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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Planos de saúde envelhecem mais rápido e relação entre jovens e idosos cai de 3,83 para 3,08 desde 2019, aponta LifesHub

Levantamento mostra que beneficiários com 59 anos ou mais já representam 16,95% da carteira médico-hospitalar e revela que perdas líquidas aparecem principalmente entre as coortes de meia-idade

 

A saúde suplementar brasileira chegou a junho de 2026 com uma mudança relevante na composição de seus beneficiários. Levantamento da LifesHub mostra que a participação das pessoas com 59 anos ou mais alcançou 16,95% da carteira médico-hospitalar, enquanto a relação entre beneficiários de até 38 anos e aqueles com 59 anos ou mais caiu de 3,83, em 2019, para 3,08. No período, o número de pessoas na faixa de 59 anos ou mais avançou 26,1%, enquanto as faixas de até 38 anos cresceram apenas 1,4%. Os dados indicam um processo de envelhecimento mais acelerado da carteira e colocam em discussão como a mudança demográfica pode alterar o equilíbrio dos planos nos próximos anos.

O movimento ocorre mesmo em um mercado que continua aumentando de tamanho. Entre dezembro de 2019 e junho de 2026, a carteira analisada pela LifesHub passou de 47,7 milhões para 53,4 milhões de vidas, com 79% da expansão concentrada entre beneficiários com 44 anos ou mais. No mesmo intervalo, as faixas de 29 a 33 e de 34 a 38 anos registraram redução em números absolutos. Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) confirmam a dimensão atual do setor, com 53,1 milhões de vínculos em planos de assistência médica em junho de 2026.

Uma segunda análise da LifesHub, porém, acrescenta uma perspectiva importante a esses números: a redução das faixas mais jovens não significa necessariamente que esses beneficiários estejam abandonando os planos. Ao acompanhar as mesmas gerações ao longo de cinco anos, o levantamento identificou crescimento de 24,5% na coorte que tinha entre 19 e 23 anos em 2019, de 20,9% na seguinte e de 9,1% na posterior. As perdas líquidas aparecem mais adiante, nas coortes de 44 a 48 anos, com queda de 1,8%, e de 49 a 53 anos, com recuo de 5,4% à medida que envelhecem cinco anos.

“Quando analisamos apenas uma fotografia da carteira por faixa etária, podemos chegar à conclusão de que o principal desafio está em trazer ou manter os mais jovens nos planos. Quando acompanhamos as mesmas gerações ao longo do tempo, o cenário se torna mais complexo. Os dados mostram entrada nas coortes mais novas e perdas que aparecem mais adiante, especialmente na meia-idade. Isso muda a discussão: além de pensar em aquisição, o setor precisa entender retenção, desenho de produto e como se preparar para uma população que continuará envelhecendo”, afirma Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub.

O recorte regional reforça que não existe uma única realidade para o país. No Rio de Janeiro, 22,4% dos beneficiários estão na faixa de 59 anos ou mais e existem 2,11 jovens para cada beneficiário dessa idade, além de uma redução de 5,3% no número de jovens. Rio Grande do Norte e Goiás apresentam outro comportamento: ambos ganharam beneficiários jovens e, ainda assim, registraram algumas das maiores altas na participação dos mais velhos, sinal de que o avanço do envelhecimento pode ocorrer mesmo em mercados que continuam atraindo novas gerações.

O efeito da composição etária aparece também quando se observa o preço. A mensalidade média informada à ANS para a faixa de 59 anos ou mais é de R$ 4.307,60, ante R$ 745,98 entre beneficiários de 0 a 18 anos - uma diferença de 5,8 vezes. Aplicando os preços atuais às carteiras dos anos anteriores, a LifesHub calculou que apenas a alteração do perfil etário elevaria a mensalidade média teórica de R$ 1.767,65 em 2019 para R$ 1.856,56 em junho de 2026, alta de 5%. O cálculo busca isolar exclusivamente o efeito da composição da carteira, sem representar uma projeção de receita, despesa ou sinistralidade.

 

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