Com turismo em alta e 143 milhões de visitas aos parques e atrações brasileiras em 2025, treinamento, manutenção, atendimento médico, tecnologia e gestão de riscos passam a ser cada vez mais relevantes na operação do setor
Toboáguas, piscinas de ondas e novas atrações
costumam concentrar as atenções quando um parque aquático anuncia
investimentos. Há, porém, uma parcela menos visível dessa conta: quanto custa
manter toda essa estrutura funcionando com segurança enquanto o número de
visitantes cresce?
O desafio pode ser observado em Foz do Iguaçu, um
dos principais destinos turísticos brasileiros. Em 2025, os principais
atrativos da cidade registraram 5,85 milhões de visitas, crescimento de 48% em
relação ao ano anterior. No segmento de parques aquáticos, o Blue Park superou
118 mil visitantes, alta de 44% na comparação com 2024.
O movimento acompanha uma expansão nacional. Os
parques e atrações brasileiras receberam 143 milhões de visitantes em 2025,
4,8% acima do ano anterior, e faturaram R$ 9,5 bilhões, crescimento de 12,8%,
segundo a quarta edição do Panorama Setorial de Parques, Atrações Turísticas e
Entretenimento no Brasil, elaborado pela Noctua Advisory para o SINDEPAT e a ADIBRA.
O levantamento identificou ainda R$ 11,5 bilhões em
investimentos programados no país. São R$ 7,1 bilhões em novos projetos e R$
4,4 bilhões em reinvestimentos de empreendimentos já existentes. Entre os novos
projetos mapeados, 28,6% são parques aquáticos.
O crescimento traz uma equação que vai além de
colocar novas atrações em funcionamento. Mais visitantes significam maior
complexidade operacional e necessidade de ampliar ou aperfeiçoar estruturas que
nem sempre são percebidas pelo público.
Em um parque aquático, a segurança envolve
contratação e capacitação de guarda-vidas, manutenção preventiva de
equipamentos e atrações, monitoramento e tratamento da água, atendimento
médico, sistemas de comunicação, controle de capacidade, sinalização, equipamentos
de emergência, tecnologia e protocolos para diferentes tipos de ocorrência.
É uma estrutura que precisa estar pronta todos os
dias, inclusive quando nada acontece.
Segurança entra na conta
No Blue Park, a operação envolve 220 colaboradores
efetivos e aproximadamente 120 profissionais indiretos durante os períodos de
maior movimento. Entre as equipes responsáveis diretamente pela segurança
aquática estão os guarda-vidas, que possuem certificação internacional da Jeff Ellis
& Associates, vinculada ao Programa Integral de Gestão de
Risco Aquático (PIGRA). Desde 2018, o parque mantém essa
certificação, cuja manutenção envolve três auditorias anuais, além de
treinamentos especializados com os Bombeiros Militares.
A lógica é transformar a prevenção em uma atividade
permanente, e não apenas reagir quando ocorre um acidente. “Segurança não é um
trabalho que acontece apenas quando o parque abre. Existe uma preparação
anterior, treinamento das equipes, acompanhamento dos procedimentos e
auditorias ao longo do ano. É um processo contínuo”, afirma Elvio Andrade,
diretor-geral do Blue Park.
Da manutenção ao atendimento
médico
Os guarda-vidas são a face mais visível dessa
estrutura, mas representam apenas uma parte de um sistema de segurança que
começa antes da abertura do parque e envolve diferentes áreas da
operação.
Antes de uma atração receber o primeiro visitante
do dia, entram em cena inspeções e rotinas de manutenção. Equipamentos, bombas,
sistemas hidráulicos e demais componentes precisam operar dentro dos parâmetros
estabelecidos. Em piscinas e atrações aquáticas, soma-se ainda o controle da
qualidade da água.
A estrutura de pronto atendimento é outra frente
essencial. Com ambulatório e equipe de enfermagem no local, o espaço cuida do
bem-estar diário dos visitantes como pequenas indisposições e primeiros
socorros, mantendo a prontidão para prestar o suporte inicial e direcionar
casos mais complexos à rede hospitalar."
Há ainda investimentos menos aparentes, como
equipamentos de primeiros socorros, sistemas de comunicação entre funcionários,
sinalização, controle de acesso e treinamento para que diferentes áreas saibam
como agir diante de uma ocorrência.
A tecnologia também ganhou espaço. Câmeras e
sistemas de monitoramento, ferramentas de comunicação e mecanismos de controle
de acesso e capacidade ajudam os operadores a acompanhar o funcionamento das
áreas e identificar situações que demandem intervenção.
No Blue Park, o próprio regulamento prevê limite de
capacidade e possibilidade de bloqueio de novos acessos quando a lotação máxima
é atingida. As regras também determinam a supervisão de crianças por adultos,
evidenciando outro componente da equação: em ambientes aquáticos, a segurança
depende tanto da estrutura oferecida pelo empreendimento quanto do
comportamento dos visitantes.
Mais visitantes, mais
complexidade
A escala do mercado ajuda a dimensionar o desafio.
Em dois anos, o setor passou de 127 milhões para 143 milhões de visitas anuais,
um acréscimo de cerca de 16 milhões.
O mercado também responde por aproximadamente 202
mil empregos diretos, indiretos e terceirizados, segundo o Panorama Setorial.
Esse crescimento aumenta a necessidade de
profissionalização da operação. Uma atração parada para manutenção reduz a
capacidade do parque; equipes insuficientes podem restringir o funcionamento de
determinadas áreas; falhas de treinamento ampliam riscos; e um acidente grave
pode gerar consequências humanas, jurídicas, financeiras e reputacionais.
É por isso que a segurança passa a ser também uma
decisão de negócio. No caso de Foz do Iguaçu, a questão ganha uma dimensão
adicional. Com a expansão do fluxo turístico e a multiplicação de experiências
oferecidas aos visitantes, a qualidade da operação passa a integrar a própria
competitividade do destino.
O custo que ninguém vê
É justamente essa estrutura que raramente aparece
nas campanhas de divulgação dos parques. O visitante percebe uma nova atração,
um toboágua ou uma piscina. Dificilmente percebe o investimento feito para
manter tudo funcionando.
As auditorias externas entram nessa lógica. No caso
do Blue Park, a certificação internacional mantida desde 2018 faz com que a segurança
seja submetida periodicamente à avaliação de uma organização externa,
adicionando uma camada de controle aos procedimentos internos.
“Existe uma estrutura que o visitante não vê.
Quando ele entra no parque, tudo precisa estar funcionando: equipamentos,
equipes, protocolos, atendimento e comunicação. Segurança exige investimento
permanente, porque não é possível pensar nela apenas depois que alguma coisa
acontece”, diz Andrade.
A discussão sobre quanto custa manter um parque
seguro, portanto, não se resume a chegar a um único valor. A conta está
espalhada por diferentes áreas da operação e continua existindo
independentemente de o parque receber mil ou milhares de pessoas naquele dia.
Em um setor que movimentou R$ 9,5 bilhões em 2025 e
tem R$ 11,5 bilhões em investimentos programados, o desafio é fazer com que o
investimento na infraestrutura de segurança acompanhe o ritmo da expansão.
Para o visitante, o resultado ideal é quase invisível: entrar, aproveitar as atrações e ir embora sem precisar pensar nos protocolos que existem ao seu redor. Para quem administra um parque, é justamente o contrário. A segurança começa muito antes de o primeiro visitante entrar na água.

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