Às vésperas do Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, o setor intensifica os esforços para ampliar a presença do destilado brasileiro no exterior. Como parte desse trabalho, uma nova agenda de ações internacionais começa em novembro deste ano, no México, e terá continuidade em 2027, com iniciativa já confirmada na Alemanha, além de atividades previstas em outros países. Ao mesmo tempo que busca conquistar novos mercados, o setor alerta para os impactos que a regulamentação do Imposto Seletivo poderá provocar no Brasil.
As iniciativas integram a quarta edição do projeto
setorial “Cachaça: Taste the New, Taste Brasil”, desenvolvido pelo Instituto
Brasileiro da Cachaça (IBRAC), entidade representativa do
setor, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos (ApexBrasil). Com recursos de R$ 2,63 milhões e expectativa de
atender diretamente entre 70 e 80 empreendimentos do setor, o projeto prevê
ações promocionais, aproximação com compradores e geração de oportunidades
comerciais, além de impulsionar as ações do PEIEX Agro Cachaça, programa voltado à
preparação de empresas do setor para o mercado externo.
A programação incluirá ainda encontros com
compradores internacionais, rodadas de negócios e iniciativas destinadas a
ampliar o conhecimento sobre a Cachaça como produto genuinamente brasileiro e
de alto valor agregado.
“Estamos iniciando uma nova etapa de internacionalização
da Cachaça. Essas ações são fundamentais para aproximar nossos produtores de
compradores internacionais e ampliar o reconhecimento do destilado brasileiro
no exterior”, afirma Vicente Bastos, presidente do IBRAC.
Setor cresce e alcança 844
municípios
Os dados mais recentes mostram uma cadeia produtiva
resiliente e em expansão. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, divulgado pelo
Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil encerrou 2025 com 1.538
estabelecimentos registrados, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior e
de 61,7% desde 2018. A produção registrada já está presente em 844 municípios
brasileiros, número 14,8% superior ao observado no ano anterior.
O desempenho externo também indica espaço para
crescimento. Em 2025, as exportações brasileiras de Cachaça avançaram 19,4%,
chegando a 7,96 milhões de litros, com embarques para 76 países. Para a
entidade, embora o volume ainda seja pouco expressivo diante do mercado mundial
de destilados, os números demonstram o interesse crescente pelo produto
brasileiro.
Crescimento ameaçado no
mercado interno
O avanço ocorre, entretanto, em meio a uma
preocupação crescente com o futuro da cadeia produtiva no Brasil. O setor teme
que a regulamentação do Imposto Seletivo mantenha ou amplie a diferença de
tratamento tributário entre as categorias de bebidas alcoólicas.
Segundo Bastos, atualmente, considerando apenas as
alíquotas nominais de IPI, a Cachaça suporta uma carga cerca de quatro vezes
superior à aplicada a outras bebidas alcoólicas. Para o IBRAC, essa assimetria
ameaça empregos, estimula a informalidade e atinge principalmente os pequenos e
médios produtores. “A informalidade no setor da Cachaça já é ameaçadora, tanto
para saúde pública como para a sobrevivência das empresas regularizadas perante
a legislação já exageradamente abrangente e complexa”, comenta.
“Temos um setor que cresce, gera renda em centenas
de municípios e conquista novos mercados, mas que continua enfrentando uma das
maiores cargas tributárias do segmento de bebidas alcoólicas no próprio país.
Se essa distorção for mantida ou ampliada pelo Imposto Seletivo, poderemos
comprometer a sobrevivência de milhares de produtores e levar parte da cadeia
ao colapso”, alerta o presidente do Instituto.
“O setor defende que a tributação considere a
quantidade de álcool efetivamente consumida, e não apenas a categoria da
bebida. Uma lata de cerveja, uma taça de vinho e uma dose de Cachaça contêm, em
média, aproximadamente 14 gramas de álcool. Para a entidade, situações
equivalentes devem receber tratamento tributário equivalente”, completa.
Criado por iniciativa do IBRAC e celebrado pelo
setor produtivo desde 2009, o Dia Nacional da Cachaça faz referência a uma data
importante no contexto da “Revolta da Cachaça", movimento de produtores
contra as restrições impostas pela Coroa portuguesa à fabricação e à
comercialização da bebida, ocorrido no Rio de Janeiro no século XVII. O Projeto
de Lei nº 3.771/202 que institui oficialmente a data está em tramitação no
Senado Federal.
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