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade e classe social, conforme parâmetros da PNAD 2024.
 

Sobre o Instituto Caramelo

Referência nacional no resgate e reabilitação de animais em situação de abandono e maus tratos, o Instituto Caramelo é uma organização não governamental sem fins lucrativos que nasceu em fevereiro de 2015 para dar voz àqueles que não podem falar. Com um hospital veterinário 24 horas, atende mais de 200 animais e realiza castrações gratuitas, intervenções emergenciais e acompanhamento contínuo até que todos estejam prontos para adoção responsável.


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