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domingo, 20 de setembro de 2026

Muito além da aparência: contato prévio em cat cafés transforma a adoção de felinos e fortalece a guarda responsável

A adoção responsável de animais envolve uma decisão que vai muito além da identificação imediata com a aparência de um gato. Antes de levar um animal para casa, conhecer seu comportamento, sua personalidade e a forma como ele se relacionam com as pessoas pode ajudar a construir expectativas mais realistas sobre a convivência. Em São Paulo, a discussão permanece relevante diante da quantidade de animais que aguardam uma família. Em abril de 2026, uma ação da Prefeitura de São Paulo reuniu 96 gatos disponíveis para adoção, dentro de um universo de 298 cães e gatos atendidos pela Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico. Segundo o órgão, o processo de adoção também considera o perfil do interessado e as condições necessárias para garantir a guarda responsável.

A experiência de espaços que permitem o contato direto entre pessoas e animais antes da adoção ajuda a observar como esse vínculo pode influenciar a escolha. Greice Moreti, cofundadora do RONRON CAT CAFE, nutricionista, empreendedora e coautora do livro Quem Adotou Quem? acompanha desde dezembro de 2022 os encontros entre gatos disponíveis para adoção e potenciais famílias e pode falar sobre como a convivência modifica a percepção de quem chega ao espaço em busca de um animal. “Muitas pessoas chegam imaginando que vão se identificar com um determinado tipo de gato, mas acabam criando vínculo justamente com um animal que não corresponde ao perfil que tinham em mente. Quando existe a oportunidade de conviver, observar e conhecer o gato de verdade, a escolha deixa de estar baseada apenas na aparência e passa a considerar a relação que está sendo construída”, afirma.

O RONRON CAT CAFE oferece um exemplo concreto dessa dinâmica por funcionar também como espaço de aproximação entre gatos e potenciais adotantes. Em parceria com a Catland, mais de 495 gatos foram adotados desde dezembro de 2022, em processos nos quais os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer os animais antes de decidir pela adoção. A experiência permite discutir como o contato prévio pode revelar características que não aparecem em fotografias ou descrições e como a identificação pode surgir de maneira inesperada, inclusive com animais que inicialmente não despertavam a preferência do visitante. O espaço também reúne histórias de famílias que podem participar de reportagens e contar como conheceram seus gatos e como a convivência influenciou a decisão de adotá-los.

Esse processo também abre espaço para discutir uma dimensão menos explorada da adoção responsável, que é a construção das expectativas antes da chegada do animal à casa. A Prefeitura de São Paulo orienta que a adoção seja acompanhada de um compromisso de longo prazo, considerando cuidados como alimentação, higiene, abrigo e acompanhamento veterinário durante toda a vida do animal. Para Greice, permitir que pessoas e gatos se conheçam antes da adoção pode contribuir justamente para esse entendimento, porque a família passa a tomar a decisão a partir de uma experiência concreta de convivência. “A adoção não termina no momento em que o gato vai para casa. É ali que começa uma relação que precisa ser construída todos os dias. Por isso, quando a pessoa tem a oportunidade de conhecer aquele animal antes, entender seu jeito e perceber se existe uma conexão, ela consegue tomar uma decisão mais consciente sobre a vida que pretende compartilhar com ele”, completa.

 

RONRON CAT CAFE


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